quinta-feira, 10 de novembro de 2011

A força de um Ponto Riscado e de um Ponto Cantado.


Cada Casa possui suas particularidades ao abrir um Trabalho de Umbanda. Porém, em todos os Templos, sempre que se abre um trabalho, risca-se o Ponto para a firmeza do Trabalho, firma-se o Anjo de Guarda e cantam-se os Pontos de Abertura.

A ordem pode alterar de uma Tenda a outra... Em algumas, o Médium acende a vela para o seu Anjo de Guarda, bate seu Camatulê e entra na Corrente Mediúnica para o início dos Trabalhos. Em outras, o próprio Dirigente firma as velas e os Pontos Riscados, enquanto os Médiuns cantam os Pontos.
Numa abertura, os "Cambonos" defumam a todos os presentes, enquanto o Chefe do Terreiro ou o Atabaqueiro puxa o canto dos Pontos de cada Entidade, que deve incorporar e trabalhar durante a sessão.
Nesse processo, durante a abertura do Trabalho, a fluidificação e a energização do local já está ocorrendo... É nesse momento que a Limpeza Espiritual de todos os presentes começa... Por isso, a saudação dos Guias é tão necessária em um Trabalho de Umbanda.
Cantar o Ponto que representa o Orixá ou a Entidade que comanda o Trabalho do dia, energiza e equilibra a vibração dos Médiuns para o Passe Mediúnico, criando uma perfeita ligação entre o Guia Espiritual e o trabalhador.
O Ponto Riscado serve para purificar e fortalecer o local e a assistência. Por isso, se uma Entidade risca um Ponto durante um atendimento e nele coloca uma vela ou uma erva ou outro símbolo, ele está firmando a pessoa e emitindo uma ordem ao Plano Espiritual. Essa ordem pode ser para: quebrar uma demanda, alcançar um pedido, curar uma enfermidade ou solicitar auxílio.
Cantar ou riscar um Ponto ajuda na formação de ondas de energia, que atingirão a todos os presentes. Porque cada Ponto Riscado é um ponto de força que atua em determinada vibração.
Um Ponto Riscado utiliza determinados símbolos que indicam a Linha na qual a Falange atua. Cada símbolo possui um propósito dentro do Ponto Riscado e a posição do símbolo indica a atuação da Linha naquele momento.
Uma simples flecha pode apontar para inúmeras posições. Afinal, são 360 divisões (360º) dentro do círculo! E isso altera toda a energia do Ponto Riscado... Por exemplo: uma flecha apontando para o Alto firma Oxalá... Uma flecha apontando para baixo, firma Exu.
Além do que, existem os Pontos Complementares. Cada Ponto Complementar, muda totalmente o sentido (significado) do Ponto Riscado... Pois, ele acrescenta um novo Símbolo ao Ponto já existente, indicando o fortalecimento da Linha de Atuação.
Por isso, não há como responder um comentário que diz: por favor, como é o ponto riscado de "fulano de tal" ou de "sicrano"? Impossível... Pois, cada Guia Mensageiro possui seu próprio Ponto Riscado, simplesmente, porque ele é único.
Portanto, jamais deve-se cantar ou riscar Pontos por brincadeira, pois eles atuam na ligação do Médium com seu Guia Protetor. Um Ponto Riscado ou Cantado de forma equivocada, pode atuar ao contrário do que se espera e afastar o Mensageiro, em vez de aproximá-lo...
O Plano Espiritual sempre respeita a Lei do Livre Arbítrio e se o médium pede o afastamento de seu Protetor, ele respeita e se afasta. É como aquele ditado: "Cuidado com o que você pede, que você pode conseguir..."
Por isso, devemos ter respeito pela força de um Ponto Riscado e de um Ponto Cantado, pois eles atuam no chamamento, no direcionamento e no condicionamento do Guia, do Mensageiro ou do Mentor.

Como exemplo segue o Ponto Cantado da Cigana Claudia:
"Cigana vem do Oriente, vem aqui pra trabalhar...
Traz na mão uma estrela cadente e sua sorte vai contar. (2X)
Cigana vem e lê a mão, conte as coisas do coração.
Você pode me dizer, se eu consigo resolver? (2X)"

O Pai Zé de Aruanda quando vem no Terreiro canta assim:
"Nego Cambinda trabalha em Nagô.
Trabalha nas ordens de Nosso Senhor.
Nego Cambinda trabalha no Andor...
Servindo a Umbanda com muito Amor."

