domingo, 20 de abril de 2014

O Axé da Cor Branca...


Oxalufan ou Oxalufon ou Orixá Fun Fun pode ser sincretizado com Jesus Ressuscitado. Através desse Sincretismo, ele nos ensina diversas lições, dentre elas: a humildade, a temperança e a serenidade.
Manter-se humilde perante o próximo, quando somos insultados, é uma tarefa árdua... Ser fiel ao propósito da fé, quando somos testados ou provados, é uma condição bastante difícil... E estar sereno nos momentos de aflição, realmente é impossível!
Oxalufan é o Pai do Pano Branco. O Pano Branco representa o algodão, um dos símbolos de Oxalá. Ele também faz referência ao Giz Branco (Efun), que simboliza a iniciação em todos os Rituais. Outro simbolismo do branco é a manifestação da Paz.
Como Oxalufan é um Orixá Primordial, aquele que existe desde os Primórdios da Civilização, tudo o que faz referência ao Princípio de todas as coisas, refere-se aos Orixás Fun Fun... 
Uma das Lendas de Oxalufan, retrata muito bem, o exílio pelo qual todos nós passamos, em algum momento ou outro de nossas vidas.
Na Lenda, Oxalufan vai ao Reino de Xangô e, devido às condições em que chega ao Reino de seu Filho, não é reconhecido como Pai. Seu cavalo fugiu, e suas roupas estão sujas e amarrotadas.
Ele, então, é encarcerado injustamente por sete anos! Durante esse período, o Reino passa por privações e doenças, sem que ninguém entenda o que está acontecendo... Xangô decide consultar um Babalaô sobre todos os acontecimentos que tumultuam o seu Reino e, assim, descobre toda a injustiça que seu Pai sofreu!
Aqui percebemos que mesmo Oxalufan sendo o Pai e estando acima de todos, Ele vive a humildade de estar na prisão e ser esquecido... Xangô, como filho, não reconhece o Pai, porque Este não está em sua "pompa" real.
A Lenda também explica porque os Filhos de Oxalá devem usar Branco em todos os momentos de sua Preparação e Feitura. E também entendemos porque nós Umbandistas, devemos usar o Uniforme Branco em nossas Cerimônias.
O Axé de Oxalufan e de todos os Orixás Fun Fun é o Branco... O branco representa a Pureza de Espírito, porque indica que estamos limpos e livres de toda mácula. O branco também representa a Energia da Luz, que se manifesta em todas as cores...
A importância da Cor Branca está presente em todos os Fundamentos da Nação, desde o Processo de Feitura, até as Firmezas do Altar.
Enfim, o branco é considerado o elemento básico de todas as coisas, porque simboliza o princípio fundamental que sustenta a Vida e a Morte. Ou seja, o Branco é o início e o fim!

sábado, 19 de abril de 2014

A Umbanda Sagrada e o "Dia do Índio".

Segundo o dicionário da Língua Portuguesa: índio é todo nativo nascido na terra. Portanto, nós também somos índios. Na verdade, somos uma "Terra de Índios", pois nosso país guarda inúmeras lendas que contam o surgimento de muitas cidades e povoados. Muitas dessas lendas relatam os costumes indígenas das diversas raças que habitaram nosso solo.
O Dia do Índio foi criado pelo presidente Getúlio Vargas em 1943 (através do Decreto-Lei número 5540). Em 1940, diversas lideranças indígenas de todo o Continente participaram do I Congresso Indigenista Interamericano (no México). Durante a realização do evento  foi criado o Instituto Indigenista Interamericano, que zela pelos direitos dos indígenas na América. O Brasil não aderiu imediatamente à criação do Instituto mas, após a intervenção do Marechal Cândido Rondon, apresentou sua adesão e instituiu o Dia do Índio na data de 19 de abril.
Quando a Umbanda foi fundada, a primeira Entidade a se apresentar foi um índio com o nome de "Caboclo das Sete Encruzilhadas". Enquanto ele contava sua história, traços de uma vida eclesiástica foram notados. Com isso, ele comprovou que a reencarnação existe e que não importa o que fomos em uma vida ou o que seremos em outra; mas, o que realmente aprendemos em cada existência. E é isso o que os Caboclos e todas as Entidades da Umbanda nos ensinam: a evolução.
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Na Umbanda Sagrada, a presença indígena é constante, pois representa toda a Linhagem principal que comanda os trabalhos de caridade. O "Dia do Índio" nos lembra que somos descendentes da Terra e que dela precisamos para sobreviver! Sem a presença do Índio Brasileiro ou de outras Nações, a Umbanda deixa de existir e também deixa de cumprir o seu verdadeiro propósito.

