segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Eguns sem Luz

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"Eu sou um desses Eguns sem Luz que tanto falam por aí... Um Egun sem Luz é o mesmo que um Egun Esquecido ou um Egun Indigente. Pelo menos eu era até vocês lerem essa postagem. A partir desse momento, poderei ser um Egun Lembrado ou Egun com Luz.
Estou aqui para fazer algumas explanações, já que recebi permissão para isso. Egun, pra quem ainda não sabe, é o mesmo que Espírito de Antepassado ou Espírito Ancestral. E todos vocês têm um ou mais Eguns lhes acompanhando, porque todos vocês possuem parentes, amigos ou afetos falecidos. A Árvore Genealógica de vocês está cheia de Eguns perdidos, desaparecidos, esquecidos, lembrados, honrados, cultuados, apagados, ignorados, apaziguados ou revoltados.
E agora, sinto em lhes informar que um dia vocês também serão Eguns! Resta saber se vocês serão Eguns com Luz ou Eguns sem Luz. Porque tudo vai depender da maneira como vocês estão conduzindo as suas vidas nesse instante. E a maioria de vocês está fugindo da missão assumida... Dessa forma, será muito fácil tornar-se um Egun sem Luz esquecido.
Vocês ficam com medo dos Eguns. Tremem quando falam deles e pensam: "Nossa! Eguns! Que coisa horrível..." E imaginam uns monstros a perambular e a perturbar os outros. Pensam que Eguns são iguais a Zumbis. Primeiramente, Egun não perambula, porque Egun fica no Vale dos Mortos e não tem permissão para sair; a não ser que receba essa permissão. Então, ele deixa de ser Egun sem Luz e passa a ser um Egun com Luz, que é um Egun Lembrado. Ou seja, uma Alma que que está sempre presente e dando comunicação.
Agora, vou esclarecer um fato a vocês: quem obseda vocês são vocês mesmos! É isso mesmo. Ou é auto-obsessão ou pseudo-obsessão, como vocês dizem... Ou é um parente, ou amigo ou até um Guia, querendo chamar a atenção de vocês e acordá-los para a missão que vocês assumiram e não estão cumprindo. Portanto, despertem!
Outra coisa, nada acontece sem a permissão do Pai Maior, nada. Nem mesmo a possessão. É Bíblico. Leiam lá... Se até um "caído" precisa de permissão para fazer qualquer coisa, quanto mais um de nós que trabalhamos para Ele! Por isso, reflitam, quando um espírito começa a atazanar o juízo de outra pessoa, quem está por trás disso? O espírito? A pessoa? Só existe um Ser Maior que tudo no Universo, capaz de permitir que dois inimigos se esbarrem novamente... Esse Ser é Deus (Zambi)!
Até mesmo as maldades que muitos de vocês fazem e que vão pagar mais tarde... Aquelas que vocês usam para prejudicar os outros ou para amarrar alguém (usando os Nomes Sagrados e distorcendo os conhecimentos adquiridos); essas maldades são erradas e vão voltar para vocês, porque serão cobradas com a permissão do Pai Maior. Portanto, minha gente, tudo tem retorno, tudo mesmo!
Eu fui um morto indigente. Enterrado em cova rasa e esquecido. Fiquei dois séculos vagando nos Níveis Inferiores da Perdição. O que eu fiz? Meus pecados feriram os Dez Mandamentos da Lei de Deus. Vocês conhecem os Dez Mandamentos? Já ouviram falar deles? Em qual deles sua dívida é maior? Pense bem... Pois, será nele que seu espírito ficará preso e descerá ao Nível que o corresponde para pagar até esgotar!
Por isso, se vocês esqueceram de Deus, esqueceram da Lei do Retorno e esqueceram dos Dez mandamentos; está na hora de lembrar... Porque nunca é tarde para melhorar! Ainda é tempo de vocês cumprirem a verdadeira missão que lhes foi confiada, sem recorrer a recursos baixos e mesquinhos. Pensem bem: um Egun sem Luz é o mesmo que um Egun Indigente; um Ser abandonado nas trevas da ignorância, esquecido e menosprezado. Um Ser sem esperança de nada.
Somente quando alguém de vocês lembra de nós, quer dizer, reza por nós, voltamos a ter esperança. Se por acaso, um parente distante fica sabendo de nossa existência e decide nos auxiliar, sentimos o amor dessa pessoa e voltamos a ter fé. Cada vez vez que alguém recorda qualquer Ente Falecido, ele sobe um nível e volta a evoluir...
Então, se estamos a nos "corrigir" (depurar) no Terceiro Degrau Negativo ou Purgatório, evoluímos para o Degrau da Limpeza ou Purificação. Depois passamos para o degrau mais próximo de vocês, que é o Degrau do Alívio ou Limbo. Nesse Degrau ficamos aliviados por estarmos próximos da superfície; mas, observamos nossa conduta para entender que jamais devemos errar novamente. Abaixo do Terceiro Degrau Negativo, estão os piores degraus. Aquilo que vocês chamam de "Inferno"... E tudo só piora! Pode ter certeza.
Entenderam que existe o Limbo, o Purgatório, as Zonas Inferiores e o Inferno...? E muitos níveis e subníveis dividindo cada um deles? Por isso, minha gente, descer é fácil; o difícil é subir novamente! O Aiye está chacoalhando vocês. O Orun está evoluindo e tem pressa. Olorun está pedindo... Acordem!"

