segunda-feira, 25 de março de 2013

Os Caboclos que trabalham para as Mães!


Normalmente, na Linha das Águas, ouvimos falar muito das Caboclas, mas os Caboclos também são atuantes nessa linhagem. O que comanda a energia de vibração ou atuação de uma Entidade, e faz com ela represente um determinado Orixá, é a história de suas últimas vidas...
Se na última vida a Entidade cumpriu sua missão e desencarnou atuando junto das águas, seja no rio ou no mar ou outro manancial, como Trabalhador Espiritual ele manifestará essa energia nos seus pontos e nos demais símbolos... Essa afinidade com determinado elemento (terra, água, fogo ou ar) permite que a Entidade utilize a energia desse elemento com sabedoria. 
Entretanto, toda Entidade que trabalha na Umbanda possui uma vibração de energia mista; por isso, ela pode atuar em duas ou mais Linhas. Ou seja, um Caboclo da Linha das Águas também pode trabalhar para Oxalá, Ogun, Xangô ou Oxóssi.
Por exemplo... Um Caboclo Ventania pode trabalhar como um Caboclo de Oxóssi, mas também atua na energia das Mães. Uma Cabocla do Fogo, pode trabalhar com Yansã e com Xangô, ao mesmo tempo. Um Caboclo Beira-Mar, pode trabalhar na Linha das Águas e na Linha de Ogun. Um Caboclo Concha Branca pode trabalhar na Linha de Oxalá e de Iemanjá. E assim por diante...
Na verdade, todas as Entidades, sejam: Pretos-Velhos, Caboclos, Ibejis, Boiadeiros, Baianos, Ciganos, Exus ou Pombagiras, possuem a vibração/atuação em mais de uma Linha. Ou seja, sempre haverá uma Mãe e um Pai atuando sobre o médium.
Quando a Mãe (Orixá de Vibração Feminina) assume o camatulê do médium (Nanã, Yansã, Iemanjá ou Oxum), um Caboclo da Linhagem assumida comandará os trabalhos do desenvolvido. Quer dizer, a frente de trabalho desse médium será comandada pela Linha das Águas.
Nesse caso, a Entidade de frente nos trabalhos de Gira poderá ser um: Ogun Beira-Mar, Xangô Sete Cachoeiras, Caboclo Vitória-Régia, Caboclo Queda D'Água, Caboclo Tromba d'Água, Caboclo Pássaro Dourado, Caboclo Estrela D'Água, Caboclo Lagoa Dourada, Caboclo do Mangue, Caboclo Pescador, Caboclo Cobra d'Água, etc.
Trabalhar com a energia das Mães, faz com que os Caboclos e as Caboclas atuem com maior "complacência" e extrema sensibilidade nos atendimentos.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Ogun Sete Lanças

Aquele que perfurou Jesus com sua própria lança!


Na postagem de hoje, contaremos a história de um Mensageiro Espiritual que já é extremamente conhecido por muitas pessoas.
Ogun Sete Lanças era Longinus... Ele viveu no primeiro século e seria ele o centurião romano a ferir o lado direito de Jesus com a sua lança (Jo 19:34). Também deve-se a ele a revelação de que Jesus era realmente o Filho de Deus (Mateus 27:54; Marcos 15:39 e Lucas 23:47).
Conta a história, que a água que saiu do lado ferido de Jesus, respingou em seu rosto e ele, imediatamente, sarou de um sério problema de visão. Então, ele abandonou para sempre o exército e tornou-se um monge, percorrendo toda a Cesareia e a Capadócia, levando a palavra de Cristo.
Mais tarde, convertido como monge, promoveu prodígios pela graça do Espírito Santo. Entretanto, o governador de Cesareia, que estava irritado com a conversão de seu secretário particular, descobriu sua identidade de centurião e o denunciou a Pôncio Pilatos em Jerusalém.
Este, acusou Longinus de desertor e o condenou a morte, caso não pedisse redenção, renegando sua fé. Ele manteve-se fiel a Cristo e, com isso, foi torturado, tendo seus dentes arrancados e sua língua cortada; em seguida, foi decapitado...
Sua lança é reverenciada como uma relíquia religiosa e está a mostra em Viena na Áustria. Na Espanha e no Brasil ele é conhecido como "São Longinho" e aclamado como protetor para encontrar objetos perdidos.
Esse costume deve-se ao fato de que seus companheiros de mosteiro, sempre extraviavam seus objetos pessoais e Longinus os encontrava facilmente. Na Igreja Católica sua festa é celebrada no dia 15 de março... Pelas longas distâncias que precorreu, ele é conhecido como "São Longuinho".
Após sua morte, Longinus assumiu o nome de "Ogun Sete Lanças", pois foi convidado a trabalhar para o Evangelho de Jesus, ajudando a semear a religião Cristã no Planeta.
Como símbolo de sua devoção ao Mestre Jesus, Longinus carrega em seu corpo os estigmas de Cristo e em seu peito ele preserva o símbolo do Sagrado Coração de Jesus, para relembrar sempre a lança que perfurou o filho de Deus.
Em muitos momentos é possível vê-lo como Ogun, altivo e combatente e, em outros, como um Monge cabisbaixo procurando algo perdido... Enfim, feliz daquele que possui a sua proteção!