Santo Expedito

O Santo das Causas Urgentes!


Santo Expedito é sincretizado com o Orixá Logun Edé. Mas, na Umbanda Sagrada, ele está vinculado à representação de Ogun Rompe Mato, na Linha de Ogun.
Essa representação, se deve ao fato de que o Orixá Logun Edé, não é cultuado na Umbanda em nenhuma Linha. A similaridade com Ogun Rompe Mato surgiu nas primeiras Casas de Culto de Umbanda. Atualmente, no entanto, permaneceu apenas o sincretismo com Logun Edé.
Contudo, existem diversos Falangeiros que carregam no nome a representação do Santo. Como por exemplo: Baiano Expedito, Pai José Expedito, Cigano Expedito, Marinheiro Expedito, Cosminho Expeditinho, Cangaceiro Expedito, Malandro Zé Expedito, Vovó Expedita, etc.


Santo Expedito era militar e foi martirizado na Armênia, em Mitilene, mesmo local de seu nascimento. Ele foi decapitado no dia 19 de abril de 303, sob a ordem do Imperador Diocleciano. Por isso, dia 19 de abril é dia de Santo Expedito.
Dizem que Expedito levava uma vida mundana e desregrada antes de sua conversão; mas, depois, tornou-se "Expedito" - pois é considerado aquele que age prontamente, que é diligente, desembaraçado e ativo.
Conta a história que o espírito do mal apareceu para ele na forma de um corvo e cantou: "Cras, Cras, Cras", palavra latina que significa "amanhã"... Para Expedito, era como se o corvo quisesse lhe dizer: "Deixe para amanhã! Não tenha pressa!" Santo Expedito, então, pisou o corvo e gritou: "Hodie, Hodie.", que quer dizer "Hoje, hoje". Por isso, Santo Expedito é invocado nos casos que exigem uma solução imediata e nos negócios urgentes.

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Como realizar a novena de Santo Expedito...

Deve-se acender uma vela e rezar o Creio em Deus, depois a Oração para Santo Expedito, pedindo a graça desejada. Depois deve-se realizar a Oração do Pai Nosso, uma Ave Maria e finalizar com o Glória ao Pai. Fazer isso por nove dias seguidos, sempre no mesmo horário.

"Meu Santo Expedito das causas justas e urgentes, socorrei-me nesta hora de aflição e desespero, intercedei por mim junto ao Nosso Senhor Jesus Cristo. Vós que sois um santo guerreiro. Vós que sois o santo dos aflitos. Vós que sois o santo dos desesperados, vós que sois o Santo das causas urgentes. Protegei-me, ajudai-me, dai-me força, coragem e serenidade. Atendei ao meu pedido (faça aqui o seu pedido). Ajudai-me a superar estas horas difíceis, protegei-me de todos que possam me prejudicar, protegei a minha família, atendei ao meu pedido com urgência. Devolvei-me a paz e a tranquilidade. Serei grato pelo resto de minha vida e levarei seu nome a todos que têm fé. Santo Expedito, rogai por nós que recorremos a Vós. Amém!"

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sexta-feira, 18 de abril de 2014

Sexta-feira da Paixão.