sábado, 2 de fevereiro de 2019

Pombagira Mirim dos Sete Mares


"Eu me chamo Anna. Ou me chamava, enquanto vivia... Hoje tenho outro nome, um nome que identifica meu trabalho. Eu trabalho a serviço da Mamãe Iemanjá e vivo nas profundezas oceânicas. Mas, minha aparência não é a de uma Sereia ou de uma Ninfa das Águas. Eu tenho a aparência de uma 'Deva' das Águas.
Quando eu estava encarnada (como vocês dizem), minha mãe e eu vivíamos no Cais do Porto de Valência, na Espanha. Minha mãe era uma cigana expatriada, porque ficou grávida de outro homem. O Povo Cigano já é considerado estrangeiro em qualquer Pátria. Então, não sei se vocês sabem, um cigano expatriado é um cigano sem Nação.
Para sobreviver e me criar, minha mãe teve que se prostituir no Cais do Porto. Foi uma vida dura... Quando eu estava com doze anos, minha mãe adoeceu gravemente. Então, para me poupar, ela tomou uma decisão e procurou o capitão de um navio mercante. Ela me entregou a ele...
A partir daquele momento, eu me tornei propriedade daquele homem. Ele me levou para o navio e me colocou em sua cabine. Saiu e voltou horas depois com algumas roupas e um pouco de comida.
O navio partiu no mesmo dia e eu nunca mais vi minha mãe. Durante três meses meu trabalho foi servir aquele homem, de todas as maneiras. No começo foi difícil, mas depois acostumei... Já estávamos em alto-mar e eu tive que aceitar minha nova vida. Quando ele se cansou, me entregou aos marujos e eles puderam se 'divertir' comigo. Nem todos eram asseados ou simpáticos. Muitos eram bastante brutos. A maioria nem se importava por eu ter apenas doze anos.
Quando os marinheiros não estavam me usando em serviços sexuais, eu trabalhava no navio em serviços diversos. Um dos meus serviços era ajudar o cozinheiro do navio, que me solicitava sempre que podia. E assim, se passaram dois anos e eu conheci a vida no mar...
Um dia, comecei a ter os mesmos sintomas que minha mãe tinha, quando estava doente. Eu entendi que ia morrer... Com o tempo me tornei um peso morto, pois deixei de ser útil ao navio. Então, me deixaram em um canto para morrer...
Eu morri. Os marujos enrolaram meu corpo num lençol, amarraram com cordas e jogaram ao mar. Era um costume marítimo, chamado de sepultamento no mar. Como eu era criança e servia ao navio tive esse privilégio. Muitos eram jogados de qualquer jeito e viravam comida de tubarão ou outros peixes.
Achei que minha história tinha acabado e que tudo tinha chegado ao fim, com a minha morte. Pensei que ia sentir os peixes me devorando, mas, acordei em um local encantado, parecia um sonho... Era na água e eu conseguia respirar! Haviam criaturas magníficas mergulhando de um lado a outro, como uma história mágica.
Com o tempo descobri e aprendi muitas coisas... Uma delas é que (nós) somos seres infinitos que vivem múltiplas existências em lugares, também, infinitos. Eu fui convidada pra morar, estudar e trabalhar nesse mesmo lugar em que eu estava. Então, pra mim, ali era o Paraíso!
Mais tarde, me disseram, que aquilo era uma Colônia Espiritual. Na hora, não entendi muito bem o que era isso, já que eu nunca tinha ouvido falar de Espiritualidade. Eu só sabia da existência de Deus, de Jesus e de Maria porque minha mãe me falou antes de morrer...
Eu recebi permissão para repassar a vocês o que me ensinaram e o que aprendi nesse tempo todo em que estou aqui... As Colônias Espirituais se localizam em 4 Reinos: Reino Aquático, Reino Terreno, Reino Intra-terreno e Reino Aéreo. Dentro desses Reinos estão distribuídos todos os trabalhadores espirituais, de acordo com a missão assumida por cada um deles.
O Reino Aquático localiza-se tanto onde existem mananciais de água doce, de água salgada, de água salobra, de água mineral ou de outras águas... Nele existem inúmeras Colônias, onde habitam seres bem diversificados. Um exemplo é o Povo das Águas e outro exemplo são os Elementais.
O Reino Terreno distribui-se por toda a extensão sobre a superfície das terras. Nele coexistem seres: encarnados e espirituais, elementais e encantados. Como exemplo, eu posso citar o Povo das Matas e vocês.
O Reino Intra-Terreno pode parecer desconhecido, mas vocês já ouviram falar muito dele... No interior de nosso Planeta existem inúmeros locais inexplorados, como cavernas, abismos, labirintos, fendas, etc. Nesses locais, existem Colônias que abrigam moradores dedicados a resgatar os menos favorecidos, das regiões mais densas e profundas dos planos inferiores.
O Reino Aéreo possui Colônias suspensas e flutuantes que sobrevoam nosso Planeta como se fossem observatórios constantes de nossas atividades. Nessas Colônias Aéreas, também coexistem seres diversos da Criação de Deus.
Ainda preciso explicar outra coisa, como nós dos Planos Inferiores nos organizamos e nos apresentamos para o trabalho. Usarei como exemplo a Linha das Águas e a Pombagira Rainha Maria Padilha, que possui sob seu comando as seguintes Falanges...
Pombagirinha Maria Padilha (em torno de 6 anos);
Pombagira Menina (dos sete aos doze anos);
Pombagira Mirim (dos treze aos vinte anos);
Pombagira Mulher (dos vinte e um aos sessenta anos);
Senhora Pombagira (mais de sessenta anos).
Os Exus seguem a mesma classificação e eu, também, vou usar como exemplo a Linha das Águas, já que trabalho nessa Linha. Por exemplo, o Exu Rei do Lodo comanda...
Exu Lodinho (em torno de 6 anos);
Exu Menino do Lodo (dos sete aos doze anos);
Exu Mirim do Lodo (dos treze aos vinte anos);
Exu do Lodo (dos vinte e um aos sessenta anos);
Senhor Exu do Lodo (mais de sessenta anos).
Agora, vocês sabem a idade daqueles que acompanham vocês e também podem perceber de que forma eles desencarnaram... Um Exu ou uma Pombagira jamais foi um Espírito 'pecador' ou errante. Nós jamais infringimos as Leis de Deus e jamais cometemos qualquer pecado capital.
Nossas vidas podem ter sido tortas pelas circunstâncias que se apresentaram mas, todos nós viemos com uma missão terrena bonita e iluminada. Fomos impedidos de cumprir o que estava determinado, devido a inúmeros acontecimentos... Porém, jamais perdemos nosso propósito da Alma e jamais nos desviamos do caminho de Deus.
Todo Exu e toda Pombagira, bem como, todo Guia Espiritual, só pode tornar-se um Falangeiro porque, acima de tudo, acredita em Deus, em Jesus e em Maria. Todos nós, trabalhadores de Umbanda, possuímos uma fé inabalável no Criador.
E, se por acaso, um Guia se apresentar e deixar de mencionar seu respeito e seu amor ao Nosso Senhor, por favor, duvide que ele é um Guia. Acredito que 'falei' demais e, por isso, me retiro, com a certeza de que cumpri mais um desígnio de minha missão. Obrigada a vocês que leram a minha história..."

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segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Os Exus nas Sete Linhas da Umbanda.

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SOBRE OS EXUS

Quando nos referimos a Exus, estamos nos referindo a Exus e Pombagiras (o masculino e o feminino), dentro das Sete Linhas de Trabalho da Umbanda Sagrada. O comando é sempre de Exu, por isso, ele aparece em primeiro lugar, como em uma hierarquia.
Exus são Entidades em evolução... Seu trabalho é dirigido, principalmente, para a defesa dos seus médiuns e do terreiro. Mas, também, são muito procurados para resolver problemas da vida sentimental e material. Esses Espíritos, assim como os Caboclos e os Pretos-velhos, são servidores dos Orixás. Por isso, não se deve confundir Exu de Umbanda com Exu de Nação de Candomblé. O Exu de Umbanda é um falangeiro.
Como conhecem tudo da vida mundana, são os Guias mais procurados para resolver problemas de ordem pessoal. Nos atendimentos, as pessoas sentem que Eles "compreendem" seus sentimentos, porque já passaram por algo semelhante. Um Exu é um excelente amigo. Por amigo, podemos dizer "Guardião". Então, Ele fará de tudo para proteger o médium. Mas, se for decepcionado ou ofendido, como um amigo ferido, saberá cobrar seu preço.
Em sua grande maioria, vivenciaram uma encarnação difícil, porque foram impedidos de cumprir sua missão terrena. Muitos tiveram que se submeter às adversidades da vida para sobreviver... Foram perseguidos e mortos, interrompendo a oportunidade que receberam da Espiritualidade Maior.
O que a grande maioria desconhece, é que Exu tem o privilégio de trabalhar como Socorrista nos Planos Inferiores, por conhecer as mazelas humanas. Ou seja, você pode ofendê-lo, discriminá-lo, maltratá-lo e até persegui-lo e, no final, quem irá te socorrer? Exu!
Em seus atendimentos, costumam trabalhar com velas, charutos, cigarros, bebidas fortes, punhais, etc. Seus pontos riscados costumam conter símbolos que identificam sua Linhagem, sua Falange e sua história. Os pontos cantados são uma entoada de lembranças do seu trabalho nos diversos locais de peregrinação. Exu gosta de gargalhar para espantar o mal.
As cores mais utilizadas por Exu são o preto e o vermelho. Preto porque representa o luto, a morte. Vermelho porque representa o sangue, a vida. Seu principal símbolo é o tridenteA ponta central representa o Equilíbrio entre o bem e o mal (neutralidade); a ponta da esquerda representa a negatividade que move o homem; e a ponta da direita representa o positivismo do mundo. As três pontas do tridente fazem referência à Santíssima Trindade.
Os Exus estão sempre de prontidão, em estado de alerta; para proteger e salvaguardar seus médiuns, seja no local de trabalho ou fora dele. Portanto, esses Espíritos abnegados trabalham dentro e fora da Gira. Eles protegem o Terreiro, Eles protegem o médium e, ainda, protegem os outros Guias!
Exu, enquanto encarnado, errou (é verdade) mas, todos nós erramos e, por conta disso, estamos aqui, trabalhando e nos recuperando... A diferença entre Exu e um "espírito caído" é que Exu jamais perdeu sua fé em Deus. A analogia equivocada e desvirtuada que se criou em torno da imagem de Exu, deve-se, principalmente, à ignorância das pessoas sem instrução e sem base de conhecimento histórico.