sexta-feira, 8 de março de 2013

Caboclo Junco Verde


Esse caboclo nos procurou e contou sua história, pedindo-nos sua divulgação. Mas, antes de relatar sua história, queremos esclarecer sobre a planta que originou seu nome...
O junco cresce abundantemente em regiões alagadas, como o Mar Mediterrâneo, o Nilo e o Amazonas. Na Amazônia o junco (Juncus effusus) é confundido com o cipó-titica (Heteropsis flexuosa) e no Nordeste, com o rattan ou vime.
Apesar de possuírem similaridades após a extração, as plantas pertencem a famílias diferentes da flora e possuem desenvolvimentos bem distintos.
Enquanto o junco cresce nos alagados, o cipó desenvolve-se em terra firme, nas florestas. Após a colheita, as fibras secas possuem semelhanças e, por isso, existe a confusão de nomes.
Como as plantas, em seu habitat são totalmente distintas entre si, torna-se necessário essa explicação para elucidar o porquê de seu nome. Esclarecido esse ponto vamos a sua história...
Esse índio nasceu na Região da Amazônia, no século XV, onde hoje dividem-se os Estados de Roraima e Amazonas, na Tribo dos Wapixana (do grupo Aruak). Eles eram a maior população indígena do norte do Brasil, um povo pacífico que evitava a guerra.
Durante séculos, sua tribo foi atacada diversas vezes por etnias de outras áreas, principalmente pelos Karibs. Para defender-se dos ataques, eles subiam nas árvores mais altas e lá permaneciam por dias. Possuíam muita agilidade para escalar cipós titicas e para ocultar-se dentro da água usando os juncos como esconderijo.
Desde criança ele gostava de se balançar nos cipós titicas e mergulhar no meio dos juncos dos alagados. A tribo dizia: "Esse menino parece um Nhun Peri-Bituva (junco verde), ora pendurado nas árvores, ora escondendo-se nos alagados." E assim, ele recebeu seu nome: Junco Verde (Nhum Peri Bituva).
Ele sabia trançar as fibras e fazer cordas, com as quais laçava os tatetos e os jacarés; era ágil para subir em árvores, armar redes e emboscadas. Quando sua tribo era atacada, ele usava o laço em armadilhas diversas para evitar a aproximação do inimigo.
E assim Junco Verde cresceu e tornou-se um exímio caçador e um grande guerreiro. Casou-se cedo com "Irupé" (que significa Vitória Régia na língua indígena). Ela era filha do Chefe da Tribo e eles tiveram três filhos - dois meninos e uma menina.
Nhum Peri Bituva e Irupé foram muito felizes por quase quinze anos. Mas, como nada dura para sempre, sua tribo foi surpreendida durante a madrugada por um grupo de índios desconhecidos para eles: os Astecas.
Os Astecas eram totalmente vorazes e organizados em suas empreitadas. Dominavam as tribos mais pacíficas, derrubavam tudo o que encontravam pelo caminho e escravizavam outros índios.
Irupé viu seu marido e seus filhos serem levados para serem oferecidos ao Deus Sol. Ela e sua filha pereceram em solo Wapixana, após serem brutalmente atacadas.
Durante a marcha para o Império do Sol dos Astecas, Nhum Peri conseguiu libertar seus filhos e ajudou-os a fugir para mata. Mas, seu sacrifício lhe custou a própria vida, pois foi ferido por uma lança e depois esquartejado.
Seus pedaços serviram de alimento aos cães que acompanhavam a procissão indígena. Os filhos de Junco Verde conseguiram embrenhar-se nas matas e foram acolhidos por uma tribo Maiongong.
No Plano Espiritual, Irupé, Nhum Peri Bituva e a filha, encontraram-se novamente, no Reino de Jurema. Juntos eles viram uma nova terra florescer e outros povos chegarem.
Os três tornaram-se acompanhantes espirituais dos índios que pereciam em combate contra a própria raça ou contra os homens brancos.
Muitos anos passaram... Irupé reencarnou na Europa para viver uma nova experiência. A filha renasceu em solo brasileiro e tornou-se uma das primeiras mulheres abolicionistas do Brasil.
Junco Verde permaneceu trabalhando na Jurema e auxiliando a Aruanda de todos os povos. Quando a Umbanda surgiu como religião, Junco Verde foi chamado a contribuir com seu conhecimento e sua dedicação.

