terça-feira, 8 de abril de 2014

CÓDIGO ÉTICO LITÚRGICO DA UMBANDA


A postagem de hoje traz o documento oficial da Federação Brasileira de Umbanda, o qual determina todos os procedimentos que devem ser seguidos em sua ritualística. O documento foi extraído do site da FBU, mediante autorização prévia via e-mail.

☆ ♡ ☆ ♡ ☆ ♡ ☆ ♡ ☆ ♡ ☆ ♡ ☆ ♡ ☆ ♡ ☆ ♡ ☆ ♡ ☆ ♡ ☆ ♡ ☆ ♡ ☆ ♡ ☆ ♡ ☆ ♡ ☆ ♡ ☆ ♡ ☆
______________________________________________________________________

Código Ético Litúrgico da Umbanda

Título I • Da Introdução

Art. 1º
A Religião se complementa num conjunto de Ritos e Cerimônias Litúrgicas em sua manifestação esotérica, fundamentados em símbolos (Pontos Cantados e Riscados) que exprimem a essência divina e objetiva a condução da manifestação da fé aos propósitos do crente, do fiel, do discípulo ou do simples praticante.
A Umbanda, manifestação religiosa, num testemunho perene e universal da existência divina na manifestação do Mundo Espiritual, tem nos seus ritos e cerimônias litúrgicas e reafirmação de seus sagrados anseios a conduzir a criatura humana no retorno à Espiritualidade, a Deus, Inteligência Universal.
A Umbanda, como religião, integra o universo em toda a sua grandeza divina e com ele é a manifestação de harmonia na vibração eterna de seus poderes nos múltiplos planos do Mundo Cósmico.

Art. 2º
A Religião - Sentimento inerente à criatura humana em sua busca à origem espiritual, divina, Deus, Causa Primária em suas múltiplas manifestações na eternidade da vida, com a imortalidade da alma, no cumprimento dos postulados de reencarnação, segundo os princípios dos Fundamentos da Umbanda.


Art. 3º
Código Litúrgico - Este tem por fim disciplinar Ritos e Cerimônias Litúrgicas, dentro de um Princípio Espiritual de tolerância e compreensão e sua aplicação é válida em todo o território brasileiro e mesmo no exterior, onde já se desenvolve a Religião de Umbanda. Teve como subsídio, dentre outros, o trabalho elaborado pelo escritor João de Freitas. O presente Código poderá sofrer as alterações decorrentes de necessidades e realidades locais.


Art. 4º
A Atribuição - Além de disciplinar Ritos e Cerimônias Litúrgicas, este Código objetiva consolidar todos os postulados da Religião de Umbanda, alcançando desta forma a unidade tão necessária.

Título II • Da Organização
Art. 5°
A infra-estrutura da Religião de Umbanda se fundamenta em seu corpo místico ou religioso e social, tendo como base os Templos (Tendas, Centros, Cabanas, Terreiros etc.) os quais se agrupam e são representados pelo seu respectivo Órgão de Cúpula.


§ 1º - Paralelamente podem organizar-se tipos de Instituições, como Escolas, Institutos, Ordens etc., que devem cadastrar-se aos respectivos Órgãos de Cúpula mencionados no Art. 5º do presente Código.

§ 2º - O funcionamento dessas Entidades estará sujeito à orientação do respectivo Órgão de Cúpula.
§ 3º - O reconhecimento do Templo de Umbanda deve atender à legislação peculiar e às normas religiosas: existência de um iniciado em 3º grau e cumprir o que determina a legislação civil.


Art. 6º
O Corpo Místico ou Mediúnico é dirigido por um irmão ou irmã que atenda o disposto no § 3º do Art. 5º deste Código. Sua denominação genérica é: Diretor de Culto.

Parágrafo Único
Todo Templo deve manter um Curso Pré-Iniciático para preparo dos integrantes do Corpo Mediúnico, sob a responsabilidade de um instrutor, ao qual é afeto o cumprimento de programas elaborados para instrução, difusão doutrinária e filosófica dos postulados da Umbanda.


Art. 7º
O Templo, organizado em sociedade legalmente registrada, contará com uma Diretoria Administrativa, nos termos do documento que trata da organização e reconhecimento civil.
Parágrafo Único
O Diretor de Culto, sendo necessário, poderá acumular um cargo administrativo.


Art. 8º
A Administração dividi-se:
• Religiosa, exercida pelo Diretor de Culto e seus Auxiliares;
• Social, exercida pelo presidente e demais membros da Diretoria, todos com atribuições definidas em seus Estatutos.

Art. 9º
As Finanças - A arrecadação deve ser o resultado de contribuições, donativos, subvenções e outras taxas previstas no Estatuto ou em decisão regulamentar, devidamente escriturada em livro próprio; de sua aplicação deve ser dada ciência aos membros da Instituição.


Parágrafo Único
Compreende-se o disposto neste artigo para formas de arrecadação e reconhecimento legais, não incluídas "consultas" pagas ou remuneração por "trabalhos".
Art. 10°
A Hierarquia - Estabelece este Código, por reconhecer uma necessidade a funcionalidade da própria Religião no campo físico, a Hierarquia a ser observada por seus membros, independente de cargo ou função, segundo suas atribuições.

I - Dentro de um princípio religioso, a mais alta autoridade é o Diretor de Culto;
II - O Instrutor tem sua autoridade restrita aos Cursos, na conformidade com o que determinar o Estatuto, ou decisão do Diretor de Culto;
III - Na parte administrativa e social, o mais alto cargo é o de Presidente.


