quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

A presença da Astronomia nos Pontos Riscados...


Na Antiguidade, durante as Navegações Marítimas, os Antigos Velejadores utilizavam uma Bússola e Mapas de Cartas Celestes, com a Posição das Estrelas ou das Constelações. Assim, eles conseguiam se posicionar e se localizar durante a viagem.
Cada Ponto Riscado funciona como um Mapa Astronômico, que indica exatamente a posição da Entidade que o riscou, bem como, o seu Cargo e a sua Função junto à Espiritualidade.
Como uma Constelação, o Ponto Riscado possui a função de direcionar o Viajante Espiritual em sua missão. Dessa forma, ao riscar determinado ponto, a Entidade abre um Portal que conecta a Espiritualidade ao seu Plano de atuação e de ação.
Os Pontos Riscados na Umbanda possuem inúmeros simbolismos e seria impossível enumerar todos eles. Entretanto, podemos falar do aspecto geral de muitos Símbolos. Inclusive, podemos descrever os principais elementos de um Ponto Riscado.
Um elemento muito importante em um Ponto Riscado é o Círculo... Pois, antes de mais nada, a Entidade risca no chão um Círculo fechado, e depois insere nele os respectivos Símbolos representativos de sua Linhagem.
O Círculo simboliza, antes de mais nada, a própria Terra. Ele também representa o Ciclo da Vida... Em nosso Planeta tudo circula e são os Ciclos que mantêm a vida funcionando na Terra. Por isso, o Círculo é o primeiro a ser riscado...
Em seguida, a Entidade representará a Linha para a qual trabalha: Estrela para Oxalá; Espada para Ogun; Machado para Xangô; Flecha para Oxóssi; Cruzeiro para as Almas; Âncora para as Mães; e assim por diante...
A Estrela de Oxalá sempre ocupará o topo do círculo, porque Oxalá é o Pai Maior. Também pode ser usado o Símbolo da Pomba, pois representa o Espírito Santo; ou três Pombas sobrepostas para representar a Santíssima Trindade.
O Símbolo Central representa a Falange que comanda os trabalhos de Gira daquela Entidade e, também, daquele médium. Os demais Símbolos distribuídos no interior do círculo, representam as Falanges de apoio ao trabalho da Entidade junto ao médium.
A posição de cada Símbolo dentro do círculo indica um Ponto Cardeal, e sua localização perante o Mapa Estelar... Ou seja, é como a localização daquele Ponto Riscado no Céu naquele exato momento.
Por isso, os Pontos são tão importantes e tão representativos para a Umbanda, e de nada adianta "inventar" um ponto... Pois cada Ponto Riscado, possui uma permissão especial para ser utilizado por aquela Entidade.
O mesmo ocorre com os Pontos definitivos, aqueles que são utilizados como Logomarca ou Firmeza do Terreiro... Eles podem ser utilizados permanentemente, porque carregam uma energia própria de Proteção.
Assim como os Símbolos Cabalísticos da Antiguidade, os Pontos Riscados da Umbanda Sagrada são simbólicos, místicos e magísticos. Simbólicos porque utilizam símbolos. Místicos porque carregam um mistério. Magísticos porque são mágicos. E claro, eles são Símbolos de Proteção!

quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

O que as ondas têm a ver com a Umbanda?