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Na última sexta-feira que antecede a Páscoa ou "Passagem", temos a Sexta-feira Santa. Na Sexta-feira da Semana Santa, temos a "Paixão de Cristo", que representa a entrega de Jesus ao Calvário. A Sexta-feira Santa é um feriado móvel, que serve como referência para outras datas. Para calculá-lo analisa-se a primeira Sexta-feira após a primeira Lua Cheia, depois do Equinócio de Outono no Hemisfério Sul e Equinócio de Primavera no Hemisfério Norte. Essa data é móvel porque pode ocorrer entre 20 de março e 23 de abril.
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Segundo a Tradição Cristã, a Ressurreição de Cristo aconteceu no domingo seguinte ao dia 14 de "Nissan", no Calendário Hebraico. Nissan é nome do mês hebraico que representa os "primeiros frutos", pois inicia na Primeira Lua Nova da época da colheita da cevada em Israel. Assim, realizando a contagem a partir do domingo e, sabendo-se que nos costumes Judaico e Romano contava-se o primeiro e o último dia, a Igreja chega à "Sexta-feira" como o dia da Morte de Cristo.
O nome Nissan é considerado de origem babilônica e na Torá o nome do mês é Abib... No mês do Nissan, os Judeus comemoram o Pessach (14 de Nissan), o Chag Hamatzot (15-22 de Nissan) e o Yom Ha Shoah (27 de Nissan). O livro do Êxodo da Bíblia ensina que o mês de Abib é marcado pela libertação de Israel do regime escravo no Egito. Nesse mês também se comemora a Páscoa Judaica.
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A crucificação de Jesus ocorreu pelas mãos do Juiz Pôncio Pilatos e do Imperador de Roma: Tibério Cláudio Nero César. O crime que condenou Jesus à morte foi escrito em uma placa afixada sobre sua cabeça no alto da Cruz (INRI).
A palavra INRI significa: Iesus Nazarenus Rex Ioderum, ou "Jesus de Nazaré, Rei dos Judeus". Ou seja, por Ele ser considerado um Rei pelo Povo, cometeu o crime de insurgência. Por sua condenação, Jesus carregou a cruz até o lugar da execução, e este trajeto público é chamado de "Via Crucis".
Jesus Cristo foi pregado na cruz mas, por vezes, o condenado era apenas atado a esse instrumento... A crucificação era considerado um método de suplício muito doloroso, pois o tempo de agonia do criminoso era intensamente prolongado.
Além da Crucificação, existiam outros métodos de condenação entre os Judeus... Algumas vezes, o corpo dos criminosos era pendurado numa árvore de cabeça para baixo; como foi o caso do Apóstolo Pedro.
Na oração do Terço (dentro do Rosário), o mistério de Jesus carregando a cruz representa o "Quarto Mistério Doloroso". Esse é o mistério que nos faz refletir sobre as cruzes nossas de cada dia. Ao carregar a Cruz pelo Calvário, Jesus nos ensina a aceitarmos e carregarmos nossas próprias cruzes. Durante a Crucificação, Maria foi apresentada como a Mãe de Todos Nós (Nossa Senhora) por Jesus... Essa referência, indica que ela assumiu o papel de Mediadora entre Jesus e a Humanidade. Por isso, além de Mãe, ela é Mediadora!
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quinta-feira, 17 de abril de 2014

Nossa Mãe Maria na Umbanda Sagrada...

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"Maria" na Umbanda: entre Santos e Orixás.

Introdução
Maria, mãe de Jesus, vai muito além do Catolicismo e do Cristianismo, vemos sua presença em grandes religiões como o Islã, onde ela assume o papel de mãe do profeta Jesus, no entanto é possível encontrar Maria nos cultos ou religiões sincréticas das Américas. O colonizador europeu trouxe o africano como escravo e ambos se instalaram nesta terra do índio. Logo as culturas do branco, do negro e do vermelho se encontraram de forma particularizada em diferentes regiões deste continente. E assim chegou Maria ao Brasil, onde foi acolhida também pela religiosidade popular, associada e comparada com divindades e entidades do mundo mítico afro-indígena. Neste contexto está, também, a Umbanda, nascida da miscigenação tão brasileira, no seu jeito de ser, fruto de mitos, ritos e símbolos os mais variados.

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Objetivo
O objetivo deste estudo é ressaltar alguns pontos da presença de Maria na Umbanda. Verificamos um sincretismo dinâmico. “Maria Virgem” se identifica com Oxum e “Maria Mãe” se identifica com Iemanjá, em que a relação santo/orixá varia segundo diferentes pontos de vista. Para além de um altar essencialmente católico, podemos observar Maria em outros aspectos da liturgia, como a Festa de Iemanjá e a identificação dos templos com nomes de santos.
Hoje a Umbanda passa por uma mudança de paradigma, no que diz respeito a sua literatura, escrita de “umbandista para umbandista”, surge uma literatura psicografada de Umbanda e novas abordagens sobre a relação de Maria na Umbanda. Sendo uma religião muito aberta e inclusiva acolhe diferentes e novas formas de entender a presença de Maria. Vamos aqui apenas esboçar alguns aspectos, conscientes da complexidade da Umbanda e dos diferentes ângulos que as Ciências da Religião nos oferecem para aprofundar a questão.