Art. 11°
Os Cursos - Com a finalidade de atender o que dispõe este Código, devem os Templos manter um Curso Pré-Iniciático para preparo dos integrantes da Corrente Mediúnica.

a) O programa deve ser elaborado na conformidade dos fundamentos e crenças da Umbanda, cabendo ao Instrutor a orientação do Curso, com a aprovação da Diretoria de Culto;
b) A iniciação em 1º e 2º Graus, feita no Templo, será aprovada pelo respectivo Órgão Federativo, ao qual compete o fornecimento do Certificado de Iniciação e/ou Conclusão de Obrigações Litúrgicas.


Título III • Os Ritos
Art. 12°
Os Ritos formam o conjunto de cerimônias que constituem a base da Religião de Umbanda, conforme prevê o Art. 1º deste Código, e que devem ser observadas nas diferentes sessões.


§ 1º - Esotéricos, sejam internos ou externos, quando só participam iniciantes ou iniciados: obrigações em praias, cachoeiras, matas e etc.
§ 2º - Exotéricos, sejam internos ou externos, que se cumprem em sessões de caridade e dos mesmos participam, além do Corpo Mediúnico e dos membros da  Administração, o público (incluem-se as sessões de passes e conselhos - orientação espiritual).

Art. 13°
As sessões - A ritualística da Religião de Umbanda se desenvolve em Sessões (Trabalhos da Corrente Mediúnica), sempre sob a orientação do Diretor de Culto ou de seu Auxiliar direto, ou por ele indicado.
a) Sessões de Estudos, destinadas a complementar o Curso Pré-Iniciático, com a participação de Iniciantes e Iniciados;
b) Sessões de Caridade, sessões públicas das quais participam, a além do Corpo Mediúnico, os assistentes.

Parágrafo Único
Em casos especiais, o Diretor de Culto pode permitir a presença de assistentes nas Sessões de Estudos.


Art. 14°
As Sessões Solenes - Destinadas à realização de atos comemorativos ou festivos, podendo ser: religiosas, sociais ou mistas.
a) Religiosas, quando assinalam datas alusivas aos Orixás ou Guias Espirituais da Instituição ou da Umbanda;
b) Sociais, quando assinalam datas comemorativas, como fundação da Instituição ou celebrações cívicas;
c) Mistas quando envolvem assunto religioso e social, como: casamento, batizado, ofício fúnebre etc.
Título IV • A Liturgia
Art. 15°
Práticas observadas em cerimônias religiosas no decorrer de Sessões, segundo sua própria natureza, seja esotérica ou exotérica, complementam a ritualística da Religião de Umbanda.

a) Em cerimônia esotérica são utilizados todos os materiais necessários ao desenvolvimento dos trabalhos, inclusive em sessões externas, realizados em matas, cachoeiras, praias etc.;
b) Em cerimônia exotérica são admitidos apenas os materiais indispensáveis à realização dos trabalhos de atendimento público, de acordo com a orientação do Diretor de Culto.

Art. 16°
Abertura dos Trabalhos - Sempre no horário previsto e sob a direção do Diretor de Culto, observando a seguinte ritualística:

a) Formação da Corrente de Iniciados e Iniciandos;
b) Defumação e começar do Pegi ou Altar, seguindo o Salão, a Corrente e os recintos destinados ao público;
c) Cruzamento do Terreiro;
d) Cânticos de saudação aos Orixás, ao Patrono do Templo e só então é invocada a Entidade responsável e, a seguir, os demais Guias.


Art. 17°
Encerramento dos Trabalhos - Para sessão de qualquer natureza:
a) Cânticos de desincorporação, na ordem inversa da incorporação;
b) Saudação ao Pegi ou Altar e ao Diretor de Culto e, em seguida retirada dos membros da Corrente Mediúnica;
c) A prece de pedido de ajuda espiritual, feita no início - Rogatória é repetida no encerramento, como agradecimento pela ajuda recebida.

Art. 18°
Iniciação - Após o período previsto em Curso Pré-iniciático, o Iniciando deve ser submetido à cerimônia de Iniciação de 1º Grau, com a presença dos irmãos iniciados, pois se trata de sessão esotérica; o mesmo ocorre na Iniciação para os Trabalhos, ou seja, 2º grau.
Art. 19°
Sagração - cerimônia esotérica correspondente ao 3º grau, para confirmação de Diretores de Culto ou membros do Conselho de Culto, inclusive o Instrutor.

Art. 20°
Batismo - Adota-se o Batismo como princípio de proteção à aura espiritual da criança. Cabe ao Diretor de Culto, em entendimento com os pais da criança, marcar a data.

Art. 21°
O Casamento - solicitado pelos noivos, quando maiores, ou pelos pais ou responsáveis, deve ser instruído com documento de habilitação ou a própria certidão de casamento civil. A data da cerimônia, marcada pelo Diretor de Culto, ouvidos os noivos, deve ser anunciada em Edital afixado na secretaria do Templo (quadro de avisos).

Art. 22°
Do Batismo e do Casamento será fornecida Certidão em modelo aprovado e fornecido pelo Órgão de Cúpula representante do Templo.
Art. 23°
O casamento religioso, com efeitos cíveis, obedece o disposto na Legislação civil que trata da matéria e deve ser feito sob a orientação do respectivo Órgão de Cúpula.

