sexta-feira, 5 de outubro de 2012

São Benedito

O "Santo Mouro".

"São Benedito é um Santo Padroeiro.
Venceu Demanda...
E acabou com o Cativeiro!
Segura a Umbanda Meu Pai,
Segura a Umbanda Meu Pai...
Segura a Umbanda, o Cativeiro acabou!"

São Benedito nasceu em 31 de março no ano de 1524, numa pequena Região da Ilha de Sicília, na Itália... Ele faleceu em 4 de abril de 1589, na Capital da Ilha.
A História de São Benedito é considerada uma História de Luta e de Superação... Pois, como todos os demais Santos, ele também enfrentou muitas provações. Mas, as suas lutas eram diferentes, porque precisava provar a todo momento que merecia estar entre os demais.
Os pais de São Benedito eram escravos nascidos na Etiópia. Eles evitavam ter mais filhos, pois os mesmos também poderiam ser escravizados. Sabendo disso, o Dono da Fazenda prometeu libertar o próximo filho que eles tivessem... E assim ocorreu com "Benedito".
Desde cedo "Benedito" pastoreava as ovelhas com seu pai e ajudava sua mãe nos afazeres domésticos. Quando jovem, resolveu acompanhar um grupo de Freis Franciscanos em peregrinação. Cinco anos depois, "Benedito" juntou-se a Ordem dos Freis Capuchinhos do Convento de Santa Maria, como um irmão leigo.
Ficou um tempo no Convento de Sant'Ana di Giuliana, em torno de 4 anos, retornando em seguida para o mesmo Convento de Santa Maria, onde permaneceu até a sua morte, aos 65 anos. No começo, "Benedito" era apenas o Cozinheiro do Convento, mas depois, adquiriu outras funções e ocupou outros cargos, até tornar-se o Superior do Mosteiro.
Durante a sua Vida Monástica, "Benedito" foi um exemplo de dedicação, zelo e caridade. Sempre alegre e bem disposto, ajudava a todos sem reclamar... Ele também realizou inúmeros milagres em vida, tais como: multiplicar os pães para os pobres e curar inúmeros doentes.
Além disso, as pessoas ainda contavam que "Benedito" era visto constantemente em Oração, segurando o Menino Jesus nos braços, e com Nossa Senhora ao seu lado. Outro fato sobre São Benedito é que seu corpo é considerado incorrupto, pois está preservado, onde é guardado por uma urna de cristal na Igreja de Santa Maria.
Apesar de ter sido Canonizado em 24 de maio de 1807, a sua data festiva é em 05 de outubro. A data ocorre um dia após a data de São Francisco de Assis, de quem São Benedito era devoto e seguidor. Coincidentemente, São Francisco é considerado o Santo Ecologista, porque ele foi um dos Primeiros Ambientalistas do Mundo; e seu sincretismo relaciona-se a Irokô (a Árvore Sagrada).
São Benedito sincretiza com Ossanha (Ossãe, Ossain), o Senhor das Folhas Sagradas, junto as Religiões Afro-ameríndias. Na Umbanda, São Benedito é homenageado de muitas formas, mas não comanda nenhuma Linha específica... Entretanto, seu nome aparece com destaque em muitos Falangeiros.
Como por exemplo: Vô Benedito do Congo, Pai Benedito do Roseiral, Baiano "Bendito", Cangaceiro Zé Benedito, Boiadeiro Benedito dos Santos, Vaqueiro "Bendito" das Rosas, Ibeji Beneditinho, Cigano Benedito Mouro, etc.
Enfim, existem muitas Comunidades, Igrejas e Capelas que veneram o nome de São Benedito pelo Brasil afora, com muitas Festividades Especiais em datas específicas.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

