segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Cacique Tartaruga

Esse índio Kaimbé viveu às margens do encontro das duas águas. As águas da Mãe Sereia Iara encontravam o Grande Reino das Águas. Nesse encontro das águas, habitavam muitas criaturas sob a proteção de todos os Pais e de todas as Mães.
Cacique Tartaruga recebeu esse nome quando era um Nhu Turê ou Turerê (criança-menino), porque ele cuidava de Kukã (tartaruga). Quando elas emergiam das areias logo após a eclosão dos ovos, o indiozinho protetor das tartarugas corria para ajudá-las, na tarefa de chegar ao mar.
Quando adulto, Tartaruga assumiu a Chefia da Aldeia como Cacique. Ele recebeu uma missão do Pajé: preservar toda a vida contra a invasão do homem branco. O Pajé viu em sonho o que esse novo habitante faria à Grande Terra.
O homem que vinha do outro lado do Grande Reino das Águas, era feroz igual fera selvagem e devastador igual força das tempestades. Sua necessidade de destruir seria como a fome das formigas gigantes famintas. Ele faria mal a todos os filhos da Terra.
Cacique Tartaruga olhava todos os dias o Grande Reino das Águas com medo da grande fera que viria para destruir a Terra de seus Ancestrais. Ele pedia ao Pai Céu (Wamama) que afastasse esse invasor... Mas, Cacique Tartaruga sabia que se o destino avisa ele já cumpriu (Wanhimi ui eré)!
Passaram os anos e Cacique Tartaruga viu o dia em que o homem branco pisou na areia onde as tartarugas andaram... Ele sentiu a devastação entrar em seu espírito, porque um sopro forte do vento lhe sacudiu as forças.
Doeu seu corpo quando percebeu na voz desse ser o desprezo por sua gente. Eles olharam para sua Tribo como caçadores olham para a caça. Eles gesticularam porque sua linguagem era diferente.
Cacique Tartaruga tentou compreender o homem branco e pensou que podia mudar o destino. Foi gentil, ofereceu comida e agrados. Recebeu algumas coisas esquisitas como sinal de paz. Pensou que enganou o destino... Mas, o destino jamais pode ser enganado!
O que se seguiu depois, os livros de História nunca contaram... Alguns sabem a verdade e outros fingem desconhecer os acontecimentos. Os poucos índios da Tribo Kaimbé que ainda restam, tentam preservar um restinho de sua origem.

quinta-feira, 18 de julho de 2019

Caboclo Arruda

"Eu nasci no Alto Amazonas, no tempo em que o Brasil não tinha divisões. Minha Tribo pertencia à Etnia Garibi; também conhecida por Galibi do Uaçá ou, ainda, Galibi-Marworno.
Nós vivíamos próximo ao Grande Rio do Norte, no meio da Floresta Nativa. Minha mãe era uma pequena índia em idade de casar. Estava sendo preparada na Grande Oca das Cerimônias, quando nossa Aldeia foi invadida por homens brancos. Houve uma grande luta sangrenta. Muitos membros da tribo morreram...
Aquela que seria minha mãe, foi arrancada da Oca durante a luta. Ela foi levada até a mata e violada. Quando a encontraram, sangrava muito e estava desacordada.
Durante a batalha, um dos pequeninos da Tribo escapou e foi atrás de ajuda nas Aldeias vizinhas. Aos poucos, os índios se reagruparam e conseguiram vencer a luta.
Após a invasão, nossa Tribo ficou desprotegida. Os sobreviventes fizeram a cerimônia aos mortos e recolheram o que podiam na Aldeia. Em poucos dias estavam se mudando para outra Aldeia, mais ao norte da Grande Floresta Mãe.
Alguns feridos ficaram doentes e foram carregados em redes suspensas. Minha futura mãe permanecia desacordada. Durante dias ardeu em febre...
Quando chegaram ao local escolhido pelo Grande Pai que Governa Tudo, estabeleceram a nova Aldeia. Aquela que seria minha mãe, continuava adoecida. Então, o novo Cacique determinou ao futuro Pajé que a curasse.
Esse Pajé embrenhou-se nas matas e voltou com umas plantas de cheiro forte. Separou-as em duas partes. Com metade das plantas fez um caldo macerado e banhou o corpo doente. Com a outra parte fez uma fervura e lhe deu de beber. Em pouco tempo, a pequena índia que seria minha mãe reagiu.
Todos os dias, o futuro Pajé retornava ao local das plantas de cheiro forte e repetia o tratamento. Com o passar dos dias ela foi melhorando e em pouco tempo despertou...
Aquele que seria seu marido havia sido morto em batalha. Como ela era uma índia sem casamento mas, impura pelas mãos de um homem estranho, nossa Aldeia podia votar e decidir seu destino.
Na Grande Lua Nova, a Tribo decidiu que a pequena índia teria que partir... Eu já estava em seu ventre e todos sabiam. Mesmo as ervas fortes não me tiraram a vida. Então, o Cacique falou em nossa língua: "Criança mestiça quer viver e ele não é um de nós. Mãe deve partir!"
Minha mãe procurou o local das ervas de cheiro forte e engoliu muitas delas, pra ver se eu deixava seu corpo. Mas, eu fui insistente. Quanto mais ervas fortes ela consumia, mais eu sobrevivia. Então, ela partiu, no dia em que o sol e a lua se encontraram por alguns instantes.
Quando o Cacique viu o Sol e a Lua juntos, refletiu e falou: "Essa criança é filha do Sol e da Lua e eles querem que ela fique. Vão buscar a índia pequena."
Poucos meses depois eu nasci. Dizem que meu tamanho e minha força surpreendeu a todos. No dia da escolha do meu nome, todos decidiram: "Filho da Erva de Cheiro Forte".
Minha mãe e eu fomos morar com aquele que passou a ser o Pajé da Tribo, para lhe ajudar e aprender... Eu fui um índio normal, até esqueci que era um mestiço, porque todos me tratavam muito bem. Aprendi com o Pajé todas as práticas e rituais da Tribo, enquanto eu lhe auxiliava.
Quando fiquei adulto, permaneci ajudando o Pajé e jamais casei. Minha mãe morreu cedo, por conta das agressões que sofreu naquele dia. O Pajé se tornou um pai, quando me criou...
Nossa Aldeia ficou protegida do homem branco e durante minha existência jamais vi qualquer um deles. Eu sabia, apenas, que meu sangue era "metade Sol e metade Lua". Por ser impuro (gerado a partir de uma agressão) e filho de mãe sem pai, jamais pude assumir qualquer função maior na Tribo.
Quando o Pajé se mudou para o Reino dos Espíritos, eu prossegui em minha função, auxiliando o novo Pajé. Vivi minha vida dessa forma, até que o Grande Espírito me chamou para o seu Reino. Parti em paz, dormindo em minha Oca..."