terça-feira, 5 de março de 2013

Cigana da Estrada

Jazira nasceu em Constantinopla, atualmente reconhecida como Istambul, no ano de 934 d.C. (século X). Ela e sua família viviam em uma Tribo afastada da Capital.
Seu povo era descendente do Povo Persa e foram expulsos de suas terras após a conquista do Império. Eles eram chamados de Curdos (Kurti) pela grande maioria...
Toda a sua Etnia foi considerada apátrida após a expulsão das terras. Eles também foram perseguidos como pagãos, além de serem considerados praticantes de magia. Por isso, eram tidos como hereges.
Sem Pátria e sem apoio das lideranças do Governo Local, sua Tribo se tornou Nômade. Eles tiveram que viajar por várias regiões e tentar acolhimento em outros territórios.
Em muitos locais que passaram, nada conseguiram, até que chegaram na região da Anatólia... Foram meses de caminhada, por ser a pé e por haver muitas caravanas.
Nesse lugar encontraram um campo vasto, com poucos moradores e sem liderança local. Ali se fixaram e se estabeleceram...
Por um tempo poderiam ficar nesse lugar mas, depois, teriam que se deslocar novamente. Foram tempos difíceis! Haviam guerras territoriais por todos os lados... E a maioria do povo vivia assustado.
Para não se envolver nas disputas, nas batalha e nas sucessivas guerras, seu pai se dispunha a fugir...
O problema é que a região em que estavam, ficava no meio de uma disputa territorial. Mesmo assim, a Anatólia era um bom lugar, e puderam viver em segurança por um tempo significativo...
Como a sua Tribo era apátrida de dois mundos, eles não podiam viver na Europa e também não podiam viver na Turquia. Então, ficaram no meio do caminho.
Ali na Anatólia, Jazira cresceu e se desenvolveu... De sua avó herdou o Conhecimento Ancestral e o dom de curar... Aprendeu a lidar com ervas, poções e outras artes.
Em sua Tribo podia ajudar a todos que necessitavam, desde uma febre, até o parto de uma criança, ou a doença de uma pessoa idosa.
Foi uma época feliz e tranquila! Tão tranquila, que até esqueceram porque estavam ali naquela região. Infelizmente, nem tudo dura para sempre...
Então, numa noite fria, o acampamento foi atacado por ordem do Califa Regente... Todos foram mortos a golpe de espada! O acampamento foi incendiado... E nada mais restou de sua família. 
Jazira deixou seu corpo inerte e sem vida no chão e vagou com seu espírito... Era o ano de 956 d.C.. Ela vagou por décadas e depois séculos. Viveu como espírito livre vagando por muitas regiões... Viu toda a História se transformar!
Um dia, porém, seu espírito cansou de vagar... E ela quis saber onde estava. Viu uma luz diferente iluminado o caminho e a seguiu...
Chegou em um lugar cheio de outros espíritos de todo tipo... Perguntou onde estava para outro espírito que passava. Mas, ele não soube responder...
Então, de repente, todos os olhares se voltaram para a frente e eles perceberam uma plataforma... Um homem bem apessoado e bem vestido tomou o centro das atenções e falou:
"Reunimos vocês aqui, porque precisamos de trabalhadores abnegados e dedicados. Cada um de você possui uma História de Vida única... E como são espíritos que já cumpriram sua missão terrena, queremos que trabalhem conosco em uma nova Terra.
Aqui, onde vocês estão, chama-se Aruanda. Esse é um lugar de acolhida para Espíritos que, assim como vocês, também já cumpriram sua Missão de Vida.
O que nós precisamos é que vocês nos ajudem a ajudar outros espíritos encarnados nesse momento. Aqueles que aceitarem, por favor, me acompanhem..."
Nesse momento, o Palestrante se retirou e muitos o acompanharam... Inclusive, Jazira. Depois de um período de aprendizagem, Jazira tornou-se uma "Cigana da Estrada".
Por ter viajado muito em vida e em espírito, ela saberia conduzir seus protegidos e orientar seus assistidos.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Amarrações, Feitiços e Magia.