São Francisco de Assis


São Francisco de Assis é considerado um dos Santos mais queridos pela População! Devido ao seu Amor pelos Animais e seu respeito pela Natureza, tornou-se reconhecido como Ambientalista, Protetor dos Ecologistas e Defensor dos Seres Vivos.
Francisco nasceu no ano de 1181 em Assis, na Região da Úmbria, na Itália. Ao nascer foi batizado com o nome de Giovanni di Pietro Bernardone, por sua mãe... Seu pai era um rico Comerciante, que costumava viajar pela França, e que estava ausente no nascimento do filho.
É do conhecimento de muitos que, antigamente, as pessoas possuíam dois nomes: um nome de Batismo, e outro nome "Social". Por isso, o nome Francisco (derivado de Francesco) foi acrescentado ao infante...
Como todo jovem burguês de sua época, Francisco era um "bon vivant" extravagante. Entretanto, a paixão pela Cavalaria despertou nele a vontade de servir a sua Pátria. 
Então, em 1202 alistou-se como soldado do Exército, mas foi capturado e permaneceu por quase um ano em posse dos inimigos. Após ser libertado, Francisco ficou doente por um ano, com febre e outros problemas de saúde. Porém, tentou novamente servir o Exército...
Nessa época, Francisco começou a ter sonhos, visões e a ouvir vozes. Muitos acontecimentos foram transformando a sua vida aos poucos. Mas, outras revelações lhe modificaram totalmente, como o encontro com mendigos e leprosos.
Seu pai não gostou dessas transformações, pois Francisco começou a ajudar os pobres... Então, procurou o Bispo, o qual foi surpreendido com Francisco despindo-se de suas roupas e abandonando totalmente as suas posses.
A partir desse momento Francisco passou a seguir o que as vozes lhe determinavam... Inclusive, conta-se que a primeira delas manifestou-se através de um Crucifixo na Igreja de São Damião.
São Francisco tornou-se um Missionário e com muita dificuldade fundou a Ordem dos Franciscanos, a qual dava assistência aos pobres, carentes e doentes.
A história de São Francisco é bastante longa e cheia de detalhes, com muitas narrativas surpreendentes... Pois, atribuem-se a ele muitos milagres e muitas revelações! Também existem inúmeros fatos curiosos envolvendo a vida de São Francisco, como: os Estigmas de Cristo em seu corpo; ou a sua exortação aos animais.
São Francisco de Assis faleceu na Pequena Igrejinha da Porciúncula no dia 03 de outubro de 1226. Foi canonizado apenas dois anos após a sua morte. Por conta de sua história, muitos Santos conhecidos seguiram seu exemplo de vida... Inclusive Santa Clara de Assis.
São Francisco de Assis tornou-se símbolo dos Ecologistas e dos Ambientalistas, devido ao seu respeito pela Natureza e pela Vida. Por isso, é considerado o Protetor dos Animais e do Meio Ambiente.
No Sincretismo Religioso São Francisco de Assis corresponde a Irokô... Irokô é o Orixá que representa a Árvore Sagrada no Fundamento da Roça de Candomblé.
Na Umbanda Sagrada existem muitos Franciscos trabalhando como Falangeiros: Pai Francisco da Guiné, Vovô Francisco (Vô Chico), Ibeji Francisquinho "Chiquinho", Cigano "Francesco", Cangaceiro "Chico" das Almas, Boiadeiro Francisco, etc.
Quando um Guia Espiritual adota o nome "Francisco", ele está demonstrando que: respeita a Natureza, se preocupa com os Animais e, acima de tudo, possui muita empatia pelo próximo.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Caboclo Cobra Amarela

Um "Índio Pantaneiro".