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Aruanda

A Morada dos Trabalhadores Espirituais da Umbanda.

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Aruanda é uma Cidade Etérica, localizada em um Plano Dimensional Superior, muito além das Fronteiras Espirituais. Esse distanciamento funciona como uma Barreira de Proteção contra os ataques diversos.
Essa necessidade de Proteção existe, porque todas as Entidades que se apresentam na Umbanda para trabalhar, moram na Colônia de Aruanda. Então, como toda e qualquer Cidade, Aruanda também precisa se defender...
Quando Aruanda iniciou seu trabalho de doutrinação e melhoramento espiritual, sua aparência era diferente do que é agora... No princípio, Aruanda possuía a aparência de uma Cidade de interior, com Vilas de Casas simples e Edifícios rústicos. 
Com o passar do tempo, o trabalho de Aruanda cresceu e o número de trabalhadores aumentou... Isso exigiu que inúmeras alterações fossem realizadas, para garantir a expansão de todo o local.
Agora, Aruanda mais parece uma Cidade Espacial, com edificações futuristas e todo o aparato necessário para a sua Proteção. Surgiram espaços novos, com o propósito de promover melhorias estruturais.
Entretanto, algumas características preliminares permanecem as mesmas, como: a Vila dos Pretos-velhos, a Aldeia dos Índios e o Acampamento Cigano. Esses lugares mantêm uma aparência singular, devido aos seus moradores.
Outros espaços foram readequados, por conta da expansão, como é o caso do Educandário Cosme e Damião e do Setor de Atendimento do Complexo Hospitalar... Dessa forma, Aruanda está sempre expandindo e se modificando para se readequar ao processo de Transição Planetária.
Por todos os lugares de Aruanda, é possível perceber uma enorme mistura de raças, de caracteres, de roupagens, de linguagens e de costumes. Em seu interior convivem Espíritos com Culturas bem diversas e que habitaram a Terra em épocas diferentes.
Todos esses Espíritos, convivendo em Aruanda, são Trabalhadores Espirituais abnegados, dispostos a se sacrificar pelo bem comum. Por isso, a Diversidade Racial, Cultural, Estrutural e Temporal é incrível!
Enfim, assim como seus Trabalhadores Espirituais, Aruanda se renova a cada dia, para acompanhar todas as Mudanças Planetárias!

terça-feira, 8 de novembro de 2011

As Sete Linhas da Umbanda:

... amarelorosaazul - verde - vermelho - marrom - violeta ...

Essa publicação é baseada na divisão proposta por Zélio Fernandino de Morais na criação das Primeiras Tendas de Umbanda e publicada por Diamantino Fernandes Trindade e Ronaldo Linares em estudos da Federação Espírita do Grande ABC Paulista.
Segundo Zélio, temos OXALÁ como Mestre Supremo da Umbanda Sagrada, representado pela cor branca, que indica pureza. O branco representa a Linha Suprema e a convergência de todas as cores.
E em seguida, temos as sete linhas, sendo:
- Primeira Linha: YANSÃ - cor amarelo claro (Tenda de Santa Bárbara);
- Segunda Linha: IBEJI - cor rosa (Tenda Cosme e Damião);
- Terceira Linha: IEMANJÁ (que compreende OXUM e OXUMARÉ também) - cor azul clara (Tendas que levaram o nome de Nossa Senhora);
- Quarta Linha: OXÓSSI (que compreende OSSANHA) - cor verde (Tenda São Sebastião);
- Quinta Linha: OGUN - cor vermelho (Tenda São Jorge);
- Sexta Linha: XANGÔ - cor marrom (Tenda São Gerônimo);
- Sétima Linha: NANÃ - cor violeta (Tenda Sant'Ana)...
E, por fim, a cor negra de OBALUAÊ (São Lázaro); que representa o luto dos Mortos. Dessa forma, na distribuição das Sete Linhas de Umbanda se observavam os Orixás: Yansã, Ibeji, Iemanjá, Oxóssi, Ogun, Xangô e Nanã. Oxalá é a Linha Mestra e Omulu é a Linha Neutra. Lembrando que Exu na Umbanda não ocupa uma Linha, mas uma classificação à parte...
Os CaboclosPretos-velhos e Erês são considerados os "Três Sustentáculos da Umbanda" ou Tríade Umbandista. Os Baianos, Boiadeiros e Cangaceiros são os Falangeiros responsáveis por "apaziguar os ânimos"... Os Marinheiros e "Encantados" (Sereias e Ninfas) são Entidades que atuam na "limpeza psíquica" dos Trabalhos. Os Cavaleiros de Oguns quebram demandas e defendem o Terreiro e seus filhos de ataques espirituais. Essas Entidades agrupam-se em Falanges que pertencem às Linhas, comandadas pelos Orixás.
Atualmente, a formação da Guia de Sete Linhas (colar de contas, ou de miçangas) a cor violeta cedeu lugar à cor branca.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Principais Datas Comemorativas da Umbanda.