Primeiramente, isso não é uma aula de Física... Mas sim, é um conteúdo de Umbanda. Como a Umbanda trabalha com energia, todo e qualquer atendimento possui a presença e o simbolismo da frequência vibracional.
E como já foi explanado na postagem anterior, sobre frequência vibratória, a energia oscila, vibra, ondula... Por isso, de acordo com o nível energético, assim também será a ondulação.
As ondas representam pulsos vibratórios de energia, que se propagam no espaço segundo a sua natureza. Elas podem ser mecânicas ou eletromagnéticas. Um exemplo de onda mecânica é o som e um exemplo de onda eletromagnética é a luz.
Uma onda eletromagnética pode se propagar até mesmo no vácuo. Ou seja, tudo o que emite luz e calor pode se expandir, inclusive, no espaço vazio. Já as ondas mecânicas, como o próprio nome diz, precisam de um meio para se propagar... Quer dizer, elas ocorrem porque há contato, como em um tsunami ou em um terremoto.
Em Umbanda, tanto as ondas mecânicas, quanto as ondas eletromagnéticas, estão presentes e em ação. Por exemplo, quando cantamos um ponto, emitimos uma onda mecânica de vibração sonora, que será ouvida pelos presentes. E quando acendemos uma vela, emitimos uma onda eletromagnética de luz e calor, que se propagará em todas as direções.
Agora, imagine um trabalho inteiro dentro de um Terreiro! Desde a abertura até a finalização... Tudo o que é programado em uma Gira de Terreiro segue uma ritualística apropriada ao bom desenvolvimento mediúnico e ao bom atendimento de todos os presentes.
Por isso, seja em um ponto cantado, em um ponto riscado, em um passe mediúnico, em uma defumação, em uma firmeza com vela, em uma gira, em uma incorporação ou em qualquer outra manifestação ritualística dentro de um Terreiro, a ondulatória estará presente e atuante.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

FREQUÊNCIA VIBRATÓRIA



Tudo o que existe na Natureza possui uma frequência vibracional. Ou seja, "vibra" ou oscila constantemente.
Uma vibração ou oscilação ocorre porque tudo contém energia. Muitas vezes, nós não percebemos determinadas vibrações, porque elas são tão sutis, tão leves, que passam despercebidas aos nosso olhos.
A frequência vibracional pode ser medida em ciclos, oscilações ou voltas... Ela se repete, de forma regular ou irregular, em determinados intervalos de tempo. Cada tempo decorrido entre as oscilações recebe o nome de período. No estudo da Física, a Frequência é considerada uma grandeza escalar, porque pode ser calculada.
Bom, mas por que um médium precisa saber disso? Porque a mediunidade mexe com energia. E cada médium emite um tipo de energia, ou seja, produz uma determinada frequência vibratória. Dessa forma, todo médium deve "vibrar" na sintonia adequada para exercer um bom trabalho.
Durante os trabalhos de Gira, o médium vai adaptando sua energia, ou seja, sua frequência vibratória, ao padrão energético do local. Dessa forma, dizemos "esse médium está entrando em sintonia com o espírito".
Portanto, girar ajuda a vibrar... Porque o giro emite a frequência vibratória desejada. É assim que a Entidade vai interligando-se ao médium para a atividade mediúnica.
Seja em qualquer local que estiver, o médium precisa criar um campo vibracional adequado de proteção. Somente assim, o médium será capaz de se defender de ataques diversos.
Por exemplo, em Apometria podemos fazer uso dos arcos de luzes voltaicas no campo dimensional. O que isso significa? Que ao emitir um padrão energético carregado de descarga elétrica, qualquer egrégora ou energia malfazeja se desfaz.
Também podemos citar o Reiki, o Mahikari, o Johrei e a Cura Prânica que fazem uso dessas frequências através da energia Chi (Qi - Ki) circundante.
Para aprender a manipular e trabalhar essas energias sutis, todo curador necessita estudar e se especializar... Por isso, existem diversas técnicas de cura e cursos de formação na área específica.
Tanto o passe mediúnico, quanto o passe magnético, fazem uso de vibrações, oscilações ou ondas de energia... E em qualquer um dos casos o resultado é satisfatório. A diferença entre um e outro está substancialmente no tipo de mediunidade de cada um.
Entretanto, independe do grau mediúnico, a preparação é sempre a mesma. O que importa é atingir a frequência vibratória ideal. E como podemos atingir uma frequência (vibração) ideal? Nos Templos de Umbanda isso se faz com: amacis, boris, defumações, feituras, desenvolvimento, etc.
Por isso, desenvolver a mediunidade é algo tão sério e demorado, e jamais pode ser feito de qualquer jeito. Afinal, estamos manipulando energias!

domingo, 5 de dezembro de 2021

CURANDO O PLANETA...