Esse índio nasceu na margem esquerda do Rio Paraguai, onde hoje se localiza a cidade de Cáceres, no estado de Mato Grosso. Ele era um índio forte e destemido da tribo dos Paiaguás.
Seu nome indígena era Membira M'Boi (Filho do Deus Serpente), pois ele conseguia ficar submerso na água por longos minutos. Escondia-se nos arbustos e folhagens sem ser visto e atacava sorrateiramente, como uma cobra. Adorava brincar com todas as cobras da região, principalmente com a "Cobra Amarela" (Bothriechis Schlegelii).
Os Paiaguás uniam-se aos índios Guaicurus nas batalhas contra os invasores, alcançando a vitória nas lutas. Eles entendiam de montaria e estratégias de guerra, por isso, eram exímios guerreiros.
Manejavam o arco e a flecha com destreza. Eram hábeis navegadores, sabiam mergulhar e, praticamente, viviam sobre as águas. Eles tornaram-se conhecidos como "índios canoeiros". Eram nômades, deslocavam-se com rapidez e possuíam muitas aldeias, com rota de fuga dentro da floresta.
Sua tribo possuía um código de honra que os impedia de recuar em uma batalha. Por isso, junto aos Guaicurus, lutaram contra os portugueses, oferecendo grande resistência à povoação do Pantanal mato-grossense. O Mato Grosso foi povoado por terra, através da Rota Madeira Guaporé, porque pela água, os índios ainda dominavam...
Somente em 1791, um Tratado de Paz conseguiu apaziguá-los e declará-los súditos da Coroa Portuguesa. Então, chamou-se "Guaicuru" todos os Indígenas do Pantanal que compartilhavam a mesma língua nativa.
Membira M'Boi morreu lutando por sua terra e por sua gente, no começo do século XVIII. Soldados fortemente armados devastaram a maior parte das Aldeias "Paiaguá", em busca de ouro e pedras preciosas.
Assim, ele concluiu sua jornada terrena e iniciou sua nova jornada espiritual.  Ele relata que também já viveu na Austrália e na Europa Central, em vidas anteriores... Segundo esse Caboclo, sua maior aprendizagem ocorreu no Brasil, onde aprendeu a respeitar a Natureza e a Vida.
Hoje, ao trabalhar na Umbanda, Membira M'Boi atende pelo nome de Caboclo Cobra Amarela. Ele trabalha para as Mães d'Água e para Oxumaré.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Iberê


Iberê nasceu no alto do Rio Araguaia, na Tribo dos Tapirapé. Ele era um indiozinho alegre e destemido, sempre correndo de um lado a outro.
Sua aldeia estava sempre em pé de guerra com seus vizinhos da Tribo Karajá. O Cacique, pai de Iberê, tentava apaziguar a situação, mas eles eram constantemente atacados e saqueados.
Quando Iberê contava com 6 anos de idade, sua Tribo sofreu um ataque surpresa dos Karajá. Os homens se empenharam no combate... Mas, as mulheres e as crianças foram sequestrados.
Iberê foi levado com sua mãe para a Tribo do inimigo e obrigado a conviver com eles. A intenção deles era a de expandir sua tribo e fortalecer a sua raça.
No entanto, Iberê não aceitou sua nova situação. Por isso, ele combinou com outros indiozinhos uma fuga para retornar à sua aldeia. Ele pretendia buscar ajuda, mas foi surpreendido em seu intento.
Mesmo assim, ele conseguiu fugir dos seus captores e se embrenhou na Mata Atlântica. Iberê tentou por dias localizar sua aldeia... Mas, depois de muito procurar, percebeu que andava em círculos. Então, decidiu voltar onde estava...
Ele chegou cambaleante e doente de volta à tribo de seus raptores. O chefe dos Karajá reconheceu que o menino era um índio forte e merecia ser bem tratado.
O Pajé procurou salvá-lo, mas a doença tomou conta de seu corpo infantil. Em poucos dias Iberê morreu, deixando sua mãe e seus amigos tristes.
Seu nome nunca mais foi esquecido, pois diziam: "Morreu um pequeno grande guerreiro!"
Os Tapirapé reconstruíram suas aldeias em outras localizações. Uma parte da tribo rumou para a Ilha do Bananal e a outra para a Serra do Urubu Branco. Alguns, ainda, foram em direção à Mata Amazônica e se misturaram às outras tribos.
Os Karajá miscigenaram sua raça com as mulheres e as crianças Tapirapé. Inclusive, os Kayapó invadiram as aldeias dos Tapirapé.
Enfim, uma das maiores raças indígenas do solo brasileiro, sofreu muitas perdas após vários ataques, reduzindo drasticamente a sua população.
Mesmo com tantos acontecimentos, a história de Iberê permaneceu e se espalhou... O povo indígena falava de um menino que morreu, porque tentou salvar sua tribo.