- Zambi (Olorun) - sincretizado com Deus Pai, comemora-se no Dia de Pentecostes.
- Ifá (Orunmilá) - sincretizado com o Divino Espírito Santo, comemora-se em 31 de maio.
- Oxalufan - sincretizado com Nosso Senhor do Bonfim, comemora-se em janeiro ou na Páscoa.
- Oxalá - sincretizado com Jesus Cristo, comemora-se na Páscoa ou no Dia de Corpus Christi.
Oxaguian - sincretizado com o Menino Jesus, comemora-se no Natal.
- Xangô - sincretizado com São João BatistaSão PedroSão Jerônimo, etc, comemora-se nos dias 24 e 29 de junho e 30 de setembro.
- Ogun - sincretizado com São Jorge, comemora-se em 23 de abril.
- Oxóssi - sincretizado com São Sebastião, comemora-se em 20 de janeiro.
- Obaluaiê - sincretizado com São Lázaro, comemora-se em 17 de dezembro.
- Omulu - sincretizado com São Roque, comemora-se em 16 de agosto.
- Oxumaré - sincretizado com São Bartolomeu, comemora-se em 24 de agosto.
- Logun Edé - sincretizado com Santo Expedito, comemora-se em 19 de abril.
- Okô - sincretizado com Santo Isidoro, comemora-se em 15 de maio.
- Irokô - sincretizado com São Francisco de Assis, comemora-se em 04 de outubro.
- Ossãe - sincretizado com São Benedito, comemora-se em 05 de outubro.
- Ibeji (Erê, Cosminho) - sincretizado com São Cosme e São Damião, comemora-se em 26 e 27 de setembro.
- Exu - sincretizado com Santo Antônio de Pádua, comemora-se em 13 de junho. Em algumas Nações do Candomblé Exu é escravo de Orixá, e por isso não sincretiza com nenhum Santo.
- Nanã - sincretizada com Santa Ana, comemora-se em 26 de julho.
- Iemanjá - sincretizada com Nossa Senhora dos Navegantes, Nossa Senhora das CandeiasNossa Senhora da Assunção ou Nossa Senhora da Glória, comemora-se em 02 de fevereiro ou 15 de agosto.
- Oxum - sincretizada com Nossa Senhora de LourdesNossa Senhora Aparecida ou Nossa Senhora da Imaculada Conceição, comemora-se em 11 de fevereiro, 12 de outubro ou 08 de dezembro.
- Yansã (Iansã) - sincretizada com Santa Bárbara, comemora-se em 04 de dezembro.
- Oyá - sincretizada com Santa Catarina de Alexandria, comemora-se em 25 de novembro. Costuma também ser sincretizada com Santa Clara de Assis, celebrada em 11 de agosto.
- Obá - sincretizada com Santa Joana d'Arc, comemora-se em 30 de maio.
- Ewá - sincretizada com Nossa Senhora da Piedade, comemora-se em 15 de setembro. Em outros sincretismos ela está associada à Santa Luzia, celebrada em 13 de dezembro.
- Pombagira - sincretizada com Santa Maria Madalena, comemora-se em 22 de julho.