sexta-feira, 28 de junho de 2019

Acompanhante Espiritual

Wilhelm Kotarbinski.Evening Silence. | Art, Painting, Perfume oilsThe Comfort of the Fog, signed W.Kotarbinsky.( lower right). 101 x ...

Acompanhante Espiritual é um Espírito "amigo", com ou sem parentesco, que acompanha o encarnado com a firme intenção de ajudar. Nada tem a ver com obsessor. Obsessores são Espíritos vingativos, carregados de ódio, mágoa e rancor. Sua intenção maior é destruir a vida do encarnado.
No Plano Espiritual existem diversas Leis que devem ser obedecidas e que regem a Harmonia da Vida. Tanto a Vida Carnal, quanto a Vida Espiritual, devem seguir essas Leis, para que o Equilíbrio entre os Mundos seja mantido.
Muitos Acompanhantes Espirituais ignoram essas Leis, no sentido de querer ajudar... Eles são considerados "espíritos sem doutrina", porque desobedecem as Leis. Esses Espíritos devem ser atendidos, recolhidos e levados às Colônias Espirituais de apoio.
Um Acompanhante Espiritual até pode se tornar um Guia, desde que passe por uma preparação e por um treinamento especial. Um Guia Espiritual é um Protetor, alguém que foi preparado para esse propósito. A finalidade do Guia é proteger, aconselhar e auxiliar o seu médium.
Dentro de um Trabalho Espiritual existe o Médium, o Guia Espiritual, a Equipe Socorrista e a Equipe de Apoio. Ou seja, durante o passe, muitos trabalhadores espirituais estão presentes para garantir o bom andamento dos atendimentos mediúnicos.
Por isso, quando uma pessoa entra no Terreiro com um Acompanhante Espiritual indesejado, o mesmo é atendido e encaminhado para se tratar... Caso o acompanhante seja um Espírito Familiar de bem, este é aconselhado e recebe auxílio. Muitos Espíritos de Antepassados (Eguns) acompanham seus familiares, porque querem evitar que o encarnado cometa os mesmos erros que ele cometeu em suas vidas pregressas. Isso, porém, significa interferir no Livre Arbítrio.
O Livre Arbítrio é uma dádiva ofertada por Deus ao Ser Humano. Livre Arbítrio é a Lei que permite a cada um decidir sobre o que fazer com sua vida. Tanto os Espíritos, quanto nós Seres Humanos, possuímos o direito de agir conforme nosso Livre Arbítrio. Esse direito nos permite querer ou afastar o Acompanhante Espiritual.
Por isso, quando nos mantemos firmes em nossa fé, nossas ações impedem qualquer aproximação indesejada. Mesmo que ela nos pareça boa, a princípio...