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Maria na história da Umbanda
O primeiro templo de Umbanda de que se tem noticia traz o nome de “Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade”, quem nos conta a história de sua fundação é o Sacerdote de Umbanda, Ronaldo Linares, Presidente da Federação Umbandista do Grande ABC, criador do primeiro curso de formação de sacerdotes de Umbanda.
Dia 15 de Novembro de 1908, Zélio Fernandino de Moraes*, um jovem rapaz de 17 anos, incorporou o espírito de Frei Gabriel de Malagrida, queimado na inquisição. O espírito do Frei revelou que, em uma vida posterior, nasceu como índio no Brasil,  preferindo ser identificado, agora, como “Caboclo das Sete Encruzilhadas” e que vinha para trazer a Religião de Umbanda. Sua “igreja” se chamaria Nossa Senhora da Piedade, pois assim como Maria acolheu a Jesus, a Umbanda acolheria os filhos seus.
Zélio vinha de uma família de origem católica e no seio deste lar tiveram início as sessões mediúnicas de Umbanda, onde já havia um pequeno altar católico. Com o tempo, o espírito de um “preto velho”, escravo de origem africana, “Pai Antônio”, traria o conhecimento dos Orixás Africanos associados aos santos católicos. Nascia o sincretismo de Umbanda, Maria já estava presente e enraizada nos valores religiosos e espirituais dessa família. No decorrer dos tempos surgiriam milhares e milhares de Templos de Umbanda, identificados como “tendas”, “centros”, “casa” ou “terreiros” de Umbanda, nos quais a exemplo da primeira “Tenda de Umbanda”, estariam presentes as “Marias”, identificando estes templos como: “Tenda Nossa Senhora da Conceição”, “Tenda Nossa Senhora da Guia”, “Nossa Senhora de Sant’Ana”, “Nossa Senhora dos Navegantes” e outras como “Estrela D’alva”, “Tenda Nossa Senhora Aparecida”, “Casa de Maria” etc.

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Maria no altar de Umbanda
Oxum representa o amor, a pureza, a beleza, inocência e concepção, enquanto Iemanjá representa a mãe universal, mãe dos orixás, aquela que mantém e gera a vida. Ambas se manifestam na água, Oxum nas cachoeiras e Iemanjá no mar.
O sincretismo de Maria com os Orixás se faz notar principalmente no altar de Umbanda, que é um altar composto por imagens católicas. Encontraremos a imagem de Nossa Senhora da Conceição ou de Nossa Senhora Aparecida, fazendo sincretismo com Oxum. Iemanjá é o único Orixá que tem uma imagem própria, umbandista, não católica, assim mesmo encontramos sincretismo com Nossa Senhora dos Navegantes ou Nossa Senhora das Graças.


Um olhar sociológico
Cândido Procópio Ferreira de Camargo, no final da década de 50, dedicou parte de seu tempo ao estudo das “Religiões Mediúnicas” e registrou no livro “Kardecismo e Umbanda: uma interpretação sociológica”, o resultado de sua pesquisa de campo, onde descreve um Terreiro de Umbanda:
“No ‘terreiro’ propriamente dito, barracão com cerca de 50m², há um altar, semelhante aos católicos . O ‘Orixá’ guia do ‘terreiro’ assume lugar de destaque , sob a figura do Santo Católico correspondente. São Jorge, Nossa Senhora, São Cosme e São Damião são os Santos mais comuns que integram o altar, além do Cristo abençoando, de braços abertos.”
Procópio Ferreira dedica especial atenção ao sentimento de pertença daquele que busca as “religiões mediúnicas”, observando que boa parte dos freqüentadores consideram-se Católicos.
Embora já tenha decorrido meio século e a Umbanda venha mudando de perfil, na busca de identidade, ainda nos dias de hoje observamos este fato em menor grau. Para evitar preconceito da sociedade ou desinformação, alguns dos adeptos, da Umbanda, identificam-se de pertença espírita, não fazendo distinção entre sua prática e a criada por Allan Kardec.
Ao adentrar um terreiro de Umbanda pela primeira vez muitos o fazem com certo receio do desconhecido, mas se deparando com um altar católico sentem-se confortados e tranqüilos. Jesus de braços abertos e Maria a seu lado, junto com todos os outros santos, continuariam a guiar sua fé, agora ao lado da tão popular Iemanjá.
O sincretismo, neste caso, serve de amparo para que o desconhecido se apresente através de elementos já conhecidos. O Católico se sente à vontade para justificar sua pertença, assim como, fica clara a importância do altar para a recepção e a conversão do novo adepto.