 

Nesse momento de Transição Planetária, cada um de nós pode ajudar a curar o Planeta. Em nossas tarefas cotidianas, podemos realizar diferentes ações de construtividade, amorosidade e generosidade.
Dessa forma, além de curar as pessoas, podemos curar o Planeta. Curar o Planeta significa aceitar ser um agente transformador da boa mudança. Com pequenos gestos concretos podemos fazer a nossa parte...
É muito importante entender que, nesse momento de transformação, nós devemos mudar nossos pensamentos e alterar nossas perspectivas. Para isso nascemos médiuns! Para mediar...
Afinal, de que adianta ser médium se não for para ser um verdadeiro mediador? Todo mediador, como a palavra já diz, faz a mediação entre uns e outros. Ser médium é ser uma ponte segura de comunicação entre todos.
Todo dia ao realizarmos nossas orações e oblações podemos dedicar alguns minutos de nosso tempo mentalizando boas energias para a Terra. 
Se somos médiuns curadores, podemos e devemos, impor nossas mãos "sobre" o Planeta. Mentalmente, podemos visualizar a Terra e direcionar nosso dom de cura para cada região do Planeta ou para cada situação em especial.
Também existem outras formas de agir em prol da Humanidade e em benefício do Planeta. Uma ação concreta é a solidariedade: ao estender as mãos de forma direcionada, dando apoio ao menos favorecidos.
Quer dizer, devemos observar a alimentação diária. Dar de comer a quem tem fome é muito mais do que apenas entregar alimento! É entregar responsabilidade comunitária... Pois, toda Comunidade representa um pequeno
A comida representa nossa sobrevivência, mas é também a maior prova de que não sabemos cuidar de nós, de nossa saúde e do Planeta. Porque toda comida gera lixo. É preciso reutilizar os restos transformando-os em adubo. E mais do que nunca, reciclar as embalagens.
Comida jogada em qualquer lugar gera sujeira e atrai doenças. Embalagens descartadas indevidamente, poluem o Meio Ambiente e também atraem doenças. Por isso, resíduos de todos os tipos devem ser devidamente separados.
Uma ação necessária é a compreensão de que todo resíduo polui...  Assim, o que pode ser reciclado deve ser coletado e selecionado. Aquilo que deve ser descartado, mas pode virar adubo, deve ser compostado.
Esse entendimento sobre o lixo é o um dos passos mais importantes no processo de Regeneração Planetária, pois viemos do barro e ao barro voltaremos. Então, em que tipo de barro eu quero depositar meu corpo?
Quando entendermos, verdadeiramente, que somos interligados ao Planeta Terra, entenderemos que cuidar da Terra é cuidar de nós mesmos!