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sábado, 8 de junho de 2019

Vaqueiros e Boiadeiros


Tanto os Vaqueiros, quanto os Boiadeiros, são espíritos de pessoas que, em vida trabalharam com o gado em fazendas diversas. Essas Entidades trabalham da mesma forma que os Caboclos nas Giras de Umbanda... 
Eles usam canções antigas que expressam o trabalho e a vida simples dos peões. Com seus trejeitos e apetrechos, demonstram a força do trabalho manual. Como ensinamento principal está o respeito que esses Espíritos demonstram pelas Leis da Natureza. Eles conhecem as agruras da vida... Por isso, são: excelentes domadores de espíritos obsessores; exímios na arte de desmanchar amarrações; eficazes em quebrar feitiços.
Nos seus pontos riscados usam velas, fumos e símbolos da sua época, como: laços, berrantes, esporas, chapéus, lenços, entre outros complementos. Suas rezas são fortes e servem para todos os fins. Em geral, são espíritos de bandeirantes, vaqueiros, posseiros, capatazes, cangaceiros, boiadeiros, domadores e tantos outros, que lidaram com animais de montaria ou para alimentação.
Em suas incorporações são velozes, com rodopios e gestos fortes. Emitem assovios, batem os pés e acenam com o chapéu, demonstrando o que faziam em seu trabalho. Apresentam o aspecto rude de um trabalhador braçal, sem rodeios em suas considerações. Por serem determinados, concentram seus esforços na vontade de trabalhar pelo bem comum.
Quando bradam alto e gesticulam rápido, com tom de ordem, estão ordenando aos espíritos indesejados que se retirem. Assim, limpam o ambiente para a prática da caridade, mantendo o trabalho em ordem. A presença de espíritos desordeiros interfere no bom andamento dos atendimentos. Esses espíritos obedecem aos Boiadeiros, pela demonstração de coragem que os mesmo transmitem. Outra função do Boiadeiro é manter a disciplina das pessoas dentro do Terreiro.
A Falange dos Boiadeiros e dos Vaqueiros pode atuar em qualquer uma das Sete Linhas de Umbanda. Apesar de estarem mais ligados à atuação de Ogun e de Oxóssi, por conta da vibração, Eles podem trabalhar com todos os elementos dos Orixás. Isso quer dizer que, nas Giras do Terreiro, podem incorporar "Boiadeirinhos" ou Vaqueiros de todas as idades.
Antigamente, as mulheres tinham pouca participação na lida com o gado e na vida do Cangaço. Mesmo assim, elas estiveram presente e marcaram a história, desde o Sul até o Nordeste Brasileiro. As Peoas e as Canganceiras também podem se apresentar para o trabalho e atuar nas Giras.
Quem possui um Boiadeiro ou Vaqueiro atuando de frente, possui um Guia dedicado e um Protetor fiel. Isso porque, eles costumam proteger seus médiuns nas situações perigosas, encorajando-os nas adversidades. Amparando e sustentando, Eles auxiliam o médium a superar os percalços do caminho.
Sua saudação é: "Xetro, Morumbá Xetro... Xetro Ah!" (Em Iorubá: Setroá Moru Mbá!) As pessoas escrevem erroneamente "Marumba" ou "marrumba", por conta da pronúncia. Mas, Morumbá vem do Iorubá Moru Mbá, que significa: manifestação. Xetro ah!, vem de setruá (o s em Iorubá tem o som de x) e significa: conjunto. Portanto, a tradução literal é "Conjunto de Manifestações." Por que conjunto? Porque um boiadeiro nunca vem só, ele sempre anda acompanhado de seu grupo.

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segunda-feira, 27 de maio de 2019