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Festa de Iemanjá
Na década de 50 foi criada uma imagem brasileira para Iemanjá, de pele branca, cabelos negros, vestida de azul, pairando sobre o mar, seu vestido se funde às ondas e  derrama pérolas pelas mãos. Esta é uma imagem umbandista e embora todos aceitem Maria como Iemanjá  e Oxum, quase não se usa uma imagem católica para Iemanjá, pois ela tem o privilégio de ter imagem própria.
Na Umbanda paulista desde 1969, realiza-se anualmente a Festa de Iemanjá, na Praia Grande, onde está a tradicional imagem de Iemanjá, em Cidade Ocian.
Recentemente, o município de Mongaguá, recebeu uma grande imagem de Iemanjá doada pela FUGABC. A Rainha do Mar reina sozinha nestas duas praias do litoral sul paulista, sendo, dia 8 de Dezembro, dia de Nossa Senhora da Conceição, a Festa de Iemanjá. Já as comemorações de Oxum ficaram para o dia de Nossa Senhora Aparecida e todo o resto do calendário umbandista é orientado por datas católicas, correspondentes aos santos e orixás.

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Quatro olhares para o sincretismo afro-católico na Umbanda
O olhar para o sincretismo assume diferentes aspectos dentro da Umbanda, devido à liberdade de interpretações que existe dentro dela mesma. O umbandista tem diferentes formas de se relacionar com Maria, que resultam em olhares diferentes para o sincretismo. Coloco aqui quatro olhares distintos:
- O primeiro olhar é um “olhar católico”, de desinformação sobre a cultura afro. O recém convertido ou o adepto ao ser questionado por exemplo, de quem é o Orixá Oxum ou Iemanjá  responde simplesmente que é Maria Mãe de Jesus. Não há um interesse pela cultura e a presença da divindade africana.
- O segundo olhar é um “olhar afro” de desinteresse pelo Santo Católico, a presença do mesmo é apenas figurativa para representar o Orixá, divindade que não possui uma imagem feita de gesso para ir ao altar, com exceção de Iemanjá. Assim Nossa Senhora da Conceição ou Nossa Senhora das Graças está no altar apenas como uma referência simbólica para se alcançar e louvar, quem realmente está lá, Orixá Oxum.
- O terceiro olhar é um “olhar de fusão” pelo qual Maria, Oxum e Iemanjá se fundem, não há mais uma e outra, Maria é Oxum e também Iemanjá. As lendas e os mitos se confundem e se apresentam nos cantos, neles vemos “Maria a mãe dos Orixás”, “Maria filha de Nanã Buroquê, a avó dos Orixás” ou “Iemanjá mãe de todos os santos”. Inclusive o conceito de santo e orixá se confundem. O adepto se expressa dizendo “meu santo de cabeça é Oxum”, para esclarecer que este Orixá é o “dono de sua cabeça”, seu regente ou padrinho.
- Há ainda um quarto olhar, que é o “olhar de convivência”. É um olhar que reconhece a afinidade entre os Santos e Orixás, Nossa Senhora da Conceição tem sincretismo com Oxum porque ambas tem as mesmas qualidades. Santo e orixá convivem juntos em harmonia, a qualidade e presença de um não diminui o outro. Existem clareza e esclarecimento sobre a origem e cultura que envolve santo e orixá. Oxum não é Maria, mas ambas têm as mesmas qualidades e convivem juntas e em harmonia. Sozinhas elas já ajudam, juntas ajudam muito mais.

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Uma nova experiência de Maria na Umbanda
Já comentamos, linhas acima, que a religião de Umbanda vem mudando de perfil, buscando sua identidade e, porque não, até mudando alguns paradigmas. Até alguns anos a literatura chamada de “psicografada” ou “escrita mediúnica”, pela qual os espíritos dão sua mensagem escrita, eram de característica do Espiritismo “Kardecista”. Nos últimos anos vem se observando uma literatura “psicografada de Umbanda”, ou seja, livros de Umbanda escritos de forma mediúnica.
Essa mudança de paradigma deve-se a um autor umbandista, Rubens Saraceni, que já publicou mais de 50 títulos nos últimos 13 anos, o que vem incentivando outros umbandistas a realizarem a mesma experiência.
O autor psicógrafo, médium e sacerdote de Umbanda, Rubens Saraceni, criou o primeiro curso livre de “Teologia de Umbanda”, para estudar de forma teórica e teológica as questões pertinentes à Umbanda, vista de dentro. Na “Teologia de Umbanda” se reconhece que Deus é Um com muitos nomes diferentes, como Alá, Zambi, Tupã, Olorun, El, Adonai, Jah, Javé, Aton, Brahman, Ahura Mazda[8] entre outros. Da mesma forma os diversos “Tronos de Deus”, “Divindades” ou Deuses se manifestam em várias culturas, “à moda” de cada uma delas. Assim o “Trono Feminino do Amor” ou “Divindade feminina do Amor” é conhecida como Oxum, Isis, Lakshimi, Afrodite, Vênus, Hebe, Kwan Yin, Freyija, Blodeuwedd, entre outros nomes, sendo a mesma, manifesta sob diferentes formas. Maria personifica este trono na cultura católica, portanto seu sincretismo com Oxum torna-se natural, legítimo e Justificado. Maria tem as qualidades do “Trono Feminino do Amor” e do “Trono Feminino da Geração”, como Iemanjá, Tétis, Hera, Parvati, Danu, Friga e outras. Todas as divindades convivem juntas e se expressam de muitas formas, lembrando a idéia das “Máscaras de Deus”.

