segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Exu João Mulambo

É sabido que todo mendigo tem um protetor, principalmente se for um mendigo do bem, que não faz mal a ninguém... E esse protetor é o Senhor Exu João Mulambo!
O Senhor Exu João Mulambo possui uma história bastante peculiar, daquelas que se repete de tempos em tempos, sem a menor explicação... Como tantas histórias que existem por aí, essa história também é bastante particular e única.
João Kewê, como era conhecido em sua última vida, viveu muitas vidas com a mesma aparência e com a mesma missão... Por isso, as pessoas narram a sua história como se fosse a mesma, só que com datas e locais diferentes.
É possível a mesma pessoa aparecer em diferentes lugares, em diversas épocas? Pois é o que aconteceu com o Senhor Exu João Mulambo! Muitas pessoas juram já terem visto a mesma pessoa em vários lugares do Brasil, mas, em épocas diferentes da história!
João Mulambo viveu a sua primeira narrativa dessa história no século XVI, no Reino Daomeano dos Povos Ewes Fons. Ele era um influente Sacerdote Ancestral das Tribos Originárias Africanas. Nessa vida ele dedicou-se exclusivamente a seu Povo e morreu ali de causas naturais.
Mas, a sua próxima vida foi bastante diferente! Além de nascer em outro Continente, na sua vida subsequente, ele nasceu escravizado. Filho de pais daomeanos. Ao nascer ele foi batizado como João, mas seu nome africano era Kewê. Então, o chamavam de João Kewê.
João Kewê era um menino levado e ativo. Com sua pouca idade não conseguia entender nada da vida, nem do que acontecia (realmente) ao seu redor... Por isso, ele sorria muito e fazia os outros sorrirem! Para todos que viviam na Senzala, João era uma alegre distração.
Entretanto, quando completou seis anos de idade, João Kewê foi arrancado dos braços de sua mãe e vendido para outra Fazenda, em outro Estado. Ele nem sabia que lugar era aquele onde morava agora, nem o lugar de onde tinha sido retirado. Mas, a dor que sentia era como se não pertencesse a nenhum lugar!
Durante dez anos João Kewê trabalhou nas roças de cana-de-açúcar, algodão e café. Trabalhou sem nunca mais sorrir... Apenas abaixou a cabeça e trabalhou! Seu sorriso morreu no dia em que foi arrancado de sua mãe.
Aquele menino alegre e sorridente nunca mais existiu! João Kewê se tornou um rapaz alto, encorpado e arredio. Desconfiado, nunca mais esboçou qualquer reação. Aprendeu a esconder sua emoções e sua dor.
Com o tempo, aprendeu tudo o que tinha para aprender da lida na Fazenda e tornou-se indispensável para os Jagunços e Capatazes... Pois, era ele quem conseguia conter os ânimos exaltados de seu Povo.
Então, um dia, uma grande peste assolou a região e dizimou muita gente! Os donos da Fazendo morreram e seus filhos foram embora... Muitos escravos também morreram e a Fazenda foi abandonada! Quem conseguiu sobreviver, aproveitou para fugir e se libertar da escravidão. E é aqui que começa a verdadeira história de João Kewê...
Ao sair da Fazenda, João nem sabia qual era sua verdadeira idade ou o paradeiro de sua mãe, ele sabia apenas que queria andar e procurar... Então, começou a andar... Apenas andava e procurava...
Para não ser escravizado novamente, João andava escondido nas matas, e nas estradas usava uma espécie de capa com capuz. Para parecer branco, pintava seu rosto e suas mãos com argila branca, enquanto fingia ser um mendigo e andarilho.
Em suas andanças descobriu muitas coisas, conheceu muitos lugares e aprendeu a se ocultar dos outros. João andou muito... Andou tanto que, muitas vezes, parecia estar em outras terras, falando outros idiomas. João andou por mais de oitenta anos!
Em todos os lugares que passou João deixou uma história: alguém que ele ajudou, um conselho que inspirou, um exemplo que deixou... Quando perguntavam seu nome, ele respondia: "apenas João". Foi assim que João recebeu muitos nomes em seu caminho: João Andarilho, João Mendigo, João Mulambo...
João andou no Sul do Brasil e viveu um tempo nas Terras dos Pinheirais. Ele também andou no Norte do Brasil e viveu na Terra das Araras. João também esteve no Centro do Brasil, na Terra do Ouro. João também passou pela Terra do Coco e do Cacau e nas Terras das Florestas Tropicais. João Kewê não sabia, mas ele havia andado por todo Brasil e por toda América Latina.
Quando envelheceu, viu suas forças diminuírem, então precisou de um cajado para se apoiar e andar... Alguns dizem que quando ele tocava o chão com o cajado, a água brotava... O que muito não sabiam é que João tinha a capacidade de localizar nascentes d'água, porque João era um Plantador de Água.
E assim João viveu sua vida, até desaparecer ou se "encantar"... Ninguém sabe ao certo o que aconteceu com ele, como morreu ou onde terminou seus dias... João apenas se foi, sem deixar um fim.
Hoje em dia, João trabalha como Guardião de todos os andarilhos, mendigos e pessoas sem história. Pessoas que, assim como ele, apenas andam pelo Mundo em busca de pertencimento ou de sua própria história.
João Kewê atualmente é o Senhor Exu João Mulambo, um Guardião que trabalha neste Mundo protegendo os Mendigos, os Andarilhos e os Discriminados.