Pombagirinha de Oxum

Ela nasceu entre os excluídos, nas ruas de Londres. Era o ano de 1623. Sua mãe a colocou na Roda dos Enjeitados, para que ela fosse criada por uma família de bem e tivesse um destino diferente do seu... Mas, quis o destino que sua vida seguisse o mesmo caminho e quem a adotou nada tinha de bom em seu coração.
Desde o começo sofreu maus tratos e recebeu castigos diversos. Apanhou muito daqueles a quem mais amou e considerou. Quando completou oito anos, seu pai adotivo a violentou... Mesmo assim, em seu coração uma canção sempre tocava, talvez aquela que ouviu no útero, enquanto sua mãe a aguardava. Nos momentos de angústia, tristeza e solidão, lembrava de ter ouvido falar de uma mãe muito amorosa chamada Maria. Então, clamava por proteção a essa mãe que nem conhecia...
Sempre imaginou que tudo poderia mudar; então, inventou um outro mundo, onde ela poderia ser feliz. Nesse mundo imaginário, não havia dor ou sofrimento; as pessoas eram amorosas e respeitavam umas às outras. No seu mundo ela seria alguém capaz de ajudar os outros e receberia gratidão em troca.
Ela tinha um nome que pouco era pronunciado, porque lhe diziam outros nomes pouco apreciáveis. Mas, ela gostava de seu nome e quando podia dizia-o para si mesma para não esquecê-lo. Então, repetia: Melissa, eu sou Melissa.
Uma vez ela viu a planta que lhe deu o nome e sentiu seu aroma. E pensou: um dia eu serei cheirosa como essa flor. E assim viveu nossa pequena flor de coração entristecido até o dia em que adoeceu gravemente e foi abandonada para morrer...
Quando ela partiu para outra vida, com seus oito anos, apenas, partiu sorrindo porque ia encontrar a Mãezinha Amorosa que ela tanto amou sem conhecer... Em sua nova vida, no outro mundo, recebeu carinho, conforto e atenção de pessoas estranhas. Descobriu que não era mais uma pessoa, era um espírito, agora.
Não entendia nada de espíritos, porque só tinha ouvido falar das almas penadas. E pensou: Será que sou uma alma penada? A moça que lhe cuidava sorriu e respondeu: Meu anjo, almas penadas são espíritos sofredores e você não está sofrendo... Seu coração é puro, minha flor. E Melissa refletiu: Eu sou uma flor. E sorriu...
No lugar onde estava tudo era muito diferente daquilo que imaginou... e muito melhor! Ela fez amigos e estudou - ela nunca tinha estudado! Achou ótimo estudar! Aprendeu um monte de coisas. A moça que sempre conversava com ela, falou que se chamava Maria e ela pensou: Será que é a Maria que eu amo tanto? A moça sorriu e respondeu: Não, meu anjo, eu trabalho pra essa Maria que você tanto ama. E contou a história dela e de Jesus. Depois falou: Mamãe Maria é nossa Protetora. Em nosso Reino existem muitos trabalhadores e uma hierarquia muito grande. Cada Reino possui um responsável, que cuida e protege a todos. Esse Protetor é chamado Orixá. Ele comanda muitos trabalhadores, que trabalham ajudando as pessoas na Terra. Melissa pensou e falou: Isso, é isso que quero fazer, ajudar... Maria sorriu e falou: Então, vou preparar você para ajudar os outros e você será um Espírito Guia. Melissa pensou: Gostei de ser chamada de Espírito Guia. Melhor que ser Alma Penada. E riu dela mesma... Maria riu também das suas considerações.
Melissa foi preparada, instruída e orientada. Recebeu o nome de sua Falange: Pombagirinha Maria das Dores. Pombagirinha, porque ela guardava o mistério da dor. Maria das Dores para representar sua falange e a Orixá que lhe comandava. Soube depois que seria Oxum e que ela representava a água. Isso era bom... Melissa amava a água. Foi dessa forma que surgiu a Pombagirinha Maria das Dores, trabalhadora amorosa do Reino de Mamãe Oxum.

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segunda-feira, 20 de maio de 2019

A história de "Mãe Preta do Congá"...

"Vocês podem me chamar de Mãe Preta ou Mãe Pretinha... Carrego esse nome com orgulho, porque ele me libertou e me religou ao meu passado de africana.