terça-feira, 30 de novembro de 2021

TRANSIÇÃO PLANETÁRIA


Todos já sabem que o Planeta Terra está passando por transformações. Tanto Cientistas, quanto Religiosos de diversas crenças, estão alertando a Humanidade para o que está por vir...
Em todas as Eras da História, a Terra sempre passou por mudanças grandiosas, que serviram para modificar a estrutura do Planeta e redirecionaram a Humanidade para um novo Ciclo.
Dessa forma, é possível prever o que está para acontecer, baseando-se em mapas geológicos, mudanças climáticas e alterações na paisagem. E até mesmo os Astros, estão sendo observados no sentido de compreender tudo o que está acontecendo!
Existem diversas teorias e publicações sobre esse assunto, inclusive com esse mesmo título... Entretanto, cada artigo ou livro, procura dar um enfoque diferente ao tema. 
As mudanças planetárias ocorrem de tempos em tempos, precisamente em cada Era, dando início a uma nova Civilização. Cada Civilização passa por mudanças extremas a fim de adaptar-se e sobreviver à nova atmosfera planetária.
As substâncias que compõe o ser humano, os seres vivos em geral e, mesmo o Planeta, possuem diferentes propriedades que auxiliam a evolução das espécies em cada Ciclo.
Quando ocorre a mudança de Ciclo Planetário, um novo processo tem início: o da regeneração. Ou seja, é o caos transformando e recriando a Vida! O caos é tão necessário quanto o equilíbrio... Porque cura!
Nesse momento, mais do que nunca, o Planeta necessita de cura. Não é a Humanidade que deve ser curada... É a própria Terra! A Terra está doente: degradada, desgastada, ameaçada, esgotada. E como todo doente, ela precisa de repouso...
Como fazer a Terra repousar em meio a um turbilhão de seres enraivecidos, desorganizados e egoístas? Como dar à Terra o merecido remédio da cura e do pronto restabelecimento?
A única forma de se curar uma doença patogênica é retirar (exterminar) o patógeno. Quer dizer, o agente causador da moléstia. E quem é o agente causador da doença do Planeta? Infelizmente, é o próprio homem.
Isso já ocorreu em outras épocas e por isso a Humanidade foi quase extinta, restando apenas alguns indivíduos para repovoar o Planeta. Quer dizer, de tempos em tempos, a Terra precisa repousar para se refazer... E a única forma disso acontecer é estando sozinha em seu descanso.
Entretanto, nós podemos reverter tudo isso. Se formos amorosos com quem nos acolheu o espírito. Se formos compreensivos com quem nos abrigou após o nascimento. Se formos verdadeiros curadores do Planeta.
Nesse momento, mais do que nunca, devemos curar... Curar a nós mesmos, curar o próximo, curar a Humanidade, curar o Planeta! Devemos curar! Porque somente a cura pode nos salvar!

quinta-feira, 4 de novembro de 2021

Quando o médium tem permissão para trocar de Nação?


A pergunta inicial poderia ser: Quando o médium tem permissão para trocar de Casa? Contudo, trocar de Nação é o mesmo que trocar de "Casa"! Dessa forma, a permissão, na verdade, está na troca de Nação e não na troca de "Casa".
Como em Umbanda não se fala em Nação, os médiuns costumam referir-se ao Terreiro como "Casa". E claro, toda Casa é chefiada por determinada Entidade, o Chefe do Terreiro. Entretanto, mesmo uma Casa de Umbanda possui o Comando de uma Nação. Quer dizer, existe sim a vibração de um Orixá (Vodun ou Inquice) atuando sobre o Templo de Umbanda. 
Por exemplo, o Templo de Umbanda Caboclo Cobra Coral, possui como Chefe o Caboclo Cobra Coral. Dessa forma, todos os trabalhos serão devidamente orientados pelo "Cobra Coral"... E as demais Entidades trabalharão sob a supervisão do Caboclo Cobra Coral, que é o Mentor da Casa.
Como o Caboclo Cobra Coral responde à Linha de Oxóssi, o Templo possui a vibração energética do Orixá Oxóssi. Portanto, mesmo sendo um Templo de Umbanda, ele possui a proteção de um Orixá. Por isso, o médium só pode trocar de Nação/Casa, quando seu Orixá (Vodun ou Inquice) determinar...
Isso acontece devido ao fato de o médium possuir ancestralidade em mais de uma Nação. Esse caso é raro, mas pode acontecer de o médium possuir um Orixá e um Vodun disputando seu camatulê. Então, ele inicia o procedimento em uma Casa, mas com o tempo terá que buscar outra Casa, quer dizer, outra Nação, por exigência do Orixá, Vodun ou Inquice que o acompanha.
Nesse caso, é necessário observar onde está verdadeiramente a missão do médium; ou seja, onde seus ancestrais querem que ele cumpra (realmente) sua missão mediúnica? Especificamente, qual Nação comandará seus trabalhos futuramente?
Normalmente, existe um Ritual de aproximação do médium com a Casa/Nação, chamado de Obi d'Água. Esse Ritual é utilizado para descobrir se o Abiã (futuro Iyawô) pertence ou não àquela Nação. Em seguida, durante os Boris e os Amacis, ocorre toda uma preparação para a energização do médium, onde a sua ligação com a Casa/Nação será programada, junto ao seu Orixá, Vodun ou Inquice.
Como isso já vem determinado do Plano Superior, antes mesmo que o médium possa desenvolver e trabalhar, as coisas acontecerão até que tudo esteja em ordem... A Entidade que assumirá a chefia já está definida, obedecendo a uma vibração (energia) específica; de acordo com o desenvolvimento do médium.
Dessa forma, com a realização de todos os procedimentos de feitura e camarinha, será impossível dizer que o médium errou de Casa e não pertence àquela Nação. Por isso mesmo, existe um Processo de Feitura Completo que demanda tempo e dedicação.
Também temos que ter em mente que tanto o Orixá, quanto o Vodun ou Inquice, sabem o que estão fazendo e jamais levariam o médium à Casa errada ou em uma Nação equivocada. E se por acaso isso aconteceu, existe um propósito maior em torno de tudo isso!
Assim sendo, na Umbanda só se troca de Casa quando o médium muda de endereço e precisa encontrar um lugar mais próximo para frequentar... Ou então, quando ocorre a morte do Dirigente Espiritual (Babalorixá ou Ialorixá) e outra pessoa não assumirá o cargo ou a função. Também pode acontecer de a "Casa" fechar por conta de uma série de motivos, ocasionando o fim dos trabalhos. Enfim, trocar de Casa ou de Nação sem a devida permissão é irresponsabilidade... 
Pular de galho em galho, não fortalece o médium; pelo contrário, enfraquece a sua energia e o seu desenvolvimento. Por isso, é tão necessário ter conhecimento sobre o assunto! E, acima de tudo, ter consciência...