INCORPORAÇÃO DE EXUS E POMBAGIRAS

A Umbanda possui Três Grandes Pilares: Ibejis, Caboclos e Pretos-velhos, que representam a manifestação do Sagrado na vibração "amena" ou sutil. Durante as Sessões Públicas ou Giras os Exus também possuem três princípios básicos de apoio. São eles:
Estrada: é o início da missão;
- Encruzilhada: é o meio do caminho;
- Cemitério: é o fim da jornada.
Um Exu ou Pombagira da Estrada, de qualquer Linha, atenderá com maior desenvoltura e fará de tudo para atender um pedido. Eles estão por toda parte e se ocupam de todas as demandas. Os Exus e Pombagiras das Encruzilhadas são os mais compenetrados em seus atendimentos e procuram agir com cautela em cada solicitação. Os Exus e Pombagiras do Cemitério comparecem com menos frequência aos atendimentos, porque sua ação está mais voltada para o desenlace da matéria.
Antes da incorporação, tanto o Exu, quanto a Pombagira, mandam um sinal para o médium... Ou seja, o aparelho ("cavalo" ou "burro" - como eles próprios costumam chamar) sente arrepios, calafrios ou sacolejos pelo corpo.
A energia de um Exu envolve o médium como um redemoinho, devido a densidade do mundo em que habita. Então, quando Ele incorpora, sua energia "envolve" o médium pesadamente e completamente. Mesmo o médium consciente sente esses eflúvios tomarem conta do ambiente e do trabalho. Essas manifestações são próprias do princípio transformador da vibração mais densa.
Cada Exu e cada Pombagira possui suas particularidades durante a incorporação; porém, normalmente, a incorporação ocorre com uma dança e uma gargalhada. A dança representa o contato do espírito com a matéria e a gargalhada é a saudação do falangeiro.

DISTRIBUIÇÃO

Assim como todas as demais Entidades, os Exus e as Pombagiras, distribuem-se nas Sete Linhas:
LINHA DE OXALÁ - Exu Rei das Sete Encruzilhadas; Exu Sete Capas; Exu Sete Pembas; etc.
LINHA DAS SENHORAS (DAS ÁGUAS) - Pombagira Maria PadilhaPombagira Maria Quitéria; Pombagira Maria Mulambo; etc.
LINHA DE XANGÔ - Exu Giramundo; Exu Porteira; Exu Pedreira; etc.
LINHA DE OGUN - Exu Tranca-Ruas; Exu Tranca-Gira; Exu Rompe-Trilhos; etc.
LINHA DE OXÓSSI - Exu Marabô; Exu das Matas; Exu Caçador; Exu Cobra; etc.
LINHA DE OMULU (YORIMÁ) - Exu Tata Caveira; Exu Catatumba; Exu Cruzeiro; etc.
LINHA DE IBEJI (YORI) - Exu Tiriri; Exu Lalu; Exu Manguinho; etc.
Aqui citamos apenas alguns exemplos... Mas, são milhares de Entidades agrupadas nos Três Princípios Básicos da Umbanda e distribuídas nas Sete Linhas.
Toda Entidade trabalha amparada em sua Linha de vibração, atuando em mais de uma Linha...
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quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Os Sacramentos e os Preceitos na Umbanda.

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OS PRECEITOS DE DESENVOLVIMENTO NA UMBANDA

Os Preceitos da Umbanda seguem uma ritualística diferente do Candomblé e de suas Nações. Ao fundar a Umbanda, Zélio Fernandino de Morais quis garantir o acesso de todos ao trabalho espiritual.
Ele buscou simplificar na prática o desenvolvimento mediúnico, para que qualquer pessoa (ou Entidade) pudesse trabalhar... Dessa forma, surgiram as "Giras de Umbanda", que possibilitam o desenvolvimento de vários médiuns ao mesmo tempo. Através da Gira, o médium mais preparado começa a manifestar os sinais de seus dons, em meio aos demais...
Cada médium é colocado ao centro da roda e "girado", até sentir a vibração da Entidade sobre seu corpo e manifestar os sinais de sua aproximação. Quanto mais forte a ligação entre o médium e o falangeiro, mais facilmente ocorrerá a incorporação.
A Gira traz à tona as características que são consideradas "tríplices" nas manifestações incorporativas. Elas ficam evidentes e se externam, através de:
- flexões fisionômicas, vocais e psíquicas;
- pontos cantados ou preces proferidas;
- sinais riscados em pontos de pemba.
Essas características são inalteráveis em qualquer aparelho, seja ele inconsciente (totalmente dirigido) ou semi-consciente (parcialmente dirigido).
Aqui fazemos uma ressalva: Um médium verdadeiro jamais deve expressar preferência por esse ou por aquele Orixá, ou dizer: "Gosto mais da Entidade tal"... Visto que médium significa mediador, ou seja, é por seu intermédio que os diversos Espíritos Guias se apresentam para o trabalho espiritual. Portanto, ele nunca deve preferir mais um do que outro. Quem age dessa maneira está, na verdade, indo contra a Lei Maior que rege a Umbanda.

OS SACRAMENTOS NA UMBANDA SAGRADA

A Umbanda trabalha com alguns sacramentos que são parecidos com a Igreja Católica e que são: batismo, casamento e funeral.
O casamento é realizado pelo Guia Chefe da Casa ou pelo Sacerdote responsável pelo Templo. Qualquer um que deseje casar-se na Umbanda pode pedir este sacramento. Ou seja, tanto os médiuns que frequentam a Casa, quanto seus participantes, podem casar-se num Ritual Religioso Umbandista. Um Casamento Umbandista pode ser realizado no próprio Templo ou em um local escolhido pelos noivos. Após a cerimônia, a documentação é expedida pelo Terreiro e assinada pelo seu responsável.
O funeral é realizado sempre pelo Guia Chefe do Terreiro e pode ser proferido a qualquer um que solicitar sua presença e sua benção. Devemos lembrar que toda a ritualística deve seguir as leis que regem todo sepultamento religioso. A documentação, nesse caso, será expedida pelos órgãos vigentes. Caso o falecido ocupe cargo dentro do Terreiro, o corpo deve receber as homenagens e seguir os preceitos, primeiramente, no próprio Templo e, em seguida, conforme o desejo de seus familiares.
O batismo é realizado sempre pelo Guia Chefe do Terreiro, a todo aquele que desejar firmar seu compromisso como umbandista. Os demais sacramentos pertencentes a Umbanda, são referentes aos graus de desenvolvimento do médium dentro da Casa. São eles: amaci, confirmação, feitura, recolhimento e coroação.
- Amaci: diferente do bori, o amaci é o ritual de lavagem da cabeça do médium já confirmado; com ervas selecionadas e preparadas devidamente...
- Confirmação: ritual de apresentação do médium ao Templo.
- Feitura: procedimento que envolve diversos rituais de: limpeza, banhos, boris e ofertas, para fortalecimento da mediunidade.
- Recolhimento: consiste no processo de repouso do médium, durante um período que pode variar de 7 a 21 dias e que ocorre em diferentes épocas de seu desenvolvimento.
- Coroação: processo que confirma o médium-zelador de um Terreiro.
Todos esses rituais são realizados pelo Chefe do Congá (Zelador do Terreiro) e acompanhados por um Pai Pequeno ou Mãe Pequena. Após todos os processos e, estando apto a exercer suas funções, o médium assumirá o cargo que for determinado.