Art. 24°
Em qualquer tempo, o casal poderá requerer a consagração religiosa de sua união, bastando para isso apresentar a certidão do casamento civil.
Art. 25°
Ofício Fúnebre - A cerimônia obedece ao ritual de abertura dos trabalhos, tendo antes da Prece, a Cerimônia da Vela, na qual os membros da família, os amigos do desencarnado e os médiuns da Corrente levam velas acesas ao Assentamento das almas.

Título V • Acessórios e Instrumentos Litúrgicos

Art. 26°
Os Cânticos - Pontos Cantados - podem ser:
a) Com acompanhamento instrumental;
b) Com acompanhamento de palmas;
c) Com acompanhamento de atabaques ou tambores.


§ 1º - Em qualquer dos casos acima, deve-se observar o que dispõe a Lei do Silêncio e o respectivo Órgão de Cúpula.
§ 2º - Os instrumentos litúrgicos só podem ser tocados por pessoa devidamente preparada.

Art. 27°
Defumadores - Usados na abertura das sessões e também em trabalhos de limpeza psíquica.

Art. 28°
Pombas - Branca, preferivelmente, ou de cor. São usadas nos cruzamentos individuais, de iniciação ou no cruzamento do Templo e na fixação dos símbolos de identificação dos Guias. As pombas são objetos sagrados, que só podem ser manipulados pelos guias, pelo Diretor de Culto ou por membros da Corrente devidamente autorizados.
Art. 29°
Água - Da cachoeira, dos rios, das lagoas ou do mar, tem larga aplicação nos rituais e cerimônias litúrgicas, como: batismo, casamento, cruzamento, limpeza psíquica etc.

Art. 30°
Velas - Brancas ou de cor, usam-se na abertura dos trabalhos, no decorrer das sessões, em cerimônias litúrgicas, principalmente as velas brancas. As de cor são usadas segundo a orientação dos Guias ou do Diretor de Culto.
Art. 31°
Banhos - Preparados com ervas indicadas pelos Guias Espirituais ou pelo Diretor de Culto. São usados na limpeza psíquica, nos trabalhos de iniciação e nas obrigações.

Art. 32°
Bebidas - São usadas em oferendas ou em determinadas cerimônias litúrgicas, sendo manipuladas apenas pelos Guias ou pelo Diretor de Culto.
Art. 33°
Paramentos - O vestuário da Umbanda é branco, sendo admitido, em casos especiais, em sessões, sobretudo, festivas, em alguns Templos, os tons, principalmente, verde, azul, amarelo e vermelho. As guias ou colares ritualísticos (adereços), preparados sob a orientação do Diretor de Culto servem como símbolo de segurança pessoal e indicam o grau de iniciação e a função no culto, como também a toalha (ojá).

Título VI • Calendário

Art. 34°
O calendário de celebrações será preparado pelo Templo dando-se ciência ao respectivo Órgão Federativo.

Parágrafo Único
As comemorações locais, quando permanentes, devem ser comunicadas ao respectivo Órgão Federativo.
Art. 35°
Dias e Horários - Os dias de sessões devem ser fixos, para melhor orientação do público. Os horários variam de acordo com as necessidades locais e a conveniência do Corpo Mediúnico e do público, devendo-se reservar um horário diurno ou uma sessão aos domingos para atendimento de crianças.

Parágrafo Único
As sessões noturnas devem obedecer a orientação do órgão de Cúpula e aos parâmetros estabelecidos pela Lei do Silêncio.

Título VII • Disposições Gerais

Art. 36°
Os símbolos - Caracterizam a Instituição e devem ser registrados no respectivo Órgão Federativo.
Parágrafo Único - O ponto Riscado é um símbolo de identificação.

Art. 37°
As obras de cunho doutrinário devem ser comunicadas ao respectivo Órgão Federativo.

Art. 38°
Os membros da Corrente Mediúnica devem receber uma carteira de identificação fornecida pela Federação Brasileira de Umbanda.

Art. 39°
Menores, mesmo civilmente incapazes, poderão participar da Corrente Mediúnica acompanhados dos pais ou responsáveis, ou com autorização escrita dos mesmos.

Art. 40°
As dúvidas e/ou controvérsias que possam surgir eventualmente no cumprimento deste código serão resolvidas pelo respectivo Órgão Federativo.

terça-feira, 1 de abril de 2014

Exu Cospe Fogo

O Guardião do Portal Ígneo.