Eu nasci na África do Sul, entre os anos de 1723 e 1725. Naquela época não era costume prestarmos atenção em datas. Costumávamos olhar o sol, a lua e as estrelas. E também olhávamos os movimentos das águas e dos animais, para sabermos se haveria seca.
Meu pai era um Nganga da Tribo Ngangela. Nossa tribo vivia a princípio ao sul do Continente Africano. Depois, com as invasões e perseguições dos Europeus, adentramos o Continente e nos mudamos.
Por isso, hoje em dia, quando vocês estudam nosso povo, percebem a extinção de muitas raças e a migração de muitas tribos, para outros territórios...
Nós éramos um povo coletor e caçador. Coletávamos o alimento nos bosques. E também caçávamos. Andávamos nus e vivíamos em pequenas casas, construídas com cipós e capim. Vivíamos com simplicidade, alegria e fartura.
Mas, um dia tudo mudou... Eu estava com sete anos de idade, quando homens estranhos chegaram com gaiolas, cordas e armas. Nossa tribo era pacífica e nem percebeu o que estava acontecendo!
Alguns de nós tentaram resistir ou fugir... Meu pai lutou e foi morto e minha mãe foi enjaulada. Todos fomos caçados e enjaulados como animais! 
Deixarei de narrar todo o horror de nosso transporte até a terra de vocês, porque ainda sinto tristeza quando relembro essa parte...
Quando chegamos ao vosso Continente, muitos de nós haviam morrido ou estavam fracos e desnutridos. Aqueles que sobreviveram foram considerados fortes e capazes. Eu sobrevivi, só que me senti a pior das criaturas!
Todos nós fomos separados e comercializados em praça pública... Um espetáculo grotesco e repugnante! Exibidos como cavalos de raça, que mostram os dentes e os cascos para demonstrar sua capacidade. 
Me perdoem a observação. Sinto dor ao pensar que seres humanos comercializam outros seres humanos. E também sinto dor, por todos os absurdos que a humanidade comete e cometeu em nome da superioridade.
Prosseguindo: minha mãe morreu na viagem de doença e tristeza. Eu cheguei à essa terra e fui comprada por um rico mercador de joias.
Ele vivia com a esposa e filhos na região de Ouro Preto, em Minas Gerais. Assim que cheguei, passei a ser sua serva pessoal e escrava sexual.
Fui alojada junto com outros escravos num cômodo ao lado da casa. Ninguém falava minha língua, pois éramos todos de etnias diferentes. Para nos comunicar usávamos gestos e sinais.
Cada vez que o mercador saía para negociar me levava com ele. Assim vivi dez anos, até engravidar e ser vendida por sua esposa a um outro dono.
Minha nova casa era uma fazenda distante e meu novo proprietário era mais gentil. Fui colocada junto aos outros escravos, onde as acomodações eram melhores do que minha antiga residência. A comida também era melhor...
Ali, nesse lugar, tive meu filho, um mestiço de olhos amendoados, a quem dei o nome de José. Eu já entendia a língua e compreendia os costumes.
Eu ainda não sabia onde estava... Mas, depois de um ano descobri que era em um lugar chamado Campinas.
Passei a trabalhar na lavoura de cana-de-açúcar e no engenho. O trabalho preencheu meu tempo e os anos voaram...
Meu novo patrão nunca me encostou e eu o agradeço por isso. Eu nunca casei... Os anos de servidão sexual me bastaram suficientemente.
O tempo passou e eu permaneci naquela fazenda até o final de meus dias. Foi bom, porque ali, pelo menos, recebíamos um tratamento melhor.
Meu filho José cresceu e passou a me ajudar na lavoura. Com o tempo lhe ensinei os costumes de nossa gente e lhe contei tudo o que eu sabia...
Falei de nossa terra, de nossa tribo e de nossos antepassados. Ensinei a ele o que meus pais me ensinaram... Ensinei José a ser um Ganga (Nganga).
Desde que recordei os costumes de meu povo, decidi atender a todos que me procuravam...
Eu fazia unguentos, chás e emplastros para tratar feridas ou machucados. E também benzia... E foi a partir desse momento que fiquei conhecida como 'Mãe Preta'.
Atendi todos os dias do resto da minha vida. E só parei de atender no dia em que fechei os olhos para esse Mundo."