Observações:
* Existe bastante concordância entre algumas Festas e alguns Sincretismos. No entanto, existem algumas discordâncias relacionadas aos Orixás menos cultuados na Umbanda.
* Deve-se dar atenção especial ao Culto de Oxum e de Iemanjá, visto que as duas são sincretizadas com Maria, não importando a sua nomenclatura como "Nossa Senhora". Dependendo a região, a mesma Nossa Senhora pode ser tanto Oxum, quanto Iemanjá.
* Outrossim, aqui não analisamos as variações de regiões, como é o caso de São Jorge com São Sebastião (Rio de Janeiro e demais regiões). Nem, as variações de Nações, no caso de São Jorge com Santo Antônio (Umbanda e Candomblé). Bem como, sem análises para as Dijinas (Qualidades dos Orixás).
* O mesmo ocorre com os Orixás Femininos: Oxum e Iemanjá que possuem variações nas datas festivas, bem como no seu sincretismo individual. No entanto, como a Linha das Águas engloba todas as Mães Marias, todas as datas para Nossa Senhora, são válidas para essa Linha...
* No caso de Yansã e Oyá, ambas fazem parte da mesma Linha (das Mães e das Águas) e representam as mesmas características na Umbanda. Ou como o Orixá Ewá, que também está na Linha das Águas.
* A Umbanda realiza culto aberto ao público, enquanto o Candomblé realiza culto fechado... Somente em dias de Xirê (Festa do Orixá) o público pode comparecer na Roça de Candomblé.
* Lembrando que a Umbanda não realiza feitura de Orixá, mas desenvolve o médium durante as Giras do Terreiro. Se uma Casa de Umbanda realiza feitura de Orixá, ela deixa de ser Umbanda Pura e passa a ser de "Umbandomblé".
* Aqui nós separamos a maioria dos Orixás e seus sincretismos, como é o caso de Oxalá, Oxalufan e Oxaguian; contudo, na Umbanda, eles representam o mesmo Orixá "Oxalá".
* Poucos falam de Olorun (Zambi) em suas comemorações, mas Ele é o Supremo e nunca deve ser esquecido, muito menos desmerecido! Jamais esqueçamos que todos os dias pertencem à Ele!
* Uma última observação... Quando o sincretismo começou a ser adotado, algumas correlações eram diferentes daquelas adotadas atualmente... Hoje em dia, está mais "padronizado". Por isso, os Livros mais antigos podem trazer referências discordantes das atuais.

domingo, 6 de novembro de 2011

"Santo de Cabeça"


A palavra Orixá significa literalmente "Senhor da Cabeça" e, como tal, representa o Santo principal ao qual está ligado espiritualmente, toda pessoa que tenha missão. Ou seja, o "Santo de Cabeça" é uma expressão bastante significativa para o Filho de Santo.
Em relação ao Candomblé e à Umbanda, há uma nítida diferenciação no que se refere aos Orixás. Na Umbanda Sagrada, o Orixá atua em função da "vibração" na sua Linha de Comando. O qual influi diretamente nos Mensageiros Espirituais, que são os Guias... E estes incorporam no Médium para os Trabalhos a serem realizados.
Na dualidade "Santo-Orixá", há os que viveram e os que nunca tiveram passagens terrenas. Explicando: O Umbandista parte do princípio de que todo o Orixá é "Santo", mas nem todo Santo é um Orixá... Ou seja, todo Orixá é uma Entidade de Luz, portanto é Santo. Ao contrário, os Santos são espíritos de pessoas comuns que tiveram vida na Terra, mas evoluíram...
O sincretismo dos Orixás com os Santos, ocorre em virtude da Hierarquia Celestial e de acordo com as missões que estes desempenhavam na Terra. Para tanto, observa-se a similaridade de características entre o Orixá escolhido e o Santo que foi definido...
Quer dizer, os Orixás têm sido representados de forma perceptível aos nossos sentidos, simbolicamente, ou pertencendo a Linhas divisórias de vibrações, para o nosso melhor entendimento. Pois, a energia do Orixá é tão grande que é impossível expressá-la em palavras ou desenhos.
Como o Orixá age no Campo Astral, ele é imperceptível ao nosso conhecimento... Entretanto, cria-se uma imagem que permite que este seja cultuado, de maneira a haver um entendimento pela maioria. Da mesma maneira que os Anjos e Arcanjos, aos quais se atribui símbolos, cores e características litúrgicas, como forma de entrosamento entre o Ser Humano e o Plano Divino. 
Por isso, ao ingressar na Iniciação Religiosa (de qualquer Ordem), o iniciado busca galgar o Desenvolvimento Espiritual, através de Práticas Litúrgicas diversas, sempre em sintonia com o Código Sagrado da Hierarquia.
Na Umbanda temos a seguinte Hierarquia a seguir: Povo, Linha, Falange, Falangeiro e Trabalhador... O Orixá na Umbanda representa o Comando da Linha. A Falange representa a reunião de todos os Mensageiros da Linha, onde o Falangeiro é o Trabalhador Espiritual que se liga ao Médium para realizar o Trabalho Mediúnico.
Precisamos entender que o Santo que comanda a cabeça, comanda toda a Hierarquia do médium em questão, o qual define sua Linha de trabalho... Portanto, se temos Oxalá no comando, é evidente que o Caboclo Chefe de Falange deve ser de Oxalá, bem como, os seus Guias-auxiliares.
Enfim, é Olorun que permite ao homem, seja pelo uso instrumental ou material, possa este fixar o seu pensamento e sintonizar a sua fé... Mas, são seus Filhos que cuidam de sua Criação.