DIY Facial Steam: The New Ritual For Clear And Glowing Skin ...

Essa postagem é um pedido dos Mentores dessa Casa, para esclarecer dúvidas e elucidar sobre algumas questões.
A palavra magia é de origem Persa e representa todo o conhecimento do Universo Oculto repassado entre os Sábios e Filósofos da Antiguidade.
Para os Sábios, existe a Magia Branca e a Magia Negra. A Magia Branca causa benefício e respeita o livre-arbítrio individual. A Magia Negra causa malefícios e desrespeita o livre-arbítrio individual.
A Magia Branca está presente nas orações, nos bons pensamentos, nos passes magnéticos e mediúnicos, nas limpezas espirituais, nos banhos de ervas, etc.
A Magia Negra está representada nas amarrações, nos trabalhos para ferir ou derrubar alguém, nos maus pensamentos, nos desejos de vingança, nos feitiços perniciosos, entre outros.
Portanto, há uma distinção bastante grande entre a prática da Magia Branca e a prática da Magia Negra. 
As doenças sociais, causadas por inveja, ciúme, cobiça, soberba, orgulho, etc, fazem com que o Ser Humano busque satisfação em coisas efêmeras... E, para tanto, muitos querem possuir o que o outro possui!
Por isso, muitas pessoas, no desespero de serem amadas ou desejadas, destroem famílias e realizam todo o tipo de feitiço para obter a pessoa "desejada" ou o objeto de seu desejo.
É preciso entender que quem almeja o outro, não o ama de verdade. O verdadeiro amor é livre e respeita a individualidade de cada um...
Na ânsia de possuir aquilo que não lhe pertence, o indivíduo corrompe seus valores e cria laços infindáveis de dívidas Khármicas, destruindo a si mesmo e ao outro.
Com isso, atrai para si companhias trevosas de Espíritos Malignos, que lhe farão acreditar que pode ter o que deseja... Infelizmente, com essa atitude, a pessoa afasta seus Protetores Espirituais e seu Anjo de Guarda.
Como consequência, tudo começará a dar errado na vida dessa pessoa e ela dirá que é culpa dos "Guias Espirituais", pois ela era Umbandista e sua vida não melhorou... Ou então, a culpa é dos outros!
Dessa forma, temos os "maus" espiritualistas e os "maus" umbandistas, que denigrem a Religião com suas amarrações, seus feitiços e sua Magia Negra.
Aqui vamos esclarecer que existe a "amarração" e o adoçamento. Quer dizer, a amarração propriamente dita, não é o que chamam por aí... Ela é, na verdade, um Feitiço de Aprisionamento.
A amarração que a maioria pratica por aí é, na verdade, um "adoçamento". O adoçamento é um tipo de Magia Branca que usa: vela, flores, doces, perfumes, etc, e tem o poder de abrandar a outra pessoa.
O  Feitiço de Aprisionamento utiliza a Magia Negra e tem o poder de aprisionar, amarrar, conter, deter, prender, a vida da outra pessoa. E quem pratica esse Feitiço também fica preso...
O problema é que essas pessoas acreditam que os Espíritos são responsáveis pela vida de cada um... Ou seja, os Espíritos são os culpados pelo mal que ela mesma provocou... Na verdade, há somente um culpado: a própria pessoa! 
Precisamos entender que nós somos responsáveis por nós mesmos, por nossa evolução e pelos acontecimentos de nossa vida. Tudo o que fazemos reflete em nós, seja agora ou mais tarde.
Por isso, precisamos nos desapegar dessa ideia medíocre de que podemos "prender" alguém a nós. Nenhuma amarração é capaz de prender o outro!
Nossos Mensageiros e Mentores jamais nos prendem e jamais nos obrigam a nada. Apenas nos pedem que cumpramos nossa missão e que saibamos auxiliar o maior número de pessoas de maneira correta.
Por isso, se você quer amarrar, prender, enfeitiçar, manipular e destruir, faça isso sozinho e não use o nome da Umbanda. A Umbanda pratica a Magia Branca da Oração e da Cura!