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quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

O ternário e o setenário na Umbanda Sagrada.

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A Umbanda segue a Lei Maior, regida pelos princípios e pelas regras, em harmonia com a vontade de Deus e em concordância com a manifestação da Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo). Regras e princípios são adotados quando queremos seguir os ensinamentos fundamentais da fé. Através da fé verdadeira, um indivíduo desenvolve suas virtudes... As três formas que expressam essas virtudes dentro da Umbanda Sagrada, são: as Crianças, os Caboclos e os Pretos-velhos. Elas simbolizam:
- A pureza, que nega o vício, o egoísmo e a ambição;
- A simplicidade, que é o oposto da vaidade, do luxo e da ostentação;
- A humildade, que é contrária a presunção, ao orgulho e ao descaso.
O Universo é tríplice e podemos verificar isso em vários exemplos:
- a Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo);
- céus, terras e águas (as três extensões do planeta);
- o corpo, a alma e o espírito (a tríade que forma o homem);
- Crianças, Caboclos e Pretos-velhos (o ternário da Umbanda).
Poucos sabem que essas três representações são a expressão perfeita da fé em Deus, porque traduzem:
- o Princípio ou o Nascer (inocência);
- o Meio ou a Plenitude da Força (vigor);
- a Velhice ou o Descanso (consciência).
A força do número Três representa Deus e está presente em todos os cultos da Terra. Por exemplo: na Índia com Brahma, Vishnu e Shiva; no Egito com OsírisÍsis e Hórus; na Pérsia com Ormuzd, Ahriman e Mainyu; na Escandinávia com OdinVili e Wiho; na Gália com CernunnosBrigith e Cerridwen; entre outros... A Sagrada Família é uma representação ternária.
O número sete expressa a Criação com todas as suas obras e está presente em nosso cotidiano de várias formas:
- Sete são os dias da semana;
- Sete Arcanjos servem a Deus;
- Sete são os Sacramentos Sagrados;
- Sete são os dons do Espírito Santo;
Em todos os trabalhos de Umbanda observam-se sinais e símbolos que confirmam a presença dos números três e sete. Nós mesmos, expressamos a existência desses números em nossa constituição sagrada. Somos formados de corpo, alma e espírito (uma tríade) e possuímos sete chakras principais em nossa estrutura física (setenário).
Portanto, a Umbanda obedece uma Lei Maior na apresentação de suas Entidades, com a representação da Santíssima Trindade em suas incorporações (ternário) e dos Falangeiros em suas atividades (setenário).
O número três é sagrado e está presente em todo o Universo. Assim, como é sagrado o número sete. Tanto o número três, quanto o número sete, estão presentes em todo trabalho de Umbanda.

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segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

As Entidades na Umbanda.

Todos nós expressamos aquilo que aprendemos através de sucessivas encarnações. Aos poucos nós evoluímos e adquirimos conhecimento sobre nós mesmos. E quanto mais aprendemos, mais evoluímos!
Essa evolução é visível em nosso Espírito... Por conta disso, os Médiuns Clarividentes conseguem visualizar características que expressam o quanto evoluímos e o quanto necessitamos evoluir...
Quando estamos encarnados, trazemos características de outras vidas. Quando estamos desencarnados, expressamos essas características em nossa roupagem fluídica. É como uma identidade pessoal, que carregamos, para que sejamos reconhecidos por nossos entes queridos.
Esse reconhecimento é entendido como "afinidade". A afinidade se expressa continuamente em nossa vida. Ela está presente, até mesmo, na nossa missão pessoal. Essa missão que trazemos, é como um roteiro a ser seguido, passo a passo... Cada passo representa uma etapa vencida para podermos seguir adiante.
A nossa Alma, ou seja, o nosso Eu Real, jamais revelou, nem revelará, a sua verdadeira essência ou "aparência". Ela exprime a sua consciência através do livre-arbítrio, que é uma condição exercida pelo espírito encarnado através de um corpo físico.
O corpo físico, após seu nascimento e através de sua família, passa a pertencer a uma Pátria. O Espírito, porém, não possui Pátria; quanto mais a sua Alma, que pertence ao Criador e ao Universo.
Ele pode, no entanto, carregar (conservar) em si os caracteres psíquicos de diferentes Pátrias ou de diversos renascimentos, expressando essa característica durante a sua manifestação (incorporação).
O conjunto desses caracteres experimentais contribuem para formar nossa personalidade: moral, mental e emocional. Por isso, quando encarnamos, eles influenciam, decisivamente, na forma de nossos corpos.
Ao nos elevarmos espiritualmente, nossa condição pode purificar-se e anular completamente os caracteres pessoais de qualquer encarnação. O corpo "astral" poderá assumir uma forma etérica, que apagará toda a aparência que nos caracterizou durante toda a passagem pelo mundo da forma humana.
Os trabalhadores espirituais da Umbanda ainda mantém a aparência fluídica dos traços humanos. Eles conservam a vestimenta carnal no aspecto espiritual, para serem compreendidos quando contarem a sua história.
Muitos Guias Espirituais já cumpriram a sua Missão de Vida e concluíram o Processo Khármico Evolutivo; eles, porém, decidem permanecer por amor àqueles que ficaram... Dessa forma, eles assumem muito mais o papel de Guias Protetores, do que de meros Trabalhadores Espirituais.
Por isso, muitas Entidades, ao se apresentarem ao Médium pela primeira vez, fazem um esforço extremo para que este cumpra a sua Missão de Vida. Por amor ao Médium, realizam diversas ações para chamar a sua atenção...
Com o passar do tempo, tanto o Médium, quanto o Guia, entram em sintonia plena, e podem, enfim, trabalhar... E assim, o Trabalho Mediúnico se realiza e ambos evoluem!

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sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Os trabalhos desenvolvidos na Umbanda.

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Quando Zélio de Morais* iniciou seu trabalho espiritual e definiu as Tendas para o atendimento, ele também consagrou essas Casas para um determinado Santo e escolheu uma Linha de atuação.
Muitos Umbandistas desconhecem o verdadeiro significado das "Sete Linhas da Umbanda". A escolha de cada Linha se baseou nos Dons do Espírito Santo. Cada Tenda (Casa) foi consagrado a um determinado dom, com sua cor característica (manifestação) e um Santo Católico para representar essa expressão.


A Umbanda trabalha com sessões públicas abertas, onde os Espíritos Guias incorporam em Médiuns preparados para atender aqueles que os procuram... Através de aconselhamentos e direcionamentos, as Entidades promovem a cura e o bem estar físico e espiritual dos atendidos.
A Umbanda desenvolve seus Médiuns para trabalhar com Espíritos Guias, também chamados de Falangeiros. Os Falangeiros são as Entidades que trabalham para os Orixás nas Giras de Umbanda. É conhecida por "Gira" porque o desenvolvimento mediúnico ocorre dentro de uma Roda de Santo.
As Falanges são agrupamentos de espíritos afins que possuem a mesma vibração. São elas: Pretos-velhos, Caboclos e Crianças - que são os Três Pilares Principais da Umbanda, na visão de Zélio de Moraes. Mas, também temos: Boiadeiros, Ciganos, Orientais, Mestres, Exus e Pombagiras. Todos esses Guias trabalham na cura, na proteção e no amparo do atendimentos realizado.