sábado, 5 de novembro de 2011

Camatulê


Camatulê (ou Camatuê) é o nome que dá à cabeça do médium depois que ele passou por Feitura. Ou seja, somente depois que o médium recebeu todos os preceitos e "desenvolveu", podemos dizer que ele possui "camatulê".
Antes do desenvolvimento, o médium possui "cabeça sem dono", quer dizer, sem uma Proteção específica... Mas, após o desenvolvimento, a cabeça do médium tem Dono!
A feitura funciona como um "apadrinhamento" e um fortalecimento de seus dons pessoais. Ou seja, a benção, a preparação e o procedimento representam a confirmação dos votos pessoais perante a missão assumida.
Basta dizer que, desde o Velho Testamento Bíblico, todos aqueles que possuem missão recebem uma "unção", que representa a confirmação daquilo que está programado para a sua vida.
Toda missão é definida especificamente, com o propósito de auxiliar a evolução do espírito... Por isso, todo o processo de desenvolvimento é como uma afirmação: "Sim, eu aceito cumprir minha missão!"
Quando o médium desenvolveu e aceitou sua missão, dizemos "bata a cabeça" para firmar o seu camatulê, que significa: confirme seu Axé, sua proteção e sua missão!
O ato de "bater cabeça" representa a confirmação do médium perante o Axé da Entidade, ou seja, a bênção do Guia Protetor.
O médium que desenvolveu tem um Responsável que zela dele, um Protetor Encarregado por fazer o médium "andar na Linha"...
O Guia Protetor Dono da Cabeça do Médium é chamado de "Pai de Cabeça" ou "Mãe de Cabeça". No Candomblé é o Orixá que assume a frente... Na Umbanda ele é definido pelo Chefe da Linha.
Aqui vamos evitar detalhar toda a Hierarquia Celestial e todo o Código Divino, bem como, o merecimento de cada um em pertencer a uma determinada Proteção.
Isso nada tem a ver com a proteção de Deus (Zambi/Olorun), porque o Criador é Pai de todos e protege a todos igualmente...
A Proteção da Cabeça refere-se a Linhagem Ancestral do médium, que assumiu o compromisso de cumprir a sua missão de vida, com todos os Guias e Mensageiros que lhe acompanham...
Por isso, existe a necessidade de "cobrir a cabeça", para que o Camatulê não fique exposto... Afinal, é no Camatulê do médium que está a sua ligação com toda a Espiritualidade Maior!

Obs: A palavra Camatuê também é aceita...

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Os trabalhos na Umbanda.