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Vovô e Vovó Arruda

Esse preto-velho, que já nasceu escravo em uma fazenda de Goiás, viveu no século XVIII. Conheceu sua esposa na mesma fazenda.
Eles trabalhavam com o cultivo de café, cana-de-açúcar, batata doce, milho e ervas para temperos. João das Plantas e Maria das Flores (como eram conhecidos), sabiam como ninguém o cultivo da terra.
E assim viviam os dias, sem olhar o passado ou o futuro, vivendo apenas o presente. Casaram jovens e tiveram apenas dois filhos, pois Maria teve complicações no segundo parto e não conseguiu mais ter filhos.
Ela aprendeu a benzer e a curar aconselhada por sua avó, pois assim salvaria a vida da criança e a sua. João sabia as rezas de seus ancestrais e também começou a benzer...
Os dois sempre eram procurados pelos demais escravos por seus conhecimentos de plantas medicinais e orações de cura.
Os anos passaram e eles chegaram na velhice unidos e tranquilos. Tinham uma pequena casinha numa área da fazenda destinada aos escravos e lá plantavam diversas plantas para tempero, ornamento e cura.
Porém, a planta que mais crescia na frente da casinha modesta deles era a arruda, sempre viçosa e cheirosa.
Todos aqueles que se aproximavam podiam sentir o cheiro dessa planta e já se sentiam melhores. Quando a arruda florescia, quase toda a fazenda era tomada pelo seu cheiro. E assim, João e Maria passaram a ser chamados de "Vovô e Vovó Arruda".
Vovô João Arruda viveu até os 110 anos e recebeu sua carta de alforria um pouco antes de falecer. Vovó Maria Arruda viveu até os 89 anos, pois seus problemas de saúde agravaram-se com a idade.
Os dois ajudaram muitos negros e muitos brancos a vencer as doenças da carne e do espírito. Os brancos os procuravam escondidos na calada da noite por medo e por preconceito.
Mas, depois de muitas curas, eles passaram a ser queridos e respeitados por todos os moradores da redondeza. E assim se tornaram conhecidos o Vovô Arruda e a Vovó Arruda.


"Saravá Vovô Arruda, que com dificuldade caminha...
Alivia minha dor e me ensina o caminho,
que leva até Jesus, para eu encontrar a luz."

"Saravá Vovó Arruda, Saravá Vovó Arruda,
Vem benzer essa criança,
Pois preciso de sua ajuda...
Saravá Vovó Arruda, Saravá Vovó Arruda,
Me ensine a benzer, assim como você."

