terça-feira, 15 de novembro de 2011

As primeiras Tendas da Umbanda...


Zélio de Morais, ao propagar os fundamentos do Caboclo das Sete Encruzilhadas, esclareceu que as Tendas deveriam nascer das Sete Linhas da Umbanda e que, portanto, seriam representadas por sete cores.
Assim, quando do nascimento das primeiras Tendas e a delegação dos poderes para gerir essas mesmas Tendas, alguns dos novos filhos de fé, a exemplo do que ocorre em outras formas de culto, desvirtuaram em grande parte os ensinamentos do Caboclo das Sete Encruzilhadas.

As primeiras Tendas, ou mais especificamente, as Primeiras Linhas de Umbanda eram assim distribuídas...

A primeira linha é caracterizada pela cor amarelo ouro bem clarinho e que seria a cor da Tenda de Santa Bárbara. O Orixá correspondente é YANSÃ, que se caracteriza por ser um Orixá guerreiro e que domina também as águas como todas as Santas Senhoras; mas exerce, além disso, seu domínio sobre os raios, as chuvas e os ventos. Yansã simboliza a forma mágica capaz de afastar os males e as influências negativas. Servindo de amparo às súplicas dos que recorrem ao seu poder vibratório, como o poder de descarregar cargas nocivas de enfeitiçamento.
A segunda linha é caracterizada pela cor rosa, correspondente a Tenda Cosme e Damião. É a linha dos espíritos das crianças, espíritos puros em corpos físicos recém libertos do útero materno, espíritos que não tiveram oportunidade de ampla vivência em corpos físicos, sendo considerados ainda espíritos aprendizes. O Orixá correspondente é IBEJI. A universalidade dessa cultuação religiosa abrange povos que viveram em épocas diferentes e distintas, bem como, em locais distanciados na face da Terra. Em correspondência com áreas espirituais, eles envolvem todas as falanges que foram simbolizadas nos cultos dos gêmeos. Os cultos africanos, introduzidos pelos nagôs e pelos bantus trouxeram uma noção de um transe infantil, denominado "ERÊ" e uma concepção singular do Orixá Ibeji, representado por gêmeos sob várias denominações (Alabá, Doum, Cosme e Damião, Crispim, Crispiniano e Talab). Esse transe era muito considerado pela limpeza fluídica que fazia nos filhos de fé, ao final das práticas de terreiro.
A terceira linha é caracterizada pela cor azul clara. Esta é a única linha que possui mais de uma representação, com vários Santos Católicos sincretizados com ela, a saber: Nossa Senhora da Glória, Nossa Senhora da Conceição, Nossa Senhora dos Navegantes, Nossa Senhora da Guia, etc. O Orixá correspondente é IEMANJÁ. Esta linha é também a primeira a ter um nome negro e que significa "Mãe Peixe". A cor azul de Iemanjá lembra o período em que a vida é gerada no útero materno, é o próprio e complexo ato da fecundação, seguida do período de desenvolvimento do feto no meio aquoso (salino). Daí ser confundido ou bipartido, dando-se a Nossa Senhora da Conceição, a mãe de Jesus, o sincretismo com o Orixá da água doce ou potável, dos rios e cachoeiras, o Orixá OXUM. Iemanjá é o Orixá que possui maior cultuação e os milhões de adeptos a homenageiam coletivamente ao findar e iniciar de cada ano, fazendo a entrega das oferendas apropriadas. Oxum é o Orixá que domina a água doce e o arco-íris e as suas ligações. Porém, exerce o domínio mais acentuado nas cachoeiras, num sentindo geral de purificação.