Florzinha

A Cosminha das Matas.

"Flor" nasceu na tribo dos Guajiras no final do século XVII, na península que hoje recebe esse nome, na atual Venezuela.
Ela adorava correr atrás de borboletas e colher flores na mata, enquanto seus pais trabalhavam na pesca, no pastoreio e na agricultura.
Flor era uma menina alegre, que gostava de presentear a todos com flores coloridas, para deixá-los felizes.
Então, alguns lhe chamavam "Asii Jintulu" em sua língua nativa, que significa "Menina Flor" ou "Florzinha".
Florzinha ou Menina Flor, viveu somente até os oito anos... Em uma de suas correrias atrás de flores e borboletas, a menina caiu e se machucou nos espinhos de um cipó venenoso.
As feridas infeccionaram e a menina adoeceu... Seus pais não conseguiram curá-la com os recursos da época.
Antes de morrer, a menina disse a todos: "Não se preocupem, eu estou bem. Para onde eu vou têm muitas flores!" E ela se foi, para a tristeza de todos.
Pouco tempo depois, no local onde ela foi enterrada cresceram muitas margaridas, de várias cores. Margarida é a flor mais abundante da região.
Quando alguém estava triste, sentia-se o perfume de flores no ar... E todos diziam: "Asii Jintulu", "Asii Jintulu"... Era a Menina Florzinha alegrando a todos novamente!

Caboclinha Ceci


Essa é a história de uma Indizianha Encantada, que após sua morte costumava visitar sua Tribo e curar as crianças doentes...

Ceci nasceu na Tribo dos Aruaque, no meio da Floresta Amazônica. Ela havia completado 6 anos na época. Era uma indiazinha feliz, que passava os dias brincando com os animais pacíficos da floresta, como os saguis, tatus, porquinhos e outros.
Quando a floresta foi invadida em busca dos seringais, sua Tribo tentou lutar contra a invasão mas, por fim, mudou-se, para evitar atritos com o homem branco. Devido a mudança, os índios enfrentaram dificuldades para encontrar um novo local e se readaptar... A floresta era extensa e tinha seus perigos.
Ceci e os demais índios estavam tristes por deixarem para trás muitas coisas. No caminho para a nova Aldeia, Ceci se distraiu com os bichos e não percebeu a aproximação de uma cobra venenosa. Ela foi socorrida e fizeram todo o possível para salvá-la, mas o veneno espalhou-se rapidamente. Depois de horas ardendo em febre, Ceci desencarnou, para tristeza de seus pais.
A mudança não levou apenas suas Ocas, mas a vida de Ceci. Tempos depois, sempre que uma criança ficava doente na Tribo alguém via Ceci correndo ao redor da criança. E "milagrosamente" no dia seguinte, a criança amanhecia curada.
Ceci tornou-se um Espírito Encantado, que vive nas Matas curando bichos e gente... Ela "encantou-se", quer dizer, ela se tornou uma Entidade Protetora da Natureza.

*Muitos Erês, assim como os Caboclos, os Preto-velhos e as demais Entidades possuem suas histórias de vida. Alguns desses Erês "encantaram-se", como aconteceu com muitas Entidades conhecidas da Encantaria e da Umbanda.

Caboclinha do Vento

A Encantada do Ar!