"Essa vida que vou narrar aconteceu no século IV, na antiga Capadócia. Eu me chamava Josué e era um simples aldeão do vilarejo. Nessa época Roma nos comandava e pagávamos altos impostos à Coroa. A maioria de nós se revoltava com essa condição, pois Roma abusava dessa situação e nos tratava como escravos.
Capadócia (Katpadukya) é um nome de origem hitita e significa "Terra de Belos Cavalos"... E essa fama era verdadeira, pois criávamos excelentes cavalos de raça. Nossos cavalos eram considerados os melhores presentes e sempre eram dados aos maiores reis e comandantes dos diversos reinos. Isso despertava olhos cobiçosos sobre nós...
Eu possuía uma pequena ferraria onde realizava consertos diversos, inclusive o ferrageamento dos cavalos. Na época não era costume colocar ferraduras nos cascos dos cavalos, pois muitos achavam que isso machucaria o animal. Então, muitos debatiam se era correto ou não ferragear um cavalo. Em nossas terras isso tornou-se usual e, com o tempo, muitos perceberam a vantagem do ferrageamento.
Durante essa existência eu tive o privilégio de acompanhar de perto uma das histórias mais fascinantes relatadas até hoje... Eu conheci pessoalmente Jorge de Anicii, o Santo que se tornaria uma espécie de patrimônio histórico da Umbanda! Muitos de vocês não sabem, mas o retrato de São Jorge montado em um cavalo branco combatendo o dragão se deve à Capadócia e uma de suas lendas.
Como na Capadócia a criação de cavalos raros era nossa maior riqueza, o cavalo branco era considerado o emblema da região. Jorge era querido e amado por todos e foi presenteado com o melhor e mais belo cavalo de toda Capadócia! O dragão representava para nós o domínio romano e o imperador Diocleciano. A Princesa era a representação de todas as mulheres maltratadas e abusadas durante o comando imperial. E a Igrejinha referia-se a Cristo e à Igreja que foi construída em sua homenagem.
Quando a história de São Jorge aconteceu, muitos dos capadócios estavam inconformados com o domínio romano e resolveram lutar. Eu estava entre eles e fornecia espadas e lanças para a luta. Foi uma dura batalha, que se arrastou por muitos anos e que nunca teve um fim, pois nossa região era perseguida de muitas maneiras e quando uma guerra terminava, outra iniciava. Se saímos do domínio de Roma, caímos em outros domínios...
Eu morri lutando e nunca me arrependi de nada do que fiz. Forneci muitas armas para os meus compatriotas e fui um verdadeiro ferreiro. Hoje, eu sou um Cavaleiro da Ordem de São Miguel e de São Jorge e trabalho há muitos séculos por Eles e para Eles, servindo a Cristo. Também obedeço a Mãe de Todas as Nações: "Maria" - aquela que substituiu a crença na Grande Deusa pela fé em seu filho Jesus.
Nossa missão é resgatar as almas perdidas no fogo umbralino e ajudá-las a evoluir novamente. Também punimos e castigamos aqueles que fazem mal uso da fé e da crença no mundo em que vocês vivem. Somos nós os responsáveis por agir em todas as ações de homens-bomba, terroristas e religiosos que aplicam mal o conhecimento Divino."

quinta-feira, 27 de março de 2014

E a Estrela de Davi se move sobre nós...


Felizes aqueles que adquiriram sabedoria e a usaram com parcimônia! O Senhor Yaweh deu a Davi o dom da guerra quando ele nem sabia guerrear; deu a ele o dom do comando, quando ele não sabia comandar; deu a ele o dom de reinar, quando reinos ele não tinha. Deus pode dar e Deus pode tirar. E Deus deu a Davi o que era de seu merecimento.
Davi nos ensina a mansidão, a misericórdia e a coragem. Com ele aprendemos que tudo é possível! Ou seja, no arquétipo de Davi enfrentando o gigante Golias, Deus nos ensina que é possível enfrentarmos nossos maiores "gigantes": medo, angústia, tristeza, insatisfação, inveja, cobiça, revolta, mágoa, etc. Portanto, ao jogarmos a pedra e atingirmos a cabeça daquilo que nos parece gigante, estaremos atingindo o ápice dos problemas e derrubando-os por terra!

Resultado de imagem para tu vienes contra mi con espada y jabalina

Davi representa o princípio primordial da Cultura Judaico-cristã. Ele é o início da descendência de Jesus. Davi é o primeiro Rei a acreditar no Deus Único e a professar a sua fé nesse Deus. Davi foi o pai de uma grande Linhagem! E dela nasceu também Salomão. Na Umbanda Sagrada Davi representa a proteção de Xangô e o comando das Falanges Orientais Ancestrais. Muitos trabalhadores espirituais atuam sob a égide de Davi e de Salomão.
Inúmeros  personagens Bíblicos servem como referência para nossas vidas. Eles são exemplos de fé, coragem, obediência, paciência, entre outros atributos. Porém, somente um deles foi considerado pelo próprio Deus como "O homem segundo o meu coração" (1 Sm 13,14).


Imagem relacionada

Diferente de muitos santos ou profetas, Davi era semelhante a qualquer um de nós. Ele era um jovem comum à sua época, pois não possuía uma aparência exuberante (1 Sm 16, 12); sabia, apenas, pastorear as ovelhas de seu pai (1 Sm 16,11); vivia num pequeno povoado de Belém (1 Sm 16,1); era um excelente músico (1 Sm 16,18); entre muitas outras qualidades de simplicidade...
Por isso, muitos questionavam: "Por que tanta honra a um homem que, apesar de notável, teve sua vida pontuada por graves pecados, como adoração e adultério?" Porque ele conhecia suas limitações (Sl 131), mas sempre atribuía suas vitórias à Deus (1 Sm 17;37 e Sl 34; 4-7). Davi também continuou com suas tarefas de pastor, mesmo sendo um ungido do Senhor (1 Sm 16;19) e isso demonstra o quanto ele era humilde!


Ele trabalhou como músico do Rei Saul (1 Sm 16; 17-18 e3 1 Sm 16; 20), pois este era atormentado por maus espíritos; mas, quando Davi dedilhava a harpa eles se afastavam... Portanto, Davi usava seu dom de cura espiritual através da música. E assim, Davi aprendeu que a melhor maneira de alcançar o coração de Deus é o caminho da humildade, da sinceridade e do arrependimento.
Como qualquer homem, Davi enfrentou momentos de crises e sentimentos de ódio, raiva e desejo de vingança. Davi teve a chance de matar Saul, após ter sido traído por ele, mas soube lidar com seus sentimentos negativos (1 Sm 24; 1-22) e superar sua mágoa.