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Conclusão
Podemos ainda lembrar que Maria ocupa o posto que antes pertencia às “Deusas Pagãs”. O Catolicismo fez sincretismo de culturas e valores, durante sua expansão por territórios desconhecidos ao cristianismo. Podemos dizer que a Deusa também está no inconsciente coletivo que busca elementos conhecidos para concretizar-se em uma realidade palpável.
Por fim, podemos dizer que onde houver duas ou mais culturas haverá sempre o sincretismo, que marca o encontro entre elas. Maria faz parte de uma cultura que dominou todo o Ocidente e boa parte do Oriente. No mundo pós-moderno e globalizado, cada vez mais encontraremos sincretismos e associações a Maria.
Independente de como possa ser interpretada, concluímos que Maria também faz parte da Religião de Umbanda e  se manifesta de formas diferentes dentro desta mesma religião.

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Bibliografia:
BASTIDE, Roger. As Religiões Africanas no Brasil. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo e Editora Livraria Pioneira, 1971.
CAMARGO, Candido Procópio Ferreira de. Kardecismo e Umbanda: Uma Interpretação Sociológica. São Paulo: Editora Livraria Pioneira, 1961.
CUMINO*, Alexandre. Deus, Deuses, Divindades e Anjos. São Paulo: Editora Madras, 2008.
LINARES, Ronaldo; TRINDADE, Diamantino e VENEZIANI, Wagner. Iniciação à Umbanda. São Paulo: Editora Madras, 2007.
SARACENI, Rubens. Orixás: Teogônia de Umbanda. São Paulo: Editora Madras, 2005.
SARACENI, Rubens e XAMAN, Mestre. Os Decanos: Os Fundadores, Mestres e Pioneiros da Umbanda. São Paulo: Editora Madras, 2003.
SARACENI, Rubens. Doutrina e Teologia de Umbanda. São Paulo: Editora Madras, 2008

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sexta-feira, 11 de abril de 2014

A História da Umbanda Sagrada.