quarta-feira, 15 de maio de 2019

ACOLHIMENTO


A palavra de hoje é: acolhimento. Acolher significa receber bem, com generosidade e hospitalidade. O bom médium sabe que precisa recepcionar com carinho todo aquele que o procura. Porque aquele que procura atendimento, procura alívio para sua dor e aconselhamento para seu problema.
Atender imparcialmente foi o maior ensinamento que o Mestre nos deixou! Em todo lugar existem pessoas boas ou ruins. Isso é um fato. Então, se nos preocuparmos com as pessoas de caráter ruim, jamais atenderemos as pessoas de boa índole.
Precisamos, antes de mais nada, observar com atenção nossas imagens no altar... Tanto a imagem de Oxalá, quanto a imagem de Iemanjá, estão com os braços estendidos em sinal de acolhida. Eles acolhem seus filhos!
A Umbanda nos deixou esse legado: acolher qualquer pessoa ou espírito que nos procure. Precisamos nos encher de receptividade e amorosidade. Ao preenchermos nossos Congás de bons sentimentos, conseguiremos cumprir nossa missão com paz e harmonia. Seremos mensageiros fiéis de Zambi.
Nossos ambientes precisam estar preenchidos de fé, esperança e amor. Nossas atitudes devem refletir os Ensinamentos Sagrados. Nossas ações devem demonstrar a equidade de nosso compromisso elevado.
Veja quanta humildade existe por trás daquele que nos pede auxílio, seja ele um ser encarnado ou um ser desencarnado! Portanto, como podemos rejeitar ajuda a quem quer que seja?!
Portanto, médiuns, jamais esqueçam do comprometimento. Porque antes de tudo e mais nada, está a missão assumida por cada um de vocês!