Muitas "Ordens" ou Sociedades Ocultas utilizam a Estrela de Seis Pontas ou Hexagrama como símbolo majoritário. Elas atribuem o início do conhecimento a Davi. A Estrela de Davi é conhecida como ESCUDO SUPREMO de Davi ("Magen David" em hebraico) ou Selo de Salomão. As seis pontas simbolizam o governo de Deus sobre o Universo em todas as seis direções.
Alguns dizem que a Estrela de Davi é uma figura complicada entrelaçada que não tem seis (hexograma), mas sim 12 lados (dodecagrama). Também podemos considerá-la como composta de dois triângulos sobrepostos ou sendo de seis triângulos menores emergindo de um hexagrama central. Como o povo judeu, a estrela tem doze lados, representando as doze tribos de Israel. No Hinduísmo cada ângulo representa um "deus" da Trindade: Brahma, Vishnu e Shiva - o Criador, Preservador e Destruidor, respectivamente.
  

A estrela de seis pontas (hexagrama), feita de dois triângulos entrelaçados, pode ser encontrada em muitos objetos sacros, filosóficos e exotéricos. A bandeira de Israel tem uma Estrela de David azul centralizada. A área central da estrela de seis pontas representa a dimensão espiritual, rodeada pelas seis direções universais. O Shabat (sétimo dia) dá equilíbrio e perspectiva de vida aos demais dias da semana.
Os dois triângulos também podem representar o relacionamento recíproco entre o Povo Judeu e Deus. O triângulo apontando "para cima" simboliza nossas boas ações que sobem ao céu e que ativam um fluxo de boa vontade que retorna à terra, simbolizado pelo triângulo apontando para baixo. Na Cabala, os dois triângulos representam as forças inversas que controlam o homem: o bem e o mal; ou seja, o espírito e o físico; ou o angelical e o terreno... e assim por diante.


O Hexagrama também foi utilizado para fins destrutivos. Os judeus foram obrigados a usar crachás especiais durante a Idade Média, tanto pelas autoridades muçulmanas, quanto pelas autoridades cristãs; e depois em Israel durante o Império Otomano. A Estrela também foi um triste símbolo durante o Holocausto, quando os nazistas forçaram os judeus a usarem uma estrela amarela como identificação.
O "Magen Davi" reconhece que nosso herói militar não venceu pela própria força, mas pelo apoio do Todo Poderoso. Isso também é mencionado na terceira bênção após a leitura da Haftará no Shabat: "Bendito sejas Deus, o Escudo de Davi!" Portanto, não importa se é uma estrela azul ondulando orgulhosamente numa bandeira ou uma estrela de ouro adornando a entrada de uma Sinagoga... A Estrela de David se destaca como um lembrete e um questionamento: "Nós confiamos plenamente em Deus, assim como confiou Davi?"

Imagem relacionadaImagem relacionada

Os Salmos de Davi

Os Salmos ou "Saltério" representam uma coleção de 15 cânticos (orações) do Povo de Israel. A palavra Salmo em grego significa "Cântico Sacro". Os Salmos surgiram em épocas diferentes, mas a maioria foram escritos por Davi e por seu filho Salomão. Davi enfrentou uma vida de turbulências e um reinado de provações; por isso, sempre buscava fortalecimento nas orações do Torah.
O Torah é o nome dado aos cinco primeiros livros do Tanakh e que constituem o texto central do Judaísmo. Ele contém os relatos sobre a criação do mundo, a origem da humanidade, o selo de Deus e Abraão, a libertação do Povo Judeu do Egito. O Torah foi escrito por Moisés e significa "instrução, apontamento, lei".


Davi começou a escrever os Salmos, como forma de manter contato íntimo com Deus. Em hebraico existem duas palavras que designam "Salmo": Tehellim e Mizmor - elas significam "Hino" ou "Louvor". Cada Salmo ou Hino indica uma adoração, aclamação ou súplica a Deus. Por isso, cada Saltério possui um significado próprio, expressando algum tipo de sentimento, como: súplica, alegria, dor, cansaço, etc. Por exemplo, Davi compôs o Salmo 6 quando estava muito doente. O Salmo 23 foi composto durante o período mais difícil da vida de seu autor. E existem inúmeros Salmos que citam a vinda do Messias...


quarta-feira, 19 de março de 2014

Salve São José: o grande carpinteiro!


No dia 19 de março, comemoramos aquele que comanda muitas Falanges na Umbanda Sagrada: São José. 
O nome José deriva de Joseph que, em hebraico, significa "Deus cumula de bens". O nome possui outras variações nas línguas provenientes do aramaico, como: Yosef ou Yehossef, e também significa: "Deus acrescenta..."
Joseph nasceu em Belém, filho de Jacó, como o terceiro filho de seis irmãos. A sua família era descendente de Davi.
José, o Amado Esposo da Virgem Maria e Tutor Amoroso do Mestre Jesus, era um Carpinteiro. Como esposo de Maria, ele foi o Maior Modelo de Pai e de Esposo, sendo considerado o Protetor da Sagrada Família.
São José foi um exemplo de vida e beatitude... Por isso, foi muito amado por Jesus e Maria, a quem dedicou a sua vida com amor.
São José foi escolhido por Deus para ser o Patrono de toda a Igreja de Cristo. Mas, também é chamado de São José "o Operário", sendo considerado o Protetor de todos os trabalhadores braçais.
Em 19 de março, celebra-se a Solenidade de São José, e todas as Igrejas espalhadas pelo Mundo recordam a sua Santidade como Pai Terreno ou Pai Nutrício de Jesus.
Em 1º de maio São José também é celebrado, como Protetor dos Trabalhadores. As duas datas comemorativas, devem-se ao fato da existência das Igrejas Católicas no Ocidente e no Oriente.
Muitos Falangeiros de diferentes Linhas da Umbanda celebram São José através de seu nome. Como exemplo, podemos citar: Marinheiro Zé, Capitão José, Boiadeiro Zé, Ibeji Zezinho, Pai José, Baiano Zé, Vaqueiro Zé, etc. O próprio Zé Pelintra homenageia São José em seu nome.
Devido a sua importância, José é um dos nomes mais registrados em todo o Mundo...