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Quando um médium entra para a Corrente Mediúnica de uma Casa, o primeiro passo é equilibrar sua energia e prepará-lo para o trabalho.
Isso se faz com os boris (banhos simples) e com os amacis (banhos mais completos). E se o médium necessitar de uma limpeza, ela também será realizada.
Os trabalhos ou despachos para o médium devem ser realizados de acordo com a necessidade de suas Entidades e de seu desenvolvimento. Se uma das Entidade pedir um agrado, cabe ao médium providenciar e cabe à Casa direcionar...
Enquanto na Umbanda se utilizam muitas velas, ervas, aromas e magias; no Candomblé segue-se todo um ritual de preparação da comida do Orixá, sua apresentação e oferenda. Portanto, é nisso que a Umbanda diferencia do Candomblé.
No entanto, se houver necessidade, durante a realização do passe mediúnico, podem ser realizados trabalhos para o médium ou para alguém da assistência... Desde que, esses trabalhos utilizem somente os materiais do local: velas, fumegos, descarregos, ervas, orações, pontos riscados, pontos cantados, etc.
É dessa forma que a Umbanda age, pois atende a necessidade imediata do atendido, utilizando-se dos meios disponíveis para auxiliar naquele exato momento.
Por isso, o que mantém uma Casa de Umbanda são os próprios médiuns e as doações recebidas. E todo o valor é direcionado para a compra de materiais necessários para a realização dos trabalhos. 
Os demais trabalhos são realizados sem a presença de uma assistência, para evitar a curiosidade alheia e a desinformação da plateia.
A Umbanda também realiza determinados trabalhos como no Candomblé, a fim de energizar e equilibrar determinadas situações.
No entanto, a forma como o trabalho é realizado diferencia de Nação para Nação, de Terreiro para Terreiro, e de uma Tenda à outra...
Existem trabalhos que funcionam como limpeza psíquica e espiritual; outros agem como firmeza; e existem, ainda, os trabalhos de feitura, também chamados de "Obrigação do Orixá".
Os trabalhos de "Obrigação" são realizados para firmar o "Santo" da pessoa e equilibrar sua mediunidade, para que ele possa trabalhar corretamente dentro do Terreiro.
Na Umbanda, os trabalhos, as obrigações e os despachos são realizados de uma forma totalmente diferente do que no Candomblé.
Muitos trabalhos exigem que se faça o despacho primeiro, porque é Exu quem recebe o primeiro agrado... Por isso, lembramos que fazer um trabalho, não é simplesmente fazer um "despacho", porque o único que pode ser despachado é Exu.
Em toda e qualquer situação existem as regras a serem seguidas, para que tudo aconteça dentro da Lei Cósmica e da Ordem Universal...
Todos nós devemos respeitar e seguir o que determina a Lei Maior... Pois, o que é de Umbanda é apenas de Umbanda. E cada Nação possui a sua Lei!
Quem usa o Código Sagrado da Umbanda para realizar trabalhos de prejuízo para o próximo, adquire um grande Kharma negativo, difícil de ser corrigido!

(*Despacho é um termo jurídico que define a resolução de uma autoridade, em relação a um requerimento ou petição a si dirigido, de modo a tornar o despacho deferido ou indeferido.)

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Significado da palavra UMBANDA.


A palavra Umbanda, segundo Cavalcanti Bandeira em sua grande obra "O QUE É UMBANDA", é originária da língua Quimbundo (Kimbundo), encontrada em muitos dialetos bantus, falados em Angola, Congo, Guiné e outros.
As palavras Umbanda e Quimbanda (Kimbanda) são palavras comuns na África. Às vezes são citadas como uma Nação poderosa, outras vezes, representam o Espírito dessa mesma Nação.
No livro "Império Ultramarino Português", editado em 1941, é citada a localidade de Mucajé-ia-Quimbanda, sob jurisdição da Arquidiocese de Luanda.
Uma possibilidade mais remota dá a origem dessa palavra no orientalismo iniciático, no qual o “mantra” AUMBHANDA, representa um alto significado esotérico como foi discutido no Primeiro Congresso Brasileiro de Espiritismo de Umbanda...
Em alguns cânticos religiosos Jejes Daomeanos na Bahia, pode-se ouvir perfeitamente a palavra Umbanda. Na gramática de Kimbundo, do professor Dr. Quintão encontramos: Umbanda – arte de curar (de Kimbanda – Curandeiro). Em muitos escritos antigos, a Umbanda vem de Angola e representa a arte da cura e da medicina antiga.
Algumas deformações linguísticas atuais no Brasil, atribuem ao feiticeiro o título de Quimbandeiro, que no país de origem, a África, é chamado de Muloji... 
Segundo Renato Ortiz, houve no Brasil um total abandono dos significados originais dos vocábulos Kimbanda e Umbanda.
Em sua origem participam valores de três culturas principais: a cultura branca europeia (Catolicismo e Kardecismo), a cultura negra africana (do elemento escravo) e a cultura vermelha ameríndia (índios nativos, que o branco tentou escravizar).
Concluímos, então, que a Umbanda é uma religião espírita, ritmada, ritualizada, de origem euro-afro-brasileira e indigenista. Porém, se analisarmos o vocábulo "um-banda" em yorubá teremos, simplesmente, o significado de "uma banda".
Deve ser por isso que a Umbanda separou-se da Kimbanda e ambas seguiram por caminhos divergentes, porém, convergentes... Já que Umbanda e Kimbanda se complementam em suas raízes.
Por fim, a Umbanda possui um significado tão amplo de conhecimentos tão vastos e categorizados, que fica difícil resumi-la em poucas palavras.


*Esse texto foi escrito com o auxílio de outras fontes. Esse material está disponível para baixar e serve como instrumento de apoio a todo médium que deseja se aprofundar...
- O que é Umbanda.pdf