Eu demorei muito para entender o nome dessa Entidade, pois sempre que recebo as histórias me concentro, ouço calmamente, faço um rascunho e depois passo a limpo. Normalmente os nomes já são de entidades bastante cultuadas e conhecidas. No caso dessa caboclinha, eu primeiro vi sua imagem e fiquei "encantado" com sua beleza; depois ouvi sua história... A Caboclinha do Ar ou Caboclinha do Vento ou Encantada do Ar, como também é conhecida, encantou-se após morrer, ou seja, seu corpo se transfigurou... Hoje ela vive no Ar, na Luz Astral ou no Mundo Espiritual, auxiliando a todos que necessitam. Trabalha na Linha de Yansã e de nosso amado Pai Oxalá, transmitindo muita serenidade em seus atendimentos. Como ela viveu sua última vida ou quantas vidas viveu é difícil saber, pois sua origem é desconhecida.
A única coisa que ela me permitiu contar, foi que nasceu no Brasil Colônia de pais europeus. Porém, foi criada nas matas por amas indígenas de uma tribo do Pará, pois perdeu-se de seus pais. Chamavam-na de "Raio de Luz", por ser uma menina branquinha como um dia de sol. As outras tribos comentavam sobre uma índia branca que eles viam passeando nas matas. Ela viveu o quanto lhe foi permitido viver e abandonou essa vida muito jovem. Não casou, não teve filhos, não morreu, apenas se encantou e desapareceu... O Cacique dizia: "A menina cumpriu sua estada nessa terra e partiu."

Tiãozinho


Sebastião nasceu na fazenda Boa Esperança, em Minas Gerais, no final do século XVIII. Seus pais eram crioulos que já nasceram escravos.
Tiãozinho, como era conhecido, desde cedo ajudava na lida com o gado e com os cavalos. Era um serviço que ele tinha prazer em realizar.
Tião só não gostava de ver os maus tratos, então, sempre que podia evitava expor os animais ao sofrimento. Se ele era castigado por conta disso, não se importava, contanto que pudesse livrar os animais das chibatadas.
Tião estava com dez anos quando uma remessa de cavalos puro sangue chegou à fazenda. Um dos cavalos estava arredio e não aceitava a aproximação de ninguém. O adestrador espancava o animal, mas de nada adiantava.
Quanto mais ele batia, mais o animal se rebelava. Tião sentia a dor do animal. Então, enquanto todos dormiam, reuniu os cavalos e saiu em fuga com eles. O capataz ao ouvir o tropel dos cavalos, reuniu os jagunços e saiu em perseguição.
Pensaram tratar-se de roubo e saíram atirando nos fujões. Atiraram contra Tião e atingiram-no em cheio nas costas. Ele ainda conseguiu abrir a porteira para que os cavalos fugissem, mas morreu ali mesmo.
Seus pais nem puderam lamentar o ocorrido, pois foram castigados por conta dele e vendidos para outra fazenda.
Com o passar dos anos, sempre que um animal era maltratado na fazenda, alguém ouvia um assovio e o animal saía em disparada, pulando cercas e sumindo no meio das matas.
Então, a lenda cresceu e diziam que um menino negro montado em um cavalo atiçava os animais para que eles fugissem. E muitos diziam: "É o Tiãozinho!"

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Salve Cosme, Damião e Doum!