A Umbanda deve a sua existência à Zélio Fernandino de Moraes. Ele nasceu no dia 10 de abril de 1891, no distrito de Neves, município de São Gonçalo - Rio de Janeiro. Aos dezessete anos, quando estava se preparando para servir as Forças Armadas através da Marinha, aconteceu um fato curioso: começou a falar em tom manso e com um sotaque diferente da sua região, parecendo um senhor com bastante idade.
A princípio, a família achou que houvesse algum distúrbio mental e o encaminhou ao seu tio, Dr. Epaminondas de Moraes, Diretor do Hospício de Vargem. Após alguns dias de observação e não encontrando os seus sintomas em nenhuma literatura médica, sugeriu à família que o encaminhassem a um padre para que fosse feito um ritual de exorcismo, pois desconfiava que seu sobrinho estivesse possuído pelo demônio. Procuraram, então, também um padre da família que após fazer ritual de exorcismo não conseguiu nenhum resultado.
Tempos depois Zélio foi acometido por uma estranha paralisia, para o qual os médicos não conseguiram encontrar a cura. Passado algum tempo, num ato surpreendente Zélio ergueu-se do seu leito e declarou: "Amanhã estarei curado". No dia seguinte começou a andar como se nada tivesse acontecido. Nenhum médico soube explicar como se deu a sua recuperação. Sua mãe, D. Leonor de Moraes, levou Zélio a uma curandeira chamada D. Cândida, figura conhecida na região onde morava e que incorporava o espírito de um preto velho chamado Tio Antônio.
Tio Antônio recebeu o rapaz e fazendo as suas rezas lhe disse que possuía o fenômeno da mediunidade e deveria trabalhar com a caridade. O Pai de Zélio de Moraes, Sr. Joaquim Fernandino Costa, apesar de não frequentar nenhum centro espírita , já era um adepto do espiritismo, praticante do hábito da leitura de literatura espírita . No dia 15 de novembro de 1908, por sugestão de um amigo de seu pai, Zélio foi levado a Federação Espírita de Niterói. Chegando na Federação e  convidados por José de Souza, dirigente daquela Instituição, sentaram-se à mesa. Logo em seguida, contrariando as normas do culto realizado, Zélio levantou-se e disse que ali faltava uma flor. Foi até o jardim apanhou uma rosa branca e colocou-a no centro da mesa onde realizava-se o trabalho.
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Tendo-se iniciado uma estranha confusão no local, ele incorporou um espírito e simultaneamente diversos médiuns presentes apresentaram incorporações de caboclos e pretos velhos. Advertidos pelo dirigente do trabalho, a entidade incorporada no rapaz perguntou:
"Por que repelem a presença dos citados espíritos, se nem sequer se dignaram a ouvir suas mensagens? Seria por causa de suas origens sociais e da cor?"
Após um vidente ver a luz que o espírito irradiava perguntou:
" Por que o irmão fala nestes termos, pretendendo que a direção aceite a manifestação de espíritos que, pelo grau de cultura que tiveram quando encarnados, são claramente atrasados? Por que fala deste modo, se estou vendo que me dirijo neste momento a um jesuíta e a sua veste branca reflete uma aura de luz? E qual o seu nome meu irmão?"
Ele responde: "Se julgam atrasados os espíritos de pretos e índios, devo dizer que amanhã estarei na casa deste aparelho, para dar início a um culto em que estes pretos e índios poderão dar sua mensagem e, assim, cumprir a missão que o plano espiritual lhes confiou. Será uma religião que falará aos humildes, simbolizando a igualdade que deve existir entre todos os irmãos, encarnados e desencarnados. E se querem saber meu nome que seja este: Caboclo das Sete Encruzilhadas, porque não haverá caminhos fechados para mim."
O vidente ainda pergunta: "Julga o irmão que alguém irá assistir a seu culto?"
Novamente ele responde: "Colocarei uma condessa em cada colina que atuará como porta-voz, anunciando o culto que amanhã iniciarei."
Depois de algum tempo todos ficaram sabendo que o jesuíta que o médium verificou pelos resquícios de sua veste no espírito, em sua última encarnação foi o Padre Gabriel Malagrida.
No dia 16 de novembro de 1908, na Rua Floriano Peixoto, nº 30, em Neves, São Gonçalo - RJ, aproximando-se das 20:00 horas, estavam presentes os membros da Federação Espírita , parentes, amigos e vizinhos e do lado de fora uma multidão de desconhecidos. Pontualmente às 20 horas o Caboclo das Sete Encruzilhadas desceu e usando as seguintes palavras iniciou o culto: "Aqui inicia-se um novo culto em que os espíritos de pretos velhos africanos, que haviam sido escravos e que desencarnaram não encontram campo de ação nos remanescentes das seitas negras, já deturpadas e dirigidas quase que exclusivamente para os trabalhos de feitiçaria, e os índios nativos da nossa terra, poderão trabalhar em benefícios dos seus irmãos encarnados, qualquer que seja a cor, raça, credo ou posição social. A prática da caridade no sentido do amor fraterno será a característica principal deste culto, que tem base no Evangelho de Jesus e como mestre supremo Cristo."