Resultado de imagem para misterio de la encarnacion

ATRIBUIÇÕES DE SÃO JOSÉ:
- São José é o Santo que intercede por todas as graças que necessitamos, muitas vezes de maneira surpreendente e quase inacreditável.
- Os singulares privilégios de São José foram revelados à Serva de Deus, Santa Agueda:
- Por sua intercessão alcançamos a virtude da castidade e a vitória sobre as tentações contra pureza.
- Por sua intercessão alcançamos o poderoso auxilio da graça para sair do pecado e voltar a amizade com Deus.
- Por seu intermédio alcançamos a benevolência da Santíssima Virgem Maria e a verdadeira devoção a ela.
- Por sua intercessão alcançamos a graça de uma boa morte e a especial proteção contra o demônio nesta hora.
- Os espíritos malignos estremecem ao ouvir o nome de São José.
- Por sua intercessão alcançamos a saúde do corpo e o auxílio nas mais diversas necessidades.
- Por sua intercessão as famílias alcançam a bênção da prosperidade.
- Nossa Senhora revelou a Santa Agueda: "Os homens ignoram os privilégios que o Senhor concedeu a São José, e quanto pode sua intercessão junto de Deus. Somente no dia do Juízo os homens conhecerão sua excelsa santidade e chorarão amargamente por não haverem se aproveitado desse meio tão poderoso e eficaz para sua salvação e alcançar as graças de que necessitavam".


LENDA DE SÃO JOSÉ:
Há na cidade de Santa Fé, no Estado do Novo México, EUA, uma capela conhecida como Loretto Chapel. Nela destaca-se uma bela e despretensiosa escada. A piedade tradicional atribui a construção a São José. Em 1898 a Capela passou por uma reforma. Um novo piso superior foi feito, porém faltava a escada para subir. As Irmãs consultaram os carpinteiros da região e todos acharam difícil fazer uma escada numa Capela tão pequena.
As religiosas, então, rezaram uma novena a São José para pedir uma solução. No último dia da novena, apareceu um homem com um jumento e uma caixa de ferramentas. Ele aceitou fazer a escada, porém exigiu que fosse com as portas fechadas.
Meses depois a escada estava construída como queriam as Irmãs. No momento de pagar o serviço, o homem desapareceu sem deixar vestígios. As religiosas puseram anúncios no jornal local e procuraram por toda a região sem encontrar quaisquer noticias ou informações sobre o ignoto carpinteiro. Nesse momento as Irmãs perceberam que o homem poderia ser São José, enviado por Jesus.
Há vários elementos que reforçam a aura de piedoso mistério que envolve a construção da escada:
- A madeira utilizada não é da região, e ninguém sabe como foi parar lá. Também não foi utilizado prego na escada, apenas pinos de madeira.
- Além do mais, hoje soa misterioso que ela se mantenha em pé pois é do tipo caracol e não tem apoio central. Na verdade apenas um apoio colateral metálico foi acrescentado a posteriori que não resolve a essência do incógnita. Diz-se que engenheiros e arquitetos não conseguiram desvendar a física por trás da obra.
- Por fim, a escada tem 33 degraus, a idade de Jesus Cristo, o que reforça ainda mais a suposição de um fenômeno de origem sobrenatural.
- A Capela recebe em média 200 casamentos por ano e centenas de turistas. Ela ficou conhecida como a "Escada Milagrosa". Grande número de artigos e programas de TV foram dedicados a ela e seus “mistérios”.

Resultado de imagem para a escada de são josé

ORAÇÕES A SÃO JOSÉ

ORAÇÃO I
São José Trabalhador, rogai pelos desempregados.
Senhor que disseste, comerás o pão com o suor de teu rosto, eu sei que o trabalho é digno e abençoado para sustentar a vida, mas Senhor, apesar da boa vontade de trabalhar há tanto desemprego!
E por isso Senhor, o desemprego está causando problemas na família e na vida pessoal. Senhor olhai pelos desempregados. Por isso, hoje estamos rezando por estes, cujos nomes apresentamos agora...
(Diga os nomes das pessoas que estão precisando da graça de um emprego)
Senhor, por intercessão de São José Operário, faça com que estas pessoas consigam um trabalho decente para sustentar a vida. Senhor, quando estivestes neste mundo, fostes humilde carpinteiro. Tende piedade e compaixão dos desempregados que querem trabalhar, que precisam trabalhar.
Ilumina o caminho para que possam encontrar o que há tanto tempo estão procurando. Nós cremos Senhor naquela Tua Palavra: Batei e a porta vos será aberta.
Ilumina os desempregados a baterem na porta certa. Que não recebam um não ou o descaso, mas consigam a graça de um trabalho. Dai ânimo Senhor, aos desempregados. Abre as portas de um emprego para estas pessoas
(Diga mais uma vez os nomes das pessoas)
São José Operário, intercedei pelos desempregados.
Senhor, eu confio na Tua Graça.
Senhor, eu confio no Teu Poder.
Amém.