quinta-feira, 16 de julho de 2026

Relato Escrito de um Médium que se "encontrou" na Umbanda.

A Umbanda me ajudou a superar meus medos e meus conflitos. A Umbanda me deu um caminho e uma direção. Graças a Umbanda eu entendi quem eu sou e o que estou fazendo aqui. Se não fosse pela Umbanda, até hoje eu seria uma pessoa medrosa e encucada com as coisas.
Eu era uma criança assustada e apavorada. Ao mesmo tempo que eu era uma criança esperta pra muita coisa, pra outras eu tinha um medo absurdo! Isso porque eu via espíritos o tempo todo! Eu não só via, como ouvia também... Então, era bem complicado viver assim!
O problema maior é que minha família tinha preconceito com as coisas e nunca tentou entender o que acontecia comigo. Qualquer coisa, eu apanhava... Naquele tempo era normal levar surras por ser diferente. E eu era diferente, muito diferente. Então, apanhei muito! Até entender que eu não podia falar o que eu via e sentia... Demorei pra entender! Foi assim que calei... E me mantive calado, até sair de casa.
Quando eu me mudei pra outra cidade, pra trabalhar e estudar, eu conheci várias pessoas diferentes. Pessoas que, como eu, estavam buscando alguma coisa. Nessa busca, eu conheci uma senhora que comandava uma Casa de Culto às escondidas...
Eu comecei a frequentar a Casa dela juntamente com outras pessoas... No começo eu não entendia muito bem o que estava acontecendo mas, com o tempo, eu fui entendendo que se tratava de um Terreiro de Saravá.
Terreiro de Saravá ou Casa de Macumba, era assim que as pessoas se referiam aos Templos de Umbanda ou Kimbanda antigamente. A Casa das Benzedeiras e dos Curandeiros em geral, também eram chamadas de Lugar de Saravá ou Macumba.
Nesse lugar se praticava a Umbanda... Sabe aquela Umbanda Antiga, que trabalhava em um local fechado, longe dos olhos dos outros!? Pois é, foi essa Umbanda que me salvou e me ajudou... Me libertou de todos os meus medos e angústias!
Foi nessa Umbanda que eu entendi quem ou o que eu era... Foi ali que eu compreendi o que acontecia comigo e porque eu me sentia diferente de tanta gente! Foi naquele lugar que eu encontrei pessoas diferentes "assim" como eu...
Participando das reuniões daquela Casa eu obtive sinais e respostas, e muitas dúvidas que me perseguiram por muito tempo foram resolvidas. Eu agora sabia quem eu era e o que acontecia comigo. Eu não era uma pessoa louca ou pervertida! Que bom ;)
Agora eu podia estudar ou pesquisar sobre o assunto, porque eu sabia sobre o que procurar... Eu não era mais uma pessoa ignorante com relação aos acontecimentos estranhos! Agora eu podia buscar conhecimento e ter entendimento, porque a Umbanda me ajudou...
Hoje em dia, muitos praticam a Umbanda abertamente, sem medo! Outros ainda têm medo, porque ainda sofrem perseguição em algumas Comunidades. E também tem aqueles que praticam uma Umbanda diferente, meio misturada com outras Crenças ou Ideologias.
Enfim, não importa de qual Umbanda você faz parte, mas se você se sente acolhido assim como eu, então, a Umbanda também te ajudou! A Umbanda não só me ajudou, ela me salvou!!! Me salvou dos vícios, da depressão e da tentativa de suicídio. Se não fosse pela Umbanda, hoje eu não estaria aqui escrevendo essa Carta Aberta para vocês...

Axé... Gratidão!