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domingo, 12 de maio de 2019

Baba Yaga

Vasilisa | Fairytale art, Fairytale illustration, Fairy tales

Baba Yaga ou Yadviga é uma Entidade considerada por muitos como um Ser Sobrenatural que vive no meio das Florestas. Alguns a chamam de Bruxa, outros lhe chamam de Feiticeira... Nas Nações Africanas elas são chamadas de Iya Mi Oxorongá.
Existem inúmeras lendas sobre essas Entidades, que passaram de geração em geração e cresceram... Cada lenda possui características próprias de sua região e de seu povo. Mas, em todas elas temos um ponto em comum: as crianças.
As Bruxas (Baba Yaga ou Iya Mi Oxorongá) foram consideradas, durante séculos, como seres devoradores de crianças. Na maioria das histórias, elas capturavam e matavam os pequeninos. Em algumas dessas histórias, elas até se alimentavam do sangue ou do coração de suas vítimas.
Baseados em todas essas crenças, muitas pessoas perseguiam e matavam as mulheres que agiam diferente dos padrões da Sociedade. A grande maioria delas, eram apenas benzedeiras, que se isolavam no meio das Florestas para viverem em paz.
Naquela época, os crimes contra a inocência ocorriam de forma velada nos lares de muitas famílias. Pais abusadores escondiam-se na pele de pessoas de bem. Quando as crianças conseguiam fugir, pediam socorro e eram atendidas pela piedade dessas mulheres...
Essas crianças, sentiam-se confortáveis na presença dessas mulheres estranhas e, por isso, evitavam voltar para casa. Por que retornariam para o lar de seus agressores?
As autoridades locais conheciam a verdade, mas encobriam os fatos com histórias distorcidas da realidade. Enquanto pessoas inocentes eram levadas à fogueira, os verdadeiros culpados mantinham-se impunes!
As mães que denunciavam seus maridos, as benzedeiras que tratavam das feridas e as parteiras que tiravam os fetos incestuosos... Essas mulheres eram perseguidas de todas as maneiras! Torturadas, massacradas e condenadas, simplesmente, por saberem demais.
Não pensem vocês que as coisas mudaram... Se as Baba Yaga nos acompanham até hoje, cobrando um preço pela justiça perdida, é porque ainda existem os violentadores dentro de diversos lares, dentro de inúmeras Igrejas, dentro da Política e da Polícia.
Os violentadores são silenciosos e ardilosos. Os verdadeiros violentadores falam bonito, vestem-se bem e vivem em nossa Sociedade como pessoas de bem. Eles podem ser qualquer um... Por isso, tenha cuidado!
As Baba Yaga temem por nossas crianças! Elas querem proteger os pequeninos... Mas, elas são apenas Seres Sobrenaturais que necessitam de seus médiuns para defender a pureza infantil.
Afinal, elas são as Grandes Mães Ancestrais, as Defensoras da Vida e da Morte. Elas representam nossa a Ancestralidade. Elas são as Iya Mi Oxorongá!

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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Eguns sem Luz

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"Eu sou um desses Eguns sem Luz que tanto falam por aí... Um Egun sem Luz é o mesmo que um Egun Esquecido ou um Egun Indigente. Pelo menos eu era até vocês lerem essa postagem. A partir desse momento, poderei ser um Egun Lembrado ou Egun com Luz.
Estou aqui para fazer algumas explanações, já que recebi permissão para isso. Egun, pra quem ainda não sabe, é o mesmo que Espírito de Antepassado ou Espírito Ancestral. E todos vocês têm um ou mais Eguns lhes acompanhando, porque todos vocês possuem parentes, amigos ou afetos falecidos. A Árvore Genealógica de vocês está cheia de Eguns perdidos, desaparecidos, esquecidos, lembrados, honrados, cultuados, apagados, ignorados, apaziguados ou revoltados.
E agora, sinto em lhes informar que um dia vocês também serão Eguns! Resta saber se vocês serão Eguns com Luz ou Eguns sem Luz. Porque tudo vai depender da maneira como vocês estão conduzindo as suas vidas nesse instante. E a maioria de vocês está fugindo da missão assumida... Dessa forma, será muito fácil tornar-se um Egun sem Luz esquecido.
Vocês ficam com medo dos Eguns. Tremem quando falam deles e pensam: "Nossa! Eguns! Que coisa horrível..." E imaginam uns monstros a perambular e a perturbar os outros. Pensam que Eguns são iguais a Zumbis. Primeiramente, Egun não perambula, porque Egun fica no Vale dos Mortos e não tem permissão para sair; a não ser que receba essa permissão. Então, ele deixa de ser Egun sem Luz e passa a ser um Egun com Luz, que é um Egun Lembrado. Ou seja, uma Alma que que está sempre presente e dando comunicação.
Agora, vou esclarecer um fato a vocês: quem obseda vocês são vocês mesmos! É isso mesmo. Ou é auto-obsessão ou pseudo-obsessão, como vocês dizem... Ou é um parente, ou amigo ou até um Guia, querendo chamar a atenção de vocês e acordá-los para a missão que vocês assumiram e não estão cumprindo. Portanto, despertem!
Outra coisa, nada acontece sem a permissão do Pai Maior, nada. Nem mesmo a possessão. É Bíblico. Leiam lá... Se até um "caído" precisa de permissão para fazer qualquer coisa, quanto mais um de nós que trabalhamos para Ele! Por isso, reflitam, quando um espírito começa a atazanar o juízo de outra pessoa, quem está por trás disso? O espírito? A pessoa? Só existe um Ser Maior que tudo no Universo, capaz de permitir que dois inimigos se esbarrem novamente... Esse Ser é Deus (Zambi)!
Até mesmo as maldades que muitos de vocês fazem e que vão pagar mais tarde... Aquelas que vocês usam para prejudicar os outros ou para amarrar alguém (usando os Nomes Sagrados e distorcendo os conhecimentos adquiridos); essas maldades são erradas e vão voltar para vocês, porque serão cobradas com a permissão do Pai Maior. Portanto, minha gente, tudo tem retorno, tudo mesmo!
Eu fui um morto indigente. Enterrado em cova rasa e esquecido. Fiquei dois séculos vagando nos Níveis Inferiores da Perdição. O que eu fiz? Meus pecados feriram os Dez Mandamentos da Lei de Deus. Vocês conhecem os Dez Mandamentos? Já ouviram falar deles? Em qual deles sua dívida é maior? Pense bem... Pois, será nele que seu espírito ficará preso e descerá ao Nível que o corresponde para pagar até esgotar!
Por isso, se vocês esqueceram de Deus, esqueceram da Lei do Retorno e esqueceram dos Dez mandamentos; está na hora de lembrar... Porque nunca é tarde para melhorar! Ainda é tempo de vocês cumprirem a verdadeira missão que lhes foi confiada, sem recorrer a recursos baixos e mesquinhos. Pensem bem: um Egun sem Luz é o mesmo que um Egun Indigente; um Ser abandonado nas trevas da ignorância, esquecido e menosprezado. Um Ser sem esperança de nada.
Somente quando alguém de vocês lembra de nós, quer dizer, reza por nós, voltamos a ter esperança. Se por acaso, um parente distante fica sabendo de nossa existência e decide nos auxiliar, sentimos o amor dessa pessoa e voltamos a ter fé. Cada vez vez que alguém recorda qualquer Ente Falecido, ele sobe um nível e volta a evoluir...
Então, se estamos a nos "corrigir" (depurar) no Terceiro Degrau Negativo ou Purgatório, evoluímos para o Degrau da Limpeza ou Purificação. Depois passamos para o degrau mais próximo de vocês, que é o Degrau do Alívio ou Limbo. Nesse Degrau ficamos aliviados por estarmos próximos da superfície; mas, observamos nossa conduta para entender que jamais devemos errar novamente. Abaixo do Terceiro Degrau Negativo, estão os piores degraus. Aquilo que vocês chamam de "Inferno"... E tudo só piora! Pode ter certeza.
Entenderam que existe o Limbo, o Purgatório, as Zonas Inferiores e o Inferno...? E muitos níveis e subníveis dividindo cada um deles? Por isso, minha gente, descer é fácil; o difícil é subir novamente! O Aiye está chacoalhando vocês. O Orun está evoluindo e tem pressa. Olorun está pedindo... Acordem!"