SOBRE OS CABOCLOS

São Entidades Espirituais que já habitaram as Américas, a África, a Austrália ou outros lugares com População Indígena. Eles atuam na caridade, como verdadeiros conselheiros, ensinando o Amor ao Próximo e à Natureza. São Espíritos que tem como missão principal o fortalecimento da espiritualidade e o encorajamento da fé. Eles utilizam em seus trabalhos ervas, que são passadas para banhos de limpeza ou chás de infusão. Ajudam na vida material com trabalhos de magia positiva, limpando a aura e proporcionando uma força energética que poderá auxiliar na conquista dos objetivos.
Os Caboclos, assim como os Pretos-velhos, possuem grande elevação espiritual e trabalham incorporados a seus médiuns, dando passes e consultas. São subordinados aos Orixás, que lhes concede a energia necessária para a realização do trabalho. Quando nos referimos à personalidade de um Caboclo ou de qualquer outro Guia, estamos falando de sua forma de trabalho. Eles costumam usar durante as Giras os penachos ou outros símbolos indígenas, que relembram as suas origens. Eles mostram através de suas danças a energia da Natureza. Falam de maneira rústica, como forma de expressar a origem primitiva do ser... Seus brados fazem parte de uma linguagem comum de comunicação entre as Tribos e muitos gestos representam uma espécie de "senha" entre eles.
São, geralmente, espíritos de Civilizações Primitivas, tais como: Incas, Maias, Astecas e afins. Foram espíritos de terras recém-formadas ou descobertas. Eles formaram Sociedades com perfeita organização estrutural (tribos e aldeias). Tudo era preparado por eles, desde os seus utensílios, até o cultivo da lavoura, até a moradia, ou a caça e a pesca. Como foram "primitivos", conhecem bem a terra e tudo o que está relacionado à Natureza. Assim, os Caboclos são os melhores Guias para ensinar a importância das ervas e dos alimentos.
Os Caboclos de Umbanda são Entidades, que através da sua simplicidade passam credibilidade e confiança a todos. Seus pontos riscados representam a Grafia Sagrada dos Orixás e expressam a grandiosidade dos símbolos da Natureza. Nos seus trabalhos de Magia Branca costumam usar pembas, velas, essências, flores, ervas, frutas, charutos, incensos e bebidas naturais... Todo esse material é disposto sobre a mandala ou ponto riscado, que representa sua Linha ou Falange. O propósito dessa função é direcionar e dar energia ao trabalho realizado.
Quando fazemos um trabalho para uma Entidade e colocamos algum prato de comida, como por exemplo: espigas de milho cozidas regadas com mel; essa comida não é para o Caboclo... Espíritos não precisam de comida. O alimento, nesse caso, serve como alimento espiritual, isto é, a energia que emana daquela comida será transmutada e utilizada no trabalho de magia a favor do consulente. Da mesma forma, o charuto que a Entidade fuma em alguma ocasião, é usado para a limpeza do consulente através da fumaça e da emanação dos cantos e pontos.
Os chamados "passes de Umbanda" se utilizam de todos esses rituais para limpar a aura dos participantes e purificar o ambiente de trabalho. Por conta disso, muitas vezes, a Umbanda é criticada e chamada de "baixo" Espiritismo, porque os Guias fumam ou bebem em alguma ocasião. Quando uma Entidade usa o fumo ou a bebida no atendimento, não é para ela que está usando, mas para o próprio consulente, que precisa se purificar de alguma energia mais densa e terrena.
De acordo com a sua apresentação podemos ter a "origem" do Caboclo:
Caboclos da Mata - viveram em contato com a Mata e a Civilização; ou seja, viveram de forma rústica, mas, conheceram o homem branco. Podemos citar aqui os índios que tiveram contato com os Jesuítas ou aqueles que trabalharam para os Bandeirantes.
Caboclos da Mata Virgem - esses viveram totalmente interiorizados na Mata, sem contato com o homem branco ou com qualquer outro aspecto da Civilização.
Torna-se de grande importância conhecermos esses detalhes, para sabermos porque alguns falam mais explicados que outros. Mas, temos ainda, as particularidades de cada um, que nos permitem diferenciar as Linhas e as Falanges. A primeira, é a "especialidade" que cada um trouxe de sua última existência. São elas: curandeiros, rezadeiros, guerreiros, agricultores, coletores, caçadores, pescadores, artesões, etc. A segunda, é a diferença criada pela "força da Natureza" que os rege e representa a energia do Orixá regente.

SOBRE OS PRETOS-VELHOS

Quando se fala em "Preto-velho", estamos falando de uma grande Linha, que representa uma grande faixa vibratória de espíritos afins que se uniram para cumprir sua missão pós-vida. Eles representam a fé e a humildade de um Povo. Em seus trabalhos, procuram ajudar aqueles que estão em dificuldade material ou espiritual. Devido a tudo o que passaram durante a escravidão, possuem muita paciência para escutar e tratar aqueles que os procuram... Eles funcionam como verdadeiros psicólogos dos aflitos, pois atuam de forma simples e eficaz.
Essa simplicidade se expande, tanto na sua maneira de ser e de falar, quanto nos atendimentos. Usam vocabulário simples, sem palavras rebuscadas. Sua maneira carregada de falar é apara dar a ideia de "antiguidade". Além disso, os Pretos-velhos, nos ajudam a enxergar que a prática da Caridade é vital para nossa evolução espiritual.
São espíritos africanos trazidos para o Brasil e comercializados como escravos. Eles vieram em diferentes épocas de nossa Colonização. Foram retirados de diferentes locais da África e chegaram com idades diversas. São de ambos os sexos. Possuíam família, faziam parte de uma tribo ou de uma sociedade. Alguns eram líderes ou chefes em sua localidade. Quando chegaram foram submetidos a diversas torturas e humilhações.
São chamados de "pretos" e "velhos", porque representam a cultura de um povo perseguido por sua raça até a velhice. Ou seja, recém-nascidos, crianças ou idosos, jamais foram poupados da tirania do Feudalismo. E quanto mais idoso, maior a humilhação que sofriam... Por isso, ao se apresentarem pela primeira vez, mesmo com a aparência mais jovem, a titulação estabelecida foi "preto" "velho". O termo "Vovô" e "Vovó" sinaliza experiência e sabedoria.
Suas vestimentas e apetrechos são bem simples, porque necessitam de poucos artifícios para trabalhar... Eles precisam, simplesmente, da atenção e da concentração do médium durante a consulta. Sua forma de incorporar é compacta, sem dançar ou pular muito. A vibração começa como um "peso" nas costas e uma inclinação do tronco para a frente. Os pés ficam fixos ao chão. Se locomovem, apenas, para as saudações necessárias e depois sentam para realizar o atendimento. É raro, mas, podemos encontrar alguns Pretos-velhos que se mantém em pé. É possível ver alguns Pretos-velhos dançando uma dança sutil, como movimentos dos ombros ou dos pés.
Todas as Entidades dessa Linha seguem um ritual próprio muito singular e similar entre si. Em seus trabalhos de purificação e limpeza, costumam utilizar o cachimbo, o terço, a oração, a vela, o café, o benzimento com ervas, entre outros simbolismos... Dessa forma, costumam "benzer" a pessoa, usando uma espécie de magia para retirar o mal.
A Linha é um todo, com suas características gerais (citadas acima), mas como cada médium possui uma "coroa" diferente, isso determina as diferenças entre os Pretos-velhos. Essas diferenças ocorrem porque os Pretos-velhos são trabalhadores dos Orixás e trazem para sua forma de trabalho a essência da força da natureza de quem eles representam ou para quem eles trabalham.
Essas diferenças são, primeiramente, evidenciadas na maneira como incorporação ocorre. Por isso, não é só na forma física que devemos observar essas diferenças mas, também, na maneira de conduzir o trabalho e na "especialidade" de cada um.