terça-feira, 19 de outubro de 2021

Refazimento


A palavra refazimento deriva do verbo refazer e significa: consertar, reparar; restaurar, recuperar ou, simplesmente, "fazer de novo".
Um médium necessita de refazimento quando as suas energias estão esgotadas ou quando este se sente desgastado por qualquer motivo ou sem uma razão aparente.
O refazimento pode ser obtido através de inúmeros procedimentos, tais como: infusões, banhos, defumações, oferendas, passes mediúnicos ou magnéticos, etc. 
Para saber que tipo de refazimento será necessário para o médium se "refazer", é necessário seguir as orientações (determinações) do Chefe do Terreiro, na Umbanda; ou consultar o Jogo de Búzios no Candomblé.
Normalmente, após um refazimento o médium já se sente melhor e é capaz de cumprir devidamente as suas funções. Entretanto, se mesmo com o procedimento o médium ainda se sentir desgastado ou combalido, é necessário aguardar o tempo certo de cada trabalho...
Assim como o cozimento de um determinado alimento, onde cada produto possui o tempo certo de preparo, o refazimento também leva um período determinado para tornar o médium refeito (ou recomposto) adequadamente.
No mundo em que vivemos, ocorrem muitas coisas que desgastam o ser humano, e o fazem se sentir sem energia para prosseguir lutando... Por isso, existem os atendimentos terapêuticos!
Pois, da mesma forma que um médium pode e deve passar por um refazimento, toda e qualquer pessoa, também pode se refazer através de diversos cuidados.
Agora, acrescentamos uma ressalva, por favor: jamais confunda problemas de saúde com problemas mediúnicos! Porque uma coisa nada tem a ver com a outra.
Existem diversos problemas genéticos (hereditários), e mesmo congênitos (de nascença), que impedem o médium de desenvolver em um determinado momento, mesmo que este o queira...
Então, este médium deverá esperar o momento apropriado para o desenvolvimento. No entanto, isso não impede o "refazimento"; ou seja, o médium pode passar por procedimentos que o fortaleçam até o momento devido.
Mediunidade é coisa séria, que deve ser devidamente desenvolvida e fortalecida, pois todo médium carrega uma Missão de Vida!

segunda-feira, 27 de setembro de 2021

Dois-dois, Doum...


Nos dias 26 e 27 de setembro comemora-se São Cosme e São Damião. Os dias de comemoração entre a Umbanda, o Candomblé, a Igreja Ortodoxa e a Igreja Tradicional, possuem datas diferentes; por isso, as duas datas são festejadas.
São Cosme e São Damião são considerados Protetores dos Médicos, dos Cirurgiões e dos Farmacêuticos. Entretanto, devido à sua simplicidade e grande generosidade, também também são invocados como Protetores das Crianças.
A História dos Santos Gêmeos mistura-se à muitas lendas e se confunde no imaginário popular, devido aos inúmeros milagres por eles realizados. Por isso, muitas lendas surgiram e permaneceram...
Contam as Lendas que Cosme e Damião tinham outros irmãos que também foram santificados. Alguns dizem que eles se chamavam Talab, Alabá e Doú. Mas, existem registros de que seus nomes verdadeiros eram: Antimo, Leôncio e EuprepioAssim como os irmãos, Cosme e Damião também receberam outros nomes ao nascer. Segundo os registros canônicos, seus nomes verdadeiros eram: Acta e Passio.
Existem registros de que eles teriam nascido em alguma região da Arábia, contudo praticavam a medicina na região da Egeia, na Síria. Como Cosme e Damião atendiam caritativamente, desde animais até diferentes pessoas em todos os Vilarejos por onde passavam, o povo começou a venerá-los e a aclamá-los! O Imperador não gostou nada disso... Por isso, mandou executá-los!
Assim como Cosme e Damião, seus irmãos também foram executados, mais precisamente, decapitados. Isso depois de muita tortura... A morte ocorreu em 27 de setembro, entre os anos 287 e 300.
Em meio a tantas histórias e lendas, também acreditava-se que Crispim e Crispiniano, fossem irmãos de Cosme e Damião. Existem muitas semelhanças entre suas histórias de vida. Como eles viveram na mesma época que os Santos Cosme e Damião e também eram gêmeos, as duas histórias se misturaram... Bem como o sincretismo com os Ibejis.
Devido ao fato de Cosme e Damião serem gêmeos idênticos, por onde passavam as crianças corriam e gritavam: "Lá vem dois-dois!" Dessa forma, o termo "Dois-dois" é uma referência à todas as crianças que nascem gêmeas, ou seja, aquelas que dividiram o mesmo útero materno desde a concepção até o nascimento.
Já a expressão "Doum", deriva de Idowun, que em Yorubá significa: só, isolado. Ele representa todas as crianças "mirradinhas", que não se desenvolveram adequadamente por algum motivo... Mas, também faz referência aos natimortos ou aos falecidos antes dos sete anos de idade.
Existem muitas cantigas e pontos cantados com as expressões: "Dois-dois, Doum", como por exemplo: "Dois-dois, Doum, são a minha proteção. Eles me fazem companhia, tanto de noite, quanto de dia." e "Jamais estou sozinho, ando bem acompanhado. Dois-dois, Doum, estão sempre ao meu lado."

sábado, 25 de setembro de 2021

IBEJI


A palavra Ibeji significa: gêmeos. Ela deriva de dois termos em Yorubá: ibi (nascimento) e eji (dois). Ibeji é uma palavra mais utilizada na Nação Ketu. Nas Nações de Congo e Angola, chama-se Vunje.
Para os Yorubás, a energia de Ibeji forma-se a partir de duas entidades distintas que coexistem entre si, ou seja, um não existe sem o outro... Dessa forma, se um dos gêmeos morrer, aquele que sobreviver deve lembrar aquele que morreu, porque eles estarão interligados para sempre. Assim, a mãe deve preservar a memória do filho morto para o filho que está vivo.
Na África cada gêmeo é representado por uma imagem, que permanece em exposição em todas as Festividades, recebendo ofertas e tributos. Junto dessas imagens, permanece uma outra igual e menorzinha, que representa todas as crianças falecidas da tribo (abikus).
Apesar de tudo, Ibeji é uma divindade que rege a alegria, a inocência, a ingenuidade e a pureza de uma criança. Pois, a sua principal missão está em preservar cada pessoa, desde o nascimento até a adolescência, independente de cada Orixá que a rege.
Normalmente, as palavras "Ibeji, Erê e Vunje" são utilizadas como sinônimos. Entretanto, para cada cada Nação do Candomblé, elas possuem significados distintos.
A palavra Erê vem do Yorubá iré, que significa "brincadeira, divertimento". Daí a expressão xirê (siré), que significa "fazer brincadeiras". E a palavra Erê também não pode ser confundida com a palavra criança, que em Yorubá, é omodé. Vunje, por sua vez, significa "sabido".
Durante o Ritual de Iniciação (Feitura) é o Erê que estará presente a maior parte do tempo. Ou seja, é ele que levará ou trará as várias mensagens do Orixá. Pois, Erê é o intermediário entre aquele que foi iniciado para o Orixá e o próprio Orixá.
Ao contrário do que muitos imaginam, um Erê pode andar e falar normalmente, mantendo apenas suas características primordiais de apresentação. Por isso, enquanto estiver presente no Terreiroum Erê pode auxiliar em determinadas tarefas.
Ibeji (Erê ou Vunje) faz parte de todos os Rituais do Candomblé e, assim como Exu, ele deve ser bem cuidado... Mas, se por acaso, a Casa esquecer de Ibeji, ele saberá cobrar sua lembrança!
Para chamar a atenção da Corrente Mediúnica, o Ibeji poderá atrapalhar os trabalhos com inúmeras brincadeiras infantis e desvirtuar a concentração dos médiuns da Casa. Isso quer dizer, que se um Ibeji apareceu em um Trabalho de Gira, alguém está lhe devendo obrigação!
Para finalizar, é preciso lembrar um ditado em Yorubá que diz: "O que Orixá faz, Ibeji desfaz... Mas, o que Ibeji faz, nem Exu desfaz!" Portanto, a força de um Ibeji deve ser sempre respeitada!

segunda-feira, 13 de setembro de 2021

ASSENTAMENTO


A palavra assentamento deriva do verbo assentar... De acordo com os dicionários, assentar significa: anotar, averbar, ajustar, acomodar, alicerçar, firmar, fundamentar...
Durante o Processo de Feitura, existe a necessidade de assentar o Santo. Na verdade, o Santo em si jamais será assentado, o que se assenta é a representação (simbologia) do mesmo. Para tanto, se utilizam apetrechos, símbolos e objetos diversos.
Para assentar um Orixá, se faz necessário seguir as regras da Casa (Roça). Isso porque cada Terreiro responde a um Código Ético, obedecendo a uma Hierarquia Ancestral Milenar própria.
Nas Religiões Afrodescendentes, o assentamento possui a função de salvaguardar a Casa e o próprio desenvolvido de qualquer influência externa ao procedimento. Por conta disso, a estruturação de um assentamento se modifica de uma Nação para outra, bem como, de uma Roça pra outra.
Como tudo está interligado no Universo, o assentamento liga a pessoa ao seu Protetor. Ou seja, é um indicativo de "pertencimento". O assentamento indica que aquela pessoa pertence àquele Orixá. Para isso, se utilizam apetrechos, símbolos e utensílios específicos a cada um...
O apetrecho é um instrumento que representa o Orixá. Os símbolos podem identificar a Casa e a Nação. Os demais utensílios são utilizados para proporcionar firmeza e estabilidade ao assentamento. Com o passar dos anos e dos procedimentos adquiridos, o assentamento vai se modificando e se estruturando cada vez mais, até a finalização do processo. 
Como existem os rituais necessários para se criar um assentamento, de nada adianta sair por aí "assentando" qualquer Santo sem a devida preparação... Por isso, existe o processo de feitura.