Após estabelecer as normas que seriam utilizadas no culto e com sessões diárias das 20 às 22 horas, determinou que os participantes deveriam estar vestidos de branco e o atendimento a todos seria gratuito. Disse também que estava nascendo uma nova religião e que chamaria Umbanda. O grupo que acabara de ser fundado recebeu o nome de Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade e o Caboclo das Sete Encruzilhadas disse as seguintes palavras: "Assim como Maria acolhe em seus braços o filho, a tenda acolherá aos que a ela recorrerem as horas de aflição; todas as entidades serão ouvidas, e nós aprenderemos com aqueles espíritos que souberem mais e ensinaremos aqueles que souberem menos e a nenhum viraremos as costas e nem diremos não, pois esta é a vontade do Pai."
Ainda respondeu perguntas de sacerdotes que ali se encontravam em latim e alemão. Caboclo foi atender um paralítico, fazendo este ficar curado. Passou a atender outras pessoas que havia neste local, praticando suas curas. Nesse mesmo dia incorporou um preto velho chamado Pai Antônio, aquele que, com fala mansa, foi confundido como loucura de seu aparelho e com palavras de muita sabedoria e humildade e com timidez aparente, recusava-se a sentar-se junto com os presentes à mesa dizendo as seguintes palavras: "Nêgo num senta não meu sinhô, nêgo fica aqui mesmo. Isso é coisa de sinhô branco e nêgo deve arrespeitá."
Após insistência dos presentes fala: "Num carece preocupá não. Nêgo fica no toco que é lugá di nêgo."
Assim, continuou dizendo outras palavras representando a sua humildade. Uma pessoa na reunião pergunta se ele sentia falta de alguma coisa que tinha deixado na terra e ele responde: "Minha caximba, nêgo qué o pito que deixou no toco. Manda mureque busca."
Tal afirmativa deixou os presentes perplexos, os quais estavam presenciando a solicitação do primeiro elemento de trabalho para esta religião. Foi Pai Antônio também a primeira entidade a solicitar uma guia, até hoje usadas pelos membros da Tenda e carinhosamente chamada de "Guia de Pai Antônio".
No outro dia formou-se verdadeira romaria em frente a casa da família Moraes. Cegos, paralíticos e médiuns que eram dado como loucos foram curados. A partir destes fatos fundou-se a Corrente Astral de Umbanda. Após algum tempo manifestou-se um espírito com o nome de Orixá Malê, este responsável por desmanchar trabalhos de baixa magia, espírito que, quando em demanda era agitado e sábio destruindo as energias maléficas dos que lhe procuravam.
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Dez anos depois, em 1918, o Caboclo das Sete Encruzilhadas, recebendo ordens do astral, fundou sete tendas para a propagação da Umbanda, sendo elas as seguintes: Tenda Espírita Nossa Senhora da Guia, Tenda Espírita Nossa Senhora da Conceição, Tenda Espírita Santa Bárbara, Tenda Espírita São Pedro, Tenda Espírita Oxalá, Tenda Espírita São Jorge e Tenda Espírita São Jerônimo. 
Enquanto Zélio estava encarnado, foram fundadas mais de 10.000 tendas a partir das mencionadas acima. Zélio nunca usou como profissão a mediunidade, sempre trabalhou para sustentar sua família e muitas vezes manter os templos que o Caboclo fundou, além das pessoas que se hospedavam em sua casa para os tratamentos espirituais, que segundo o que dizem parecia um albergue. Nunca aceitar a ajuda monetária de ninguém era ordem do seu guia chefe, apesar de inúmeras vezes isto ser oferecido a ele. O ritual sempre foi simples.
Nunca foi permitido sacrifícios de animais. Não utilizavam atabaques ou qualquer outros objetos e adereços. Os atabaques começaram a ser usados com o passar do tempo por algumas das Tendas fundadas pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, mas a Tenda Nossa Senhora da Piedade não utiliza em seu ritual até hoje. As guias usadas eram apenas as determinadas pelas Entidades que se manifestavam. A preparação dos médiuns era feita através de banhos de ervas e do ritual do amaci, isto é, a lavagem de cabeça onde os filhos de Umbanda fazem a ligação com a vibração dos seus guias.
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Após 55 anos de atividade, entregou a direção dos trabalhos da Tenda Nossa Senhora da Piedade a suas filhas Zélia e Zilméia, as quais até hoje os dirigem.
Mais tarde, junto com sua esposa Maria Isabel de Moraes, médium ativa da Tenda e aparelho do Caboclo Roxo, fundaram a Cabana de Pai Antonio no distrito de Boca do Mato, Cachoeira do Macacu - RJ. Eles dirigiram os trabalhos enquanto a saúde de Zélio permitiu. Faleceu aos 84 anos, no dia 03 de outubro de 1975.
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Dia 16 de setembro de 2010, faleceu Dona Zilméia de Moraes, a única dos quatro filhos de Zélio de Moraes, fundador da Umbanda, que ainda estava encarnada. Fica mais órfã a Umbanda a partir de agora. Deixamos aqui nossa homenagem a essa querida e doce mãe de santo. Saravá!
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* Esse texto foi extraído do livro: Magia dos Orixás.