SOBRE AS CRIANÇAS

São espíritos que já estiveram encarnados na Terra por diversas vezes, onde adquiriram a experiência necessária. Eles optaram por continuar sua evolução espiritual através da prática da caridade, incorporando em médiuns nos Terreiros de Umbanda. Em sua maioria, representam os espíritos que desencarnaram com pouca idade. Por isso, trazem características de sua última encarnação, com trejeitos infantis, comunicando-se como crianças, apreciando os doces e os brinquedos de sua época.
Essas Entidades são a verdadeira expressão da alegria e da honestidade. E, apesar, das brincadeiras atendem com muita dedicação cada pedido. Normalmente, os Ibejis são mais procurados para resolver problemas familiares, gravidez ou traumas infantis... Mas, também, podem ser solicitados para resolver diversos problemas pessoais.
Assim como as demais Entidades, elas também possuem funções bem específicas. A principal delas é que eles são mensageiros dos Orixás. Quando incorporam em um médium, fazem estrepolias, brincam e realizam diversas ações próprias de toda criança. Portanto, é necessário muita concentração do médium, principalmente, do médium consciente, para evitar que as brincadeiras atrapalhem a mensagem transmitida.
É comum em Gira de criança, ver um médium "cambaleando" antes de incorporar inteiramente. Isso se deve devido a disputa que esses Espíritos travam para ver quem incorpora primeiro - algo bem típico dessa Linha. É como se Eles fizessem uma aposta: "Vamos ver quem chega primeiro?" Os meninos são, em sua maioria, mais bagunceiros, enquanto, algumas meninas são mais manhosas.
Alguns Ibejis incorporam pulando e gritando, outros choram, alguns estão sempre com fome e tem aqueles que chegam reclamando... Essas características, que nos passam despercebidas, representam a maneira que eles possuem de expressar sua função específica, sua linhagem ou sua qualidade. Também é uma maneira de descarregar e descontrair o ambiente.
Os pedidos feitos ao espírito de uma criança (Ibeji) costumam ser atendidos de forma imediata. Entretanto, a cobrança que elas fazem dos presentes e agrados que lhe são prometidos é bastante persistente. Por isso, jamais prometa algo a uma criança se não puder cumprir depois, porque ela fará você lembrar de sua promessa.


* É possível ler sobre a origem das Tendas de Umbanda em:
-> https://umbandaead.blog.br/2016/11/15/15-de-novembro-anuncio/

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

O trabalho das Sete Linhas na Umbanda.


LINHA OU VIBRAÇÃO DE OXALÁ - Nesta Linha as Entidades usam roupagem fluídica de Caboclos. São perfeitos em suas manifestações. Não fumam, mesmo no grau de Protetores. Não gostam de ser solicitadas além das 21 horas sem um motivo imperioso. Suas vibrações fluídicas começam se fixando por cima da cabeça, na altura da glândula pineal, chegando até os ombros, com uma sensação de friagem pelo rosto e pelo tórax. A respiração é, normalmente, entrecortada por suspiros longos, atingindo o Plexo Solar. O movimento que indica o controle da matéria, ocorre após um sacolejo do corpo. Sua fala é calma, compassada e firme.
Seus pontos cantados são verdadeiras invocações de grande misticismo, dificilmente escutados hoje em dia... Pois, só cantam em grande necessidade. Seus sinais riscados são quase sempre curvos e formam desenhos de rara beleza, com grande simbolismo de épocas primordiais. Se precisarem riscar um ponto para firmar o Terreiro em questão, usarão sinais das estrelas, como: o sol, a lua e a própria estrela (de 5 pontas).
Nesta Linha podemos citar o Caboclo Urubatão da Guia, que jamais aceita incorporar em quem bebe, fuma ou pratica atos ilícitos. Ele é muito exigente em suas obrigações e, por isso, é tão raro vê-lo hoje em dia... E também temos os Caboclos Ubiratan e Ubirajara.

LINHA OU VIBRAÇÃO DE IEMANJÁ - Nesta Linha trabalham Entidades associadas às Águas, sejam elas: Caboclas, Marinheiros ou outras manifestações. O aparelho (médium) costuma sentir um frescor que sobe pelos pés até os joelhos. As mãos costumam vibrar, enquanto a cabeça parece pesar, pois sentem-se envolvidos pelos fluidos da incorporação. Quando incorporam, sentem o corpo balançar suavemente, como se estivessem na água. A fala é branda e compassada, como na respiração.
Os pontos cantados podem representar desde a suavidade das ondas marulhando na praia até invocações profundas de cura. Os pontos riscados podem apresentar os símbolos das águas, como: ondas, âncoras, conchas, caracóis, etc.
Nesta Linha podemos citar as Caboclas Jandira, Janaína e Jacyara.

LINHA OU VIBRAÇÃO DE YORI - Essas Entidades, altamente evoluídas, externam pela máquina física, maneiras e vozes infantis. Quando incorporam, gostam de sentar no chão, de comer guloseimas diversas e de beber algo doce. Conversam como uma criança inocente, que entende os motivos alheios. Trabalham apenas em horas diurnas e dias especiais.
Em seus pontos cantados contam historinhas divertidas ou fazem orações infantis, enquanto limpam a aura dos atendidos. Nos pontos riscados desenham símbolos com representações de brinquedos diversos.
Nesta Linha podemos citar Doum, Cosme e Damião. Eles podem parecer travessos em suas manifestações, mas são enérgicos em suas cobranças.

LINHA OU VIBRAÇÃO DE XANGÔ - Essas Entidades usam a forma de Caboclos e refletem no Plano Físico uma maneira aparentemente brusca. Suas vibrações atingem o aparelho (médium) em cheio, refletindo-se em solavancos físicos, forçando o tórax e a cabeça. A energia envolve o médium numa compostura ereta, que o faz parecer mais alto.
Normalmente, emitem um brado forte e acentuado de saudação, como um trovejar... Evitam cantar e falam somente o necessário. Mas, se decidem cantar, seus cantos possuem um sentido ancestral que relembram seus antepassados. Dispensam conversas inúteis e consultas sem sentido. Seus conselhos costumam ser objetivos e sem rodeios. Em seus pontos riscados podemos visualizar símbolos como: machado, chave, pedra ou montanha.
Nesta Linha podemos citar Xangô Kaô, Agodô e Aganju.

LINHA OU VIBRAÇÃO DE OGUN - Nesta Linha, as Entidades também assumem a forma de Caboclos em sua incorporação. Durante a aproximação dos médiuns costumam causar sensações na região do abdômen, tremores na face e pressão em torno da crânio (como se tivesse um capacete). A respiração é vigorosa e a fala é agitada. Quando incorporados gostam de andar de um lado a outro, como se estivessem em estado constante de alerta.
Seus pontos cantados ou suas preces soam como brados fortes de guerra, invocando para a luta e demonstrando um sentido forte de fé na batalha espiritual. Em seus pontos riscados trazem os símbolos dos campos de batalhas, com representações de espadas, lanças, escudos e bandeiras.
Nesta Linha temos Ogun Guerreiro, Ogun Megê e Ogun Dilê.