Imagem relacionadaResultado de imagem para misterio de la encarnacion

ORAÇÃO II
Para pedir emprego:
Oh! meu querido Santo Trabalhador, que em vida fizestes a vontade de Deus através do trabalho, abra as portas do comércio para que eu possa conseguir um emprego.
Dai-me forças e coragem para não desistir no primeiro não.
Que eu tenha a disposição de Santa Teresa D'Ávila, a simplicidade de Maria de Nazaré, a força de Santo Antônio.
Orienta os nossos governantes para a distribuição dos bens do país.
Protege as nossas famílias para que não se deixem vencer pela seca, pelo medo, pela violência, pela falta de trabalho e dê esperança no Domingo da ressurreição.
Meu São José, padroeiro dos trabalhadores, não me deixeis sem o pão de cada dia e sem perspectiva de um novo dia para minha família.
Prometo, com o dinheiro do meu futuro emprego, ajudar uma instituição de caridade a divulgar essa devoção.
Por Cristo Senhor Nosso. Amém.

Imagem relacionadaResultado de imagem para st joseph fathers day

ORAÇÃO III
Leia o seguinte trecho da Bíblia... (Mt. 2, 13-23)
“Depois de sua partida, um anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e disse: Levanta-te, toma o menino e sua mãe e foge para o Egito; fica lá até que eu te avise, porque Herodes vai procurar o menino para o matar. José levantou-se durante a noite, tomou o menino e sua mãe e partiu para o Egito. Ali permaneceu até a morte de Herodes para que se cumprisse o que o Senhor dissera pelo profeta: Eu chamei do Egito meu filho (Os 11,1). Vendo, então, Herodes que tinha sido enganado pelos magos, ficou muito irado e mandou massacrar em Belém e nos seus arredores todos os meninos de dois anos para baixo, conforme o tempo exato que havia indagado dos magos. Cumpriu-se, então, o que foi dito pelo profeta Jeremias: Em Ramá se ouviu uma voz, choro e grandes lamentos: é Raquel a chorar seus filhos; não quer consolação, porque já não existem (Jer 31,15)! Com a morte de Herodes, o anjo do Senhor apareceu em sonhos a José, no Egito, e disse: Levanta-te, toma o menino e sua mãe e retorna à terra de Israel, porque morreram os que atentavam contra a vida do menino. José levantou-se, tomou o menino e sua mãe e foi para a terra de Israel. Ao ouvir, porém, que Arquelau reinava na Judeia, em lugar de seu pai Herodes, não ousou ir para lá. Avisado divinamente em sonhos, retirou-se para a província da Galileia e veio habitar na cidade de Nazaré para que se cumprisse o que foi dito pelos profetas: Será chamado Nazareno.”
Faça seu pedido... Em seguida, reze uma Ave-Maria e um Pai-Nosso.
E por fim diga: São José, providenciai...