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

POVO - LINHA - FALANGE


De todos os assuntos discutidos na Umbanda, certamente o que mais provoca controvérsias, é oriundo das inúmeras linhas ou mais propriamente "pseudolinhas" de Umbanda, que via de regra, encontramos nos mais diferentes Terreiros.
Infelizmente, muitos umbandistas confundem as Sete Linhas Espirituais, com os Planos de Habitação Espiritual ou com as dimensões quânticas da matéria, acrescentando diversas classificações às Linhas, às Falanges e à própria Entidade.
Existem ainda os que consideram as mil e uma subdivisões existentes numa mesma Linha, como se fossem também uma Linha de Umbanda. Quer dizer, chamam as Falanges de Linhas! Os próprios médiuns confundem os termos "Linhas" e "Falanges" e transmitem falsas verdades aos demais...
Outro erro que ocorre muito, é que diversos Dirigentes enquadram determinadas Entidades de Nação à uma determinada Linha de Umbanda. Mas esquecem que, na verdade, eles são um Povo! Eles formam uma Nação, portanto são um Povo!
Um exemplo disso é o Povo Baiano, Povo Cigano, Povo do Oriente, Povo da Jurema, etc... A palavra "Povo" representa todas as Entidades que perderam suas terras, ou sua origem ou sua linguagem, e foram obrigados a viver de outra forma.
Eles pertencem a um "Povo", porque se identificam e se reúnem num mesmo propósito ou numa mesma missão. Para exemplificar melhor, podemos citar o Povo de Rua, que representa todos aqueles que viveram nas ruas; ou o Povo das Matas, que representa todos aqueles que viveram nas matas.
As pessoas confundem a definição "Povo" e "Linha" porque não entendem que uma Entidade que pertence à um determinado Povo, pode trabalhar em uma Linha e pertencer à uma Falange especificamente.
Para explicar melhor, vamos observar o Mundo de agora. Existem muitos estrangeiros vivendo em outros países, e por isso adquiriram nova nacionalidade... Entretanto, eles não deixaram de pertencer àquela Pátria, ou seja, àquele "Povo".
Quer dizer, a Pátria é a Nação ou o "Povo" que a Entidade representa. A "Linha" é a vibração ou a energia que a Entidade atua... E a "Falange" é o grupamento para o qual a Entidade trabalha.
Apenas lembrando que a Umbanda possui as Sete Linhas: OXALÁ, XANGÔ, OGUN, OXÓSSI, MÃES, ERÊS, ALMAS... Oxalá é a Paz. Xangô é a Justiça. Ogun é a Luta. Oxóssi é o Alimento. As Mães são a Proteção. Os Erês são o início, o novo. E as Almas são os antepassados (vida e morte; saúde e doença)...
O Povo representa a Nação da Entidade. A Linha define o campo de atuação de cada Entidade (Éter, Fogo, Metal, Vegetal, Água, Ar e Terra). E a Falange é o grupo para o qual a Entidade trabalha...

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Como Iemanjá cuidou de Obaluaiê?

Conta a Lenda que Nanã teve um filho com Oxalufan... E que ela andava desconfiada e nervosa com Ele. Como sua gravidez foi complicada, ela gerou um filho doentio, mirradinho e com aparência frágil. Não sabendo como cuidar do filho, levou-o para Iemanjá, que já era mãe de muitos filhos e tinha experiência no trato com crianças. Assim, Nanã deixou Obaluaiê nas cavernas à beira-mar, para que o mesmo fosse criado pela Mamãe Sereia.
Iemanjá cuidou de Obaluaiê com todo carinho. Ele cresceu, curou-se e saiu pelo mundo. Como Obaluaiê sempre viveu em uma caverna, ele nada conhecia do mundo. Por isso, com medo que sua aparência não agradasse aos demais, teceu uma roupa toda de palha da costa e enfeitou-a com búzios. Obaluaiê andou pelo mundo, morando em diversos lugares e aprendendo muitas coisas em suas andanças.
Em sua jornada, Obaluaiê conheceu todos os demais Orixás e com cada um deles adquiriu um conhecimento diferente. Assim, Obaluaiê andou com Exu pelas Estradas, lutou ao lado de Ogun nas Guerras, conviveu com Oxóssi nas Matas, visitou as Águas de Oxum, conheceu as Pedreiras de Xangô, encantou-se pela Justiça de Yansã, desvendou os Mistérios de Ifá, visitou o reino de Oxalá e foi rever sua mãe Nanã.
Nanã soube que o filho estava crescido e pensou que ele não a perdoaria. Um dia, levantou-se do seu leito à beira da Lagoa mais barrenta do Reino de Oyó, e deparou-se com Obaluaiê. Nanã estava triste e só, porque seus outros filhos tinham crescido e partido para reinos distantes. Obaluaiê abraçou a mãe e agradeceu-a por ter lhe deixado aos cuidados de Iemanjá. Graças ao amor de Iemanjá, ele estava curado.
Nanã ficou feliz por perceber a gratidão de seu filho e o convidou a morar com ela à Beira da Lagoa. Obaluaiê conviveu com Nanã por muito tempo e depois retornou ao Reino do Mar para reencontrar sua Mãe Iemanjá. A Sereia do Mar percebeu a mudança no filho... Então, presenteou-o com colares das pérolas mais brancas e das pérolas mais negras do fundo do mar.
Agora quem vê Obaluaiê, percebe Nele dois colares trançados de contas brancas e contas negras. Ele continua a usar sua roupa de palha da costa, mas já sabe que está curado. Por conta de todo o seu conhecimento, Olorun presentou-o com o Dom da Cura de todos os males da Terra e tornou-o um Orixá. Obaluaiê é agora o Protetor dos humanos contra todas as doenças e contra as misérias terrenas.