LINHA OU VIBRAÇÃO DE OXÓSSI - Nesta Linha, as Entidades também assumem a forma de Caboclos. Durante o processo de incorporação, os médiuns sentem os fluídos, principalmente, nas pernas. Ocorrem estremecimentos e ligeiras flexões dos membros inferiores. A energia percorre todo o corpo, causando tremores e espasmos. A vibração atinge o aparelho totalmente e o médium sente-se envolvido por completo.
Durante o passe costumam agir com cautela... Falam de maneira serena e aconselham com brandura. Seus trabalhos envolvem elementos naturais. Os pontos cantados incluem os sons da floresta. Nos pontos riscados podemos visualizar os símbolos da natureza: flechas, arcos, folhas, árvores, pássaros, etc.
Nesta Linha podemos citar o Caboclo Pena Verde, Caboclo Arruda e o Caboclo Pena Branca.

LINHA OU VIBRAÇÃO DE YORIMÁ - Essas Entidades parecem verdadeiros Magos, senhores da experiência e do conhecimento humano. São os Espíritos Velhos da Lei da Umbanda e donos dos mistérios da "pemba" nos sinais riscados. Conhecem profundamente a alma humana e sabem extrair da natureza todo o recurso necessário para a cura. Eles assumem a forma de Pretos-velhos e se apresentam humildemente para o trabalho de Gira.
A energia envolve o médium completamente e o corpo "sente" o peso da idade encurvando-se. Normalmente, necessitam de algum tipo de apoio para se locomover e, por isso, costumam atender sentados. Em seus atendimentos usam velas, orações, benzimentos, defumações e demais recursos que se fizerem necessários.
Após a incorporação se expressam de maneira embrulhada, usando uma linguagem simples. Por isso, falam compassadamente e com cautela. Os pontos cantados são tristes e cadenciados, lembrando o tempo de escravidão. Nos pontos riscados usam os símbolos da fé: a cruz, o cruzeiro, os degraus, o terço, entre outros...
Nesta Linha podemos citar Rei Congo, Pai Joaquim e Pai Benedito.

As sete linhas da Umbanda

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

As Sete Linhas na Umbanda Sagrada.


Depois que Zélio Fernandino de Morais partiu, a estruturação inicial das Sete Linhas da Umbanda Sagrada sofreu algumas modificações. Antigamente, eles eram distribuídas da seguinte maneira: YANSÃ; IBEJI; IEMANJÁ; OXÓSSI; OGUN; XANGÔ; NANÃ. No entanto, essa distribuição foi reformulada e atualmente ela segue outra ordem...

Linha de Oxalá: Esta Linha é regida por Jesus Cristo e representa o Princípio da Criação, a Luz Divina que coordena todas as outras. Os Guias principais desta Linha são: Caboclo Urubatão da GuiaCaboclo Tupã, Caboclo Ubiratã, Caboclo Tupy, Caboclo Ubirajara, Caboclo Guaracy, Caboclo Guarani, etc. Estes Guias são os Chefes de Falanges mas, existem os demais Guias que pertencem a esta Linha e trabalham na caridade. São eles: Caboclo Sete Estrelas, Caboclo Pena Branca, Caboclo Águia Branca, Caboclo Tupinambá, Caboclo Aimoré, Caboclo Rompe Nuvem, Caboclo Tamoio, Caboclo do Sol, Caboclo Estrela Guia e outros. O Astro que rege esta Linha é o Sol e tem como Guardião o Anjo Gabriel.
Linha das Águas (Linha das Mães): Esta Linha é regida por Nossa Senhora da Glória, como principal, sincretizada com Iemanjá (Yemanjá). Mas, tem também Nossa Senhora da Conceição, que é sincretizada com Oxum. Esta Linha representa a Divina Mãe, a energia feminina e da Natureza da Água, a gestação e a fecundação. Os Guias principais desta Linha são: Cabocla Jandira, Cabocla Jurema, Cabocla Jupira, Cabocla Jupiara, Cabocla Janaína e outras. Demais Entidades que trabalham nesta Linha são: Cabocla Yara (Iara), Cabocla Indayá, Cabocla Onira, Cabocla Estrela do Mar, Cabocla Iracema, Cabocla Jacira, Cabocla da Praia, Cabocla Sete Ondas, Cabocla Sereia e outras. O Astro que rege esta Linha é a Lua e tem como Guardião o Anjo Yahel. (Iansã está presente nesta Linha, sincretizada com Santa Bárbara.)
Linha de Xangô: Esta Linha é regida por São Jerônimo como principal mas, São João Batista, São Pedro e São Paulo também regem esta Linha como sincretismo de Xangô. Representa a Justiça Divina e a Lei Khármica. Xangô é o Senhor da Balança Universal. Os Guias principais desta Linha são: Xangô Kaô, Xangô Agodô, Caboclo Sete Montanhas, Caboclo Sete Pedreiras, Caboclo Sete Cachoeiras. Outros Guias que trabalham nesta Linha são: Caboclo Pedra Preta, Caboclo Pedra Branca, Caboclo Cachoeira, Caboclo Gira Mundo, Caboclo Rompe Montanha, Caboclo Ventania, Caboclo Rompe Serra e outros. O Astro que rege esta Linha é Júpiter e tem como Guardião o Anjo Rafael.
Linha de Ogun (Ogum): Esta Linha é regida por São Jorge e representa o fogo da Salvação, a Linha das Demandas da Fé, das aflições, das lutas e das batalhas. Os Guias principais desta Linha são: Ogum de Lei, Ogum Yara (Iara), Ogum Megê, Ogum Rompe Mato, Ogum de Malê, Ogum Beira Mar, Ogum Matinata, entre outros. Outras Entidades conhecidas que trabalham nesta Linha são: Ogum Sete Espadas, Ogum Sete Lanças, Ogum Sete Escudos, Caboclo Boiadadeiro, Caboclo Capangueiro, Caboclo Tira Teima, Ogum Rompe Trilhas, Ogum Rompe Mato e outros. O Astro que rege esta Linha é Marte e tem como Guardião o Anjo Miguel.
Linha de OxóssiEsta Linha é regida por São Sebastião, que representa o "Caçador das Almas", o Mestre que ensina e doutrina os filhos que o procuram. Os Guias principais desta Linha são: Caboclo Arranca Toco, Caboclo Arariboia, Caboclo Guiné, Caboclo Arruda e Caboclo Cobra Coral. Outras Entidades que trabalham nesta Linha são: Caboclo Pena Azul, Caboclo Pena Verde, Caboclo Pena Dourada, Caboclo Tabajara, Caboclo Sete Flechas, Caboclo Tupiyara, Caboclo Tupiaçu, Caboclo Mata Virgem, Caboclo Rei da Mata, Caboclo Pery, Caboclo Junco Verde, Caboclo Rompe Folha, Caboclo Paraguaçu, Caboclo Arerê, Caboclo Coqueiro, Caboclo Sete Palmeiras, Caboclo Juremeiro, Caboclo Humaitá, Caboclo Folha Verde e outros. O Astro que corresponde a esta Linha é Vênus e o Guardião é o Anjo Ismael.
Linha de Yori (Ibejis): Esta Linha é regida por São Cosme e São Damião, é a Linha da Ibejada, que são as crianças. Representa a alegria, a luz da Espiritualidade, a ingenuidade e a lealdade infantil. Os Guias principais desta Linha são: Tupãzinho, Ori, Yariri, Doum, Yari, Damião e Cosme. Outros Guias que trabalham nesta Linha são: Crispim, Crispiniano, Mariazinha, Zequinha, Chiquinho, Luizinho, Joãozinho, Paulinho, Luizinha, Ana Maria, Joaninha e outros. O Astro que corresponde a esta Linha é Mercúrio e o Guardião é o Anjo Samuel.
Linha de Yorimá (Pretos-velhos): Esta Linha é regida por São Lázaro e por São Roque, respectivamente, sincretizados com Obaluaiê e Omolu. É a Linha das Almas, representa o Dom da Palavra e da Magia. É composta pelos espíritos que tem a missão de combater o mal e todas as suas manifestações. Os Guias principais desta Linha são: Pai José, Pai Guiné, Pai Tomé, Pai Arruda, Rei Congo, Vovó Maria Conga, Pai Benedito e Pai Joaquim. Outras Entidades que trabalham nesta Linha são: Pai João, Pai Jacó, Vovó Ana, Vovó Cambinda, Pai Cipriano, Pai Simplício, Tia Chica, Nhá Benedita, Pai Chico, Pai Miguel, Vovó Catarina, Pai Mané, Pai Antônio, Pai Tomás, Vovó Luíza e outros. O Astro que corresponde a esta Linha é Saturno e o Guardião é o Anjo Uriel. (Nanã, sincretizada com Santa Ana, participa desta Linha.)