A quarta linha é caracterizada pela cor verde representativo da Tenda São Sebastião. Representa o elemento verde da natureza, as matas e o povo que nela habita, os chamados índios e seus mestiços, os Caboclos. O Orixá correspondente é OXÓSSI. O culto a Oxóssi envolve uma vasta falange de caboclos, que representam o elemento jovem, o espírito idealista, sendo honestos e desinteressados. Os Guias-Chefes recebem várias denominações. Na Umbanda, esse Orixá recebeu ou absorveu a cultuação dedicada a Ossanha (Ossãe), bem como, as suas prerrogativas no campo das ervas medicinais, sendo de muita expressão nessa magia das plantas. Oxóssi, através dos fluídos das ervas, prepara e limpa com os seus banhos todas as vibrações inferiores, harmonizando as vibrações com perfumes e aromas florais.
A quinta linha é caracterizada pela cor vermelho, representando a Tenda São Jorge. O Orixá correspondente é OGUN; patrono da força aplicada à manutenção da ordem, é constituída pelos espíritos de militares. Ogun é um Orixá muito considerado na Umbanda. Apresentando várias entidades que se manifestam nos terreiros de Umbanda sob os mais variados nomes, entre eles: Ogun Beira-Mar, Ogun Rompe Mato, Ogun Nagô, Ogun Sete Ondas, Ogun Iara, etc. Ogun simboliza o vencedor de demandas com vibrações positivas, aquele que é escolhido para combater as forças do mal.
A sexta linha é caracterizada pela cor marrom, representando a Tenda São Jerônimo. Esta linha é constituída pela força. Seu Orixá correspondente é XANGÔ e significa a força que resolve as pendências, dando a quem é devido o que lhe é de direito. É sempre representado como o homem maduro. A invocação de Xangô envolve desde os Doze Apóstolos a todos os Santos Velhos. No apelo comum a Xangô afluem as forças poderosas que reluzem qual relâmpago na continuidade do trovão, cujo domínio está sob seu poder e tem na rocha firme o simbolismo imutável e inflexível da justiça, em cuja égide é invocado.
A sétima linha é caracterizada pela cor violeta e que corresponde a Tenda de Sant'Ana que representa o elemento velho e servil. É o período em que consciente de toda existência, mas já ocupando um corpo pronto, o indivíduo espera a libertação que virá com a morte. O Orixá correspondente é NANÃ. Este Orixá é considerado como a Senhora Suprema da Umbanda, também invocada como Nanã Buruquê; sendo Nanã carinhosamente chamada pelos adeptos de "Vovó da Umbanda".
E finalmente, temos a cor negra, correspondente a Tenda de São Lázaro. É a ausência da cor e da luz da vida. Zélio de Morais* explica que as cores branco e preto não fazem parte das sete linhas, pois o branco, que é a presença da luz, existe em todas elas e o negro, que é justamente a ausência da luz, está na falta delas. O Santo Católico São Lázaro é sincretizado com o Orixá OBALUAIÊ ou OMULU. Esse Orixá chefia a Falange dos mortos, mas não no sentido distante, de muito tempo... Por ser uma divindade ligada à Terra, procede à purificação material dos corpos, através de suas vibrações especiais. Silenciosas e melancólicas, essas vibrações ajudam a despir o envoltório grosseiro do físico sujeito às vicissitudes e à morte. Contribui assim, para o desenvolvimento do espírito na sua libertação do corpo carnal.
Com essas explanações foram geridas as Primeiras Tendas e formuladas as Linhas iniciais da Umbanda. Mas, apesar das mudanças, transformações e discussões o que realmente importa é a mediunidade e a missão de cada médium. Por isso, trabalhem bem, trabalhem na Lei!
Uma observação final que cabe aqui, é que a palavra "Tenda" a que se referia o Caboclo das Sete Encruzilhadas, diz respeito ao próprio médium, que abriga em si a missão de reunir outros em torno de si.
Atualmente, as Sete Linhas de Umbanda estão distribuídas consensualmente de uma maneira diferente da inicial... Porém, mantendo a mesma ética e princípios adotados pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas. Por isso, lembrem: "O começo é a base de tudo!"