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domingo, 20 de janeiro de 2013

Os Caboclos de Oxóssi...


No dia 20 de janeiro comemoramos o Dia de São Sebastião, sincretizado com o Orixá Oxóssi. A Linha de Oxóssi, na cor verde, comanda todos os trabalhadores das Matas e possui muitas Entidades espirituais atuando nessa vibração.
Algumas dessas Entidades se tornaram mais conhecidas e são muito veneradas dentro da Umbanda Sagrada, como podemos citar: Caboclo Pena Branca, Caboclo Pena Verde, Caboclo Sete Penas, Caboclo Pena Dourada e que estão diretamente ligados às aves. A ave é um símbolo xamânico de redenção e elevação espiritual. Significa a "Grande Espiral Sagrada".
Mas, também existem outros Caboclos dessa linhagem: Caboclo Pena Azul, Caboclo Pena Roxa, Caboclo Pena Amarela, Caboclo Pena Vermelha, Caboclo Pena de Prata, Caboclo Pena Preta, Caboclo Pena Cinza, Caboclo Pena Carijó e Caboclo Pena Marrom.
Além dos Caboclos das Penas, temos os Caboclos das Plantas: Caboclo Sete Folhas, Caboclo Samambaia, Caboclo Folha Verde, Caboclo Junco Verde, Caboclo Serra Verde, Caboclo Guiné, Caboclo Arruda, Caboclo Tronco Verde, Caboclo Cipó, Caboclo Sucupira, Caboclo Ubatuba, Caboclo Seringal, Caboclo Mata Virgem, Caboclo Sete Matas e Caboclo Sete Ervas. Esses Caboclos são os mais conhecidos e atuam na vibração de cura pelas plantas. Eles são os Protetores Sagrados das Matas. Existem inúmeros Caboclos chamados de "Encantados" atuando na vibração das Matas e na Religião do Catimbó.
Outra linhagem de Caboclos que atua na Linha de Oxóssi, são os Caboclos das Cobras: Caboclo Cobra Verde, Caboclo Cobra Amarela, Caboclo Cobra Coral, Caboclo Cobra Branca, Caboclo Cobra Negra, Caboclo Cobra Sucuri, Caboclo Cobra Jiboia, Caboclo Cobra Urutu, Caboclo Cobra Cruzeiro e Caboclo Sete Cobras. A cobra no Xamanismo representa a busca por inspiração e sabedoria. E todo Caboclo dessa linhagem atua na Medicina da Alma, curando as mazelas do espírito.
A Linha de Oxóssi também possui os Caboclos caçadores e desbravadores, como: Caboclo Sete Flechas, Caboclo Flecheiro, Caboclo Arqueiro, Caboclo Capangueiro, Caboclo Caçador, Caboclo Atirador, Caboclo Laçador, Caboclo Arariboia, Caboclo Ubirajara, Caboclo Javali, Caboclo da Pantera, Caboclo Onça Pintada, Caboclo Águia Dourada, etc... E também os Caboclos que trabalham com Pajelança: Caboclo Feiticeiro, Caboclo Curimbeiro, Caboclo Mandingueiro, Caboclo Milongueiro, Caboclo Curupira, etc. Todos esses Caboclos auxiliaram no desenvolvimento e na evolução de sua Raça, pois foram os precursores em sua Tribo, no contato com novas Civilizações. Como Guias Espirituais eles atuam no despertar da consciência mediúnica.
Assim como existem os Caboclos de Oxóssi, também existem as Caboclas. Elas assumem nomes diferentes dos Caboclos porque viveram e vivem em uma Cultura onde o homem caça, pesca e sustenta, enquanto a mulher cuida das roupas, da comida e dos filhos. Poucas índias puderam se sobressair em seu meio. Mas, aquelas que lutaram deixaram seu nome na história.
Como exemplo de Caboclas de Oxóssi temos: Cabocla Jurema, Cabocla Juremeira, Cabocla Jupiacy, Cabocla Jupira, Cabocla Jacira, Cabocla Jupiara, Cabocla Jupissiara, Cabocla Pena Rosa, Cabocla Rosa Branca, Cabocla Serena, Cabocla Açucena, Cabocla Pássaro Azul, Cabocla Ipê, Cabocla dos Pinheirais, Cabocla do Sertão, Cabocla das Cobras, Cabocla Favo de Mel, etc. Muitas são Chefes de Falange e muitas trabalham em outras Falanges também, por isso, assumem nomes semelhantes aos Caboclos com quem trabalham.
Em nosso Blog procuramos publicar as histórias que nos são "ditadas" pelas Entidades e conforme Elas nos solicitam. As histórias dos Caboclos: Cobra Coral, Cobra Amarela, Capangueiro, bem como, das Caboclas: Jupira, Jupiara e Jupissiara já estão publicadas nesse site. Nas próximas postagens escreveremos sobre os Caboclos e Caboclas das outras Linhas. Okê Oxóssi! Okê Caboclo! Okê Bamboclinho! Okê Bamba O'clima! Okê Arô... Arolé Oxóssi!