Estas são as Sete Linhas de Umbanda e seus Guias principais. Existem outros Guias que não foram citados, mas é difícil citar todos os nomes das Entidades que trabalham nas Giras da nossa querida Umbanda.

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

"Sultão das Matas"

Aquele que comanda todos os animais.

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"Eu nasci entre o Povo Maia, há mais de três mil anos... Dominamos as Américas. Éramos extremamente evoluídos. Mas, vocês já sabem disso. Nosso Reino era imensamente vasto, tão vasto, que seria impossível descrever seu tamanho e sua grandiosidade.
Desde cedo eu fui criado para ser um líder em nossa região. Por isso, tive o privilégio de conhecer todo o Reino. Meu pai era um Conselheiro do Chefe Supremo e eu o acompanhava sempre... Com o tempo, pude me locomover sozinho por onde quisesse.
Para ser definido o líder de uma Casta, todos os meninos passavam por testes para verificar seus dons. Como o nosso Povo era muito numeroso, éramos divididos em Castas - vocês poderiam chamar de 'Tribos'. Em cada Casta, pelo menos um ou dois meninos eram escolhidos.
Quando tornei-me adulto, tive a liberdade de viajar para outras terras, então, pedi permissão e parti... Naquela época, os pais jamais interferiam na decisão de um filho com predestinação de liderança. Eles sabiam que os deuses comandavam tudo.
Nosso povo sempre acreditou em divindades superiores e em forças maiores. Também sempre cultuamos as energias da Natureza e do Universo. Para nós, o perfeito equilíbrio entre o bem e o mal estava em honrar o que foi estabelecido.
Quando deixei minha Nação, olhei uma última vez para trás... Todos vocês já fizeram isso, tenho certeza. Então, segui em direção do Rio que divide as Nações. Ao atravessar o Grande Rio eu entraria em território desconhecido.
Cheguei a uma planície onde haviam muitos animais de muitas espécies que vocês desconhecem, porque já estão extintos. Aproveitei para descansar, caçar, me alimentar e conhecer a região... Algumas onças da espécie jaguar aproximaram-se e eu emiti um sinal. A líder do bando veio até mim.
A partir de agora vocês conhecerão o meu dom e porquê fui escolhido líder...
Com a mão espalmada em sua direção e os olhos para o chão chamei-a. Ela respondeu... Ela agora me entendia. Eu podia fazer isso com todos os animais da floresta: répteis, anfíbios, aves, mamíferos ou insetos...
Eu podia manipular as abelhas sem ser ferroado por elas; podia extrair o veneno das cobras sem ser picado; podia montar um cavalo selvagem, que ele me levaria onde eu quisesse; enfim, eu podia morar na selva e viver como quisesse... Mas, eu tinha um compromisso com meu povo e apenas um determinado tempo para ficar longe.
Prossegui minha jornada por mais três sóis e iniciei meu retorno. Vi coisas diferentes pelo caminho e teria muitas histórias para contar ao meu povo. No fim do primeiro sol, estava descansando em uma superfície acidentada de um planalto, quando fui surpreendido pela agitação dos animais, que queriam me avisar de alguma coisa...
De repente fui arrastado, estava capturado no meio de uma espécie de rede. Tentei lutar e me soltar, mas não consegui... Fui sendo arrastado pelo caminho. Em um solavanco me ergueram e me colocaram em uma espécie de barco e partiram... Quando retiram a rede e me jogaram ao chão eu estava em uma terra diferente.
Eles não falavam minha língua e eu não falava a língua deles. Vestiam-se com peles. Usavam chifres na cabeça e armas que pareciam machados. Mais tarde eu descobri que eram Vikings... Com o tempo percebi que eles queriam aprender meus costumes para conquistar nossas terras.
O mesmo dom que me manteve vivo durante minha jornada ainda fazia parte de mim. Então, pensei em como poderia usá-lo para escapar dessa terra distante...
Já haviam se passado quatro sóis completos de minha permanência no meio dessa gente. Eu os considerava como bárbaros capazes de qualquer coisa. Imaginei que se chegassem até nossa terra seriam capazes de qualquer coisa.
Quando finalizou o quarto sol, eu coloquei meu plano em prática e iniciei minha fuga. Consegui que roedores roessem minhas cordas. Um cavalo veio até mim... Outro cavalo me trouxe água e comida. E os demais animais criaram uma bagunça na Vila dos Bárbaros Vikings.
O cavalo que me serviu de montaria me levou até o mar... Agradeci a ele e entrei no mar. Nesse momento, os Vikings já deviam ter sentido minha falta e percebido a minha fuga. 
Eu nunca tentei comandar os animais aquáticos, porque esse era um privilégio de poucos. Seria minha primeira experiência, mas eu precisava tentar... Fiz círculos na água com as duas mãos e emiti sinais sonoros com a boca e, em pouco tempo, dois golfinhos se aproximaram de mim. Segurei em suas barbatanas e eles me conduziram até uma ilha.
Nessa ilha fiquei por uma ou duas luas até descansar, e meus amigos golfinhos ficaram por perto. Quando eu estava restabelecido fiz uma jangada e, com a ajuda dos golfinhos, segui viagem...
Eu cheguei em minha Nação dez sóis depois de minha ausência. Meu povo quase não acreditou no que viu... Eu não percebi mas, quando entrei em minha cidade, me acompanhavam: dezenas de leopardos, muitas onças pintadas, várias suçuaranas e diversos outros animais.
Então, começaram a exclamar: 'Ele é um Tepeyollotl! Ele é um Rei das Matas.' (E todos se ajoelharam...) Minha mãe correu e me abraçou e meu pai explicou: Meu filho, eles te consideram um Tepeyollotl..."

O Caboclo Sultão das Matas, não utiliza o termo "Tepeyollotl" por ser de difícil pronúncia. Ele também não usa o termo "Rei" por se referir a um Cargo Político. Por isso, usa o termo "Sultão", pois este se refere a uma Autoridade Espiritual. A complementação do nome "Sultão" das Matas, indica que ele é um Guia Espiritual que atua na Linha de Oxóssi.

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*OBS > Nesse post vocês observam duas imagens: a primeira, refere-se a aparência espiritual; a segunda, refere-se a aparência de sua existência carnal como "Tepeyollotl".