Imagem relacionadaImagem relacionada

sexta-feira, 14 de março de 2014

Pombagira Lâmia


"Eu nasci e vivi onde hoje situa-se a Lituânia, no século XV, sob o reinado de Alput. Eu era descendente dos búlgaros romani - ciganos descendentes do Conde "Drácula". Vlad Tepes (o Empalador) era um governante sanguinário da Romênia e minha mãe possuía parentesco direto com sua linhagem. Nossa caravana viajava constantemente para evitar perseguições, devido a nossa herança ancestral.
Em nossa família, seguíamos as tradições dos antigos Balcãs (Otamanos) e sabíamos aplicar sortilégios e magias diversas em nossas peregrinações. Apesar de tudo isso, acreditávamos em Deus, Jesus e Maria, mas também acreditávamos nos nossos deuses nórdicos. Éramos perseguidos, justamente por sermos ciganos cristãos, pois os Otamanos eram mouros e a intolerância religiosa já ocorria naquela época.
Passamos a viver na região da Suécia e tivemos relativa paz, durante alguns anos. Eu casei-me com um descendente nórdico e tive dois filhos lindos - um menino e uma menina. Meu esposo era comerciante de peles, especiarias e tecidos diversos. Minha família prosseguia com o trabalho de comercialização de pedras preciosas e ouro.
Nossas comemorações eram festivas e alegres - comemorávamos tudo: colheitas, vendas, bons negócios, nascimentos, casamentos, entre outras festividades. Por isso, nem percebemos quando uma guerra iniciou e o estado começou a disputar diversos interesses. Todos eram chamados a lutar e nós tentamos não tomar partido. Pensamos até mesmo em prosseguir viagem, mas nossos negócios estavam todos bem distribuídos na região.
Quando a disputa iniciou eu fiz algo que uma mulher naquela época não faria: agi politicamente. Eu era bonita e sedutora, então negociei nossa permanência e estabilidade com os governantes. Eu me envolvi (não tenho vergonha de falar) com cada um deles e usei minha magia para tê-los sob meus encantos. Assim, sem que quase ninguém soubesse, eu mantive nosso povo em liberdade e obtive a paz para nossa raça.
Eu fiquei grávida de um deles e sabia que essa criança poderia disputar a coroa, mesmo sendo um filho bastardo; mas, com isso, perderia meu esposo e o respeito de minha raça. Então, abandonei meu povo... Deixei meus filhos com o pai e segui para junto do governante. Aceitei sua proposta e fui viver com ele. O filho dele nasceu, um menino que herdaria o reino.
Eu não me tornei sua esposa, apenas uma concubina e serva do palácio. Mas, meu filho foi criado pelo rei e pela rainha, como filho legítimo. Eu senti saudades de minha antiga vida, de meu povo e de meu esposo. Mas, o que uma mulher não faz pelos seus? Eu fiz e não me arrependi...
Às vezes eu visitava o local do acampamento e ficava a sondar a distância para ver meus filhos. Meu esposo desposou outra cigana e teve mais filhos com ela. Para eles eu era uma fugitiva. (...) Os anos passaram e meus filhos cresceram. O príncipe herdeiro (meu filho sem saber) tornou-se um rapaz nobre, bonito e inteligente. Ele deveria casar-se em breve para assumir o trono. Tudo o que eu planejara aconteceria... Porém, a vida nos prega peças e eu fui envolvida em uma delas.
O príncipe herdeiro escolheu uma jovem do povo para desposar. Dizem que ela era uma bonita filha de comerciante. Moça bem educada e de fino trato, foi aceita no palácio, mesmo não sendo da realeza. Eles estavam felizes com o noivado e já programavam a festividade do casamento. Foi quando eu a vi e algo me atravessou a alma. Era minha filha... Perante o Cristianismo eles não poderiam casar, mas de acordo com a Tradição dos Antigos Deuses, nada impediria.
Eu fiquei dividida, pois eles eram irmãos e somente eu sabia disso. De meu ventre haviam nascido dois herdeiros para o trono: um homem e uma mulher - dois irmãos. O que fazer? Permitir que eles se casassem e não interferir? Contar a um deles? Contar para meu ex-marido?
Nessa hora, rezei à antiga Deusa e pedi orientação. Ela, Brighit, que coabitara com seu irmão para dar um herdeiro à Terra, me entenderia... Senti que nada deveria fazer e deixei que as bodas acontecessem. Eles casaram e o casamento foi o maior acontecimento do reino. E eu assisti a tudo ocultamente. Meus dois filhos se casando e assumindo o comando do Reino!!! Que mãe não teria orgulho disso? Mas, eu fiquei mortificada e apreensiva. Nada fiz.
O tempo passou e logo ela estava grávida. Antes do nono mês, ela já se preparava para dar a luz e eu fui chamada para auxiliar no parto, junto com outras servas. Logo percebemos que ela teria duas crianças, pois o parto estava difícil. Porém, o pior estava por vir...
O parto estava muito complicado e não conseguíamos realizá-lo. O médico da realeza logo deu o diagnóstico: gêmeos siameses. Eu sabia o que isso significava: aconteceu porque eles eram irmãos. Mas, para a época isso era um sacrilégio e crianças assim eram consideradas aberrações. Eles seriam descartados como lixo. Eu não podia permitir... Eram meus netos. Então, mais uma vez agi contra o destino. Ofereci-me para levar as crianças. Decidi fugir com elas e criá-las. Eu já errara demais, não podia errar mais uma vez.
Antes de partir, procurei minha filha, enquanto estava em recuperação e contei-lhe toda a verdade. No começo ela apenas olhou-me e nada disse, mas depois gritou e exigiu que eu saísse de sua presença. Procurei também o pai dela (meu ex-marido), mostrei os gêmeos a ele e contei onde estive todos esses anos. Ele mostrou repulsa por mim...
Nada mais havendo a fazer, arrumei uma carroça com provisões para a viagem e deixei o reino com os bebês. Eu era responsável por eles. Na tradição da Antiga Deusa, gêmeos siameses eram venerados. Eu acreditava que eles tinham uma herança maldita, do antigo empalador e de tudo o que aconteceu... Mesmo assim, segui para a Noruega, levando-os comigo...
Durante o caminho encontrei uma caravana de saltimbancos e ajuntei-me a eles. Passei a me apresentar com eles, realizando números de mágicas e adivinhações. Eu também sabia usar cobras em meus números e isso cativava o público. Meus netos eram uma atração a parte... Dentro de uma jaula eles era observados pelos outros. A jaula era para protegê-los de qualquer barbárie. Alguns médicos e cientistas pediram para estudá-los e eles eram constantemente observados.
A Europa vivia um período de perseguições por conta do Catolicismo, mas a vida circense nos protegia, de certa forma, pois não representávamos perigo à Igreja. Mesmo afastada da vida na Suécia, eu pude acompanhar os últimos acontecimentos: Minha filha adoeceu e definhou... Saber a verdade de tudo não lhe fez bem e ela me culpou, com razão. Meu filho nunca soube de nada e casou-se novamente, dessa vez com a herdeira do reino vizinho (Dinamarca). Assim a "Escandinávia" permanecia unida. Meu ex-marido tornou-se uma pessoa amarga por causa de tudo o que aconteceu e por fim passou a beber até morrer.
Meus netos viveram 36 anos e eu vivi até os oitenta anos. Não casei mais, apenas cuidei de meus netos e vivi intensamente a vida circense. Tive alguns amores passageiros e só... Ao final de minha vida eu sabia manipular o veneno de quase todas as cobras e usava-os para curas diversas. Apesar de me chamarem de "A Feiticeira das Cobras", a Inquisição não me tocou, pois eu praticava a arte mágica como entretenimento e não era considerada um perigo à sociedade.
Após minha morte, descobri que meus netos foram dois irmãos gêmeos, que disputaram meu amor em outra vida. Como eles mataram-se por conta disso, nasceram "unidos" como siameses. Meu ex-marido foi meu filho e irmão de minha filha. Meu filho herdeiro fora meu esposo e acompanhou todo meu declínio. Por isso, nessa vida, ele foi afastado de mim. Meu outro filho, de quem quase não falei, foi uma