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Sepé Tiaraju

Hoje, em homenagem ao Dia de São Sebastião, compartilhamos nesse Blog a história de "São Sepé" ou Sepé Tiaraju.
Sepé foi um índio tupi-guarani, que viveu em um Aldeamento Cristão, chamado Sete Povos das Missões, onde foi batizado com o nome de Joseph, após ficar órfão. Ele era inteligente, bom combatente e excelente estrategista. Falava perfeitamente seu idioma e os idiomas dos brancos.
Os jesuítas e os índios viviam em paz e harmonia na região, trabalhando juntos pelo progresso da terra. Espanhóis e portugueses lutavam para dominar o território gaúcho, que já possuía sua própria cultura e história. Os conquistadores tinham interesse na riqueza acumulada pelos nativos.
Através de tratados, espanhóis e portugueses trocaram os Sete Povos das Missões pela Colônia Sacramento, obrigando 50 mil índios cristãos e todos os jesuítas a abandonarem suas cidades, igrejas, lavouras e fazendas, onde criavam gado, equinos e outros animais.
Na época em que Portugal dominou o território rio-grandense, já havia nele uma população e uma cultura nativa da terra, denominada cultura gaúcha, principalmente na região da Campanha, onde hoje se encontra a fronteira com o Uruguai.
Tal população sofria com as guerras pelo território entre Portugal e Espanha, para as quais eram, muitas vezes, recrutados à força. Eles eram obrigados a deixar para trás tudo, inclusive, os túmulos de seus ancestrais.
Sepé Tiaraju pereceu em combate no dia 7 de fevereiro de 1756, contra o Exército Espanhol, na batalha de Caiboaté, às margens do córrego Sanga da Bica, na entrada da cidade de São Gabriel. Após sua morte 1500 índios guaranis foram massacrados e em poucos meses o sonho missionário acabou.
Por sua bravura foi considerado um santo popular e venerado pelos povos nativos e descendentes. Muitos escritores famosos lembraram de seus feitos em seus escritos, como Érico Veríssimo (no romance O Tempo e o Vento) e Basílio da Gama (no poema O Uruguay).
No dia 21 de setembro de 2009, foi publicada a Lei Federal 12.032/09, que traz em seu artigo 1º o texto "Em comemoração aos 250 (duzentos e cinquenta) anos da morte de Sepé Tiaraju, será inscrito no Livro dos Heróis da Pátria, que se encontra no Panteão da Liberdade e da Democracia, o nome de José Tiaraju, o Sepé Tiaraju, herói guarani missioneiro rio-grandense."
Aqui terminamos fazendo uma ressalva: vemos o Rio Grande do Sul sofrer com secas e falta de água, assim como o Nordeste. Quais eram as duas regiões mais prósperas do país na época da Colonização? E hoje são regiões onde o solo paga seu preço.
Após a morte de tantos índios (que a história quase esqueceu), o sonho missioneiro acabou, mas o povo gaúcho canonizou por conta própria Sepé. Como a Igreja Católica não canonizava índios nativos, o Povo do Sul o chamava carinhosamente de "São Sepé".