sábado, 2 de fevereiro de 2019

Pombagira Mirim dos Sete Mares


"Eu me chamo Anna. Ou me chamava, enquanto vivia... Hoje tenho outro nome, um nome que identifica meu trabalho. Eu trabalho a serviço da Mamãe Iemanjá e vivo nas profundezas oceânicas. Mas, minha aparência não é a de uma Sereia ou de uma Ninfa das Águas. Eu tenho a aparência de uma 'Deva' das Águas.
Quando eu estava encarnada (como vocês dizem), minha mãe e eu vivíamos no Cais do Porto de Valência, na Espanha. Minha mãe era uma cigana expatriada, porque ficou grávida de outro homem. O Povo Cigano já é considerado estrangeiro em qualquer Pátria. Então, não sei se vocês sabem, um cigano expatriado é um cigano sem Nação.
Para sobreviver e me criar, minha mãe teve que se prostituir no Cais do Porto. Foi uma vida dura... Quando eu estava com doze anos, minha mãe adoeceu gravemente. Então, para me poupar, ela tomou uma decisão e procurou o capitão de um navio mercante. Ela me entregou a ele...
A partir daquele momento, eu me tornei propriedade daquele homem. Ele me levou para o navio e me colocou em sua cabine. Saiu e voltou horas depois com algumas roupas e um pouco de comida.
O navio partiu no mesmo dia e eu nunca mais vi minha mãe. Durante três meses meu trabalho foi servir aquele homem, de todas as maneiras. No começo foi difícil, mas depois acostumei... Já estávamos em alto-mar e eu tive que aceitar minha nova vida. Quando ele se cansou, me entregou aos marujos e eles puderam se 'divertir' comigo. Nem todos eram asseados ou simpáticos. Muitos eram bastante brutos. A maioria nem se importava por eu ter apenas doze anos.
Quando os marinheiros não estavam me usando em serviços sexuais, eu trabalhava no navio em serviços diversos. Um dos meus serviços era ajudar o cozinheiro do navio, que me solicitava sempre que podia. E assim, se passaram dois anos e eu conheci a vida no mar...
Um dia, comecei a ter os mesmos sintomas que minha mãe tinha, quando estava doente. Eu entendi que ia morrer... Com o tempo me tornei um peso morto, pois deixei de ser útil ao navio. Então, me deixaram em um canto para morrer...
Eu morri. Os marujos enrolaram meu corpo num lençol, amarraram com cordas e jogaram ao mar. Era um costume marítimo, chamado de sepultamento no mar. Como eu era criança e servia ao navio tive esse privilégio. Muitos eram jogados de qualquer jeito e viravam comida de tubarão ou outros peixes.
Achei que minha história tinha acabado e que tudo tinha chegado ao fim, com a minha morte. Pensei que ia sentir os peixes me devorando, mas, acordei em um local encantado, parecia um sonho... Era na água e eu conseguia respirar! Haviam criaturas magníficas mergulhando de um lado a outro, como uma história mágica.
Com o tempo descobri e aprendi muitas coisas... Uma delas é que (nós) somos seres infinitos que vivem múltiplas existências em lugares, também, infinitos. Eu fui convidada pra morar, estudar e trabalhar nesse mesmo lugar em que eu estava. Então, pra mim, ali era o Paraíso!
Mais tarde, me disseram, que aquilo era uma Colônia Espiritual. Na hora, não entendi muito bem o que era isso, já que eu nunca tinha ouvido falar de Espiritualidade. Eu só sabia da existência de Deus, de Jesus e de Maria porque minha mãe me falou antes de morrer...
Eu recebi permissão para repassar a vocês o que me ensinaram e o que aprendi nesse tempo todo em que estou aqui... As Colônias Espirituais se localizam em 4 Reinos: Reino Aquático, Reino Terreno, Reino Intra-terreno e Reino Aéreo. Dentro desses Reinos estão distribuídos todos os trabalhadores espirituais, de acordo com a missão assumida por cada um deles.
O Reino Aquático localiza-se tanto onde existem mananciais de água doce, de água salgada, de água salobra, de água mineral ou de outras águas... Nele existem inúmeras Colônias, onde habitam seres bem diversificados. Um exemplo é o Povo das Águas e outro exemplo são os Elementais.
O Reino Terreno distribui-se por toda a extensão sobre a superfície das terras. Nele coexistem seres: encarnados e espirituais, elementais e encantados. Como exemplo, eu posso citar o Povo das Matas e vocês.
O Reino Intra-Terreno pode parecer desconhecido, mas vocês já ouviram falar muito dele... No interior de nosso Planeta existem inúmeros locais inexplorados, como cavernas, abismos, labirintos, fendas, etc. Nesses locais, existem Colônias que abrigam moradores dedicados a resgatar os menos favorecidos, das regiões mais densas e profundas dos planos inferiores.
O Reino Aéreo possui Colônias suspensas e flutuantes que sobrevoam nosso Planeta como se fossem observatórios constantes de nossas atividades. Nessas Colônias Aéreas, também coexistem seres diversos da Criação de Deus.
Ainda preciso explicar outra coisa, como nós dos Planos Inferiores nos organizamos e nos apresentamos para o trabalho. Usarei como exemplo a Linha das Águas e a Pombagira Rainha Maria Padilha, que possui sob seu comando as seguintes Falanges...
Pombagirinha Maria Padilha (em torno de 6 anos);
Pombagira Menina (dos sete aos doze anos);
Pombagira Mirim (dos treze aos vinte anos);
Pombagira Mulher (dos vinte e um aos sessenta anos);
Senhora Pombagira (mais de sessenta anos).
Os Exus seguem a mesma classificação e eu, também, vou usar como exemplo a Linha das Águas, já que trabalho nessa Linha. Por exemplo, o Exu Rei do Lodo comanda...
Exu Lodinho (em torno de 6 anos);
Exu Menino do Lodo (dos sete aos doze anos);
Exu Mirim do Lodo (dos treze aos vinte anos);
Exu do Lodo (dos vinte e um aos sessenta anos);
Senhor Exu do Lodo (mais de sessenta anos).
Agora, vocês sabem a idade daqueles que acompanham vocês e também podem perceber de que forma eles desencarnaram... Um Exu ou uma Pombagira jamais foi um Espírito 'pecador' ou errante. Nós jamais infringimos as Leis de Deus e jamais cometemos qualquer pecado capital.
Nossas vidas podem ter sido tortas pelas circunstâncias que se apresentaram mas, todos nós viemos com uma missão terrena bonita e iluminada. Fomos impedidos de cumprir o que estava determinado, devido a inúmeros acontecimentos... Porém, jamais perdemos nosso propósito da Alma e jamais nos desviamos do caminho de Deus.
Todo Exu e toda Pombagira, bem como, todo Guia Espiritual, só pode tornar-se um Falangeiro porque, acima de tudo, acredita em Deus, em Jesus e em Maria. Todos nós, trabalhadores de Umbanda, possuímos uma fé inabalável no Criador.
E, se por acaso, um Guia se apresentar e deixar de mencionar seu respeito e seu amor ao Nosso Senhor, por favor, duvide que ele é um Guia. Acredito que 'falei' demais e, por isso, me retiro, com a certeza de que cumpri mais um desígnio de minha missão. Obrigada a vocês que leram a minha história..."

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