Na Umbanda Sagrada, uma das Festas mais festejadas é a "Festa de São Cosme e São Damião". Os Santos que foram canonizados como protetores das Crianças, eram gêmeos e trabalhavam como Médicos dos menos favorecidos... Eles salvaram muitas crianças nas Aldeias por onde passaram!
A sua família era composta de sete irmãos (com dois partos de gêmeos e um parto de trigêmeos): Cosme, Damião, Crispim, Crispiniano, Talabe, Alabá e Doum. Crispim e Crispiniano também foram canonizados como santos.
Os "Cosminhos" (como são mais conhecidos) trabalham em todas as Linhas e todo médium possui seu arquétipo infantil. Eles apresentam-se com os nomes no diminutivo, o qual representa a Linha para a qual trabalham...
Por exemplo: Estrelinha e Gabrielzinho (Linha de Oxalá); Mariazinha e Aninha (Linha das Águas); Joãozinho e Pedrinho (Linha de Xangô); Jorginho e Miguelzinho (Linha de Ogun); e assim por diante...
Como os Erês são Orixás, isso significa que eles nasceram da união de um Orixá Masculino com um Orixá Feminino. Em algumas Lendas, Erê nasceu da união de Xangô com Yansã. Em outras Lendas, Erê nasceu da união de Xangô com Oxum.
Erê também representa um Orixá Gêmeo, assim como "Cosme e Damião". O irmãozinho menor, nascido depois é chamado de Doum. Por isso, costuma-se falar: "é de Dois-Dois ou é de Doum?", referindo-se ao fato de que o Ibeji que "baixou" pode ser gêmeo de alguém ou não...
Os Erês ou Ibejis possuem funções bem distintas do Candomblé para a Umbanda. Enquanto no Candomblé o Erê assume o médium durante o resguardo, na Umbanda o Erê aparece de vez em quando para purificá-lo e energizá-lo.
Mas, nem todo espírito infantil desencarnado vira Erê... A criança se torna um Ibeji quando já cumpriu sua missão na Terra e desencarnou "precocemente". Então, pode assumir essa nova missão espiritualmente.
Por isso já dizia Jesus: "Deixai vir a mim todas as criancinhas, porque delas é o Reino dos Céus."
Pra finalizar, vale lembrar que São Cosme e São Damião possuem duas datas comemorativas: 26 e 27 de setembro. Isso ocorre por causa das duas Igrejas: do Ocidente e do Oriente.
Para saudar os Cosminhos podemos dizer Omi IbejadaIbejeró! ou Omi Beijada! Salve os Erês! ou Salve Cosme, Damião e Doum!

Inauê

Uma Erê Encantada.

Muitos Erês possuem suas histórias de vida para compartilhar, assim como qualquer Entidade.
Eles permanecem com a aparência de um Erê (Espírito Infantil) porque todos morreram na infância, em mais de uma vida.
Infelizmente, a grande parte desses Erês (Ibejis) tiveram mortes trágicas, devido a ganância do homem, na sua ânsia por conquistas.
Alguns Erês "encantaram-se" como muitas Entidades conhecidas na Umbanda e em outras Nações.
Um Encantado é um ser que se transfigurou e transmutou sua energia. Ele cumpriu sua missão de vida e mudou de plano.
Essa é a história de uma Cosminha Encantada. Ela trabalha sob as ordens de todas as Mamães.
Inauê é uma junção de dois nomes: Iná e Uê. Iná quer dizer: Mãe Pura. Uê é uma saudação do Povo Indígena.
Inauê viveu sua última vida terrena no século XVII, em meio aos índios da Tribo dos Karib, os Caraíbas. Atualmente, a sua etnia está extinta.
Na época em que Inauê vivia com seu povo, os Espanhóis estavam colonizando a América Central.
A sua Tribo ainda se mantinha preservada devido a localização das ilhas em que habitavam.
Inauê tinha uma vida normal, como qualquer indiazinha dentro de uma ilha cercada de todo os tipos de água.
Sua terra possuía uma natureza exuberante e muita água! Água do mar, água dos rios, água dos lagos e açudes.
Com tanta água, era natural que Inauê vivesse dentro da água a maior parte do tempo!
Como todo povo indígena, os Karibs também tinham suas histórias que viraram lendas.
Para os Karibs, quando uma pessoa desaparecia é porque ela havia sido transportada para o céu.
Inauê gostava dessas histórias e ficava olhando pro céu em noite estrelada, imaginando que cada estrela era um "Ser" muito especial!
Um dia, Inauê também desapareceu... Seus pais perceberam que a menina entrou na água e não voltou mais.
Então, procuraram por dias e não conseguiram encontrá-la... Com o tempo, perceberam que ela não voltaria mais.
Se passaram muitas luas e o povo se conformou com o desaparecimento da menina.
No entanto, um dia, alguns índios avistaram Inauê sentada nas pedras na beira d'água.
Eles perceberam que Inauê estava diferente... Ela havia se tornado um "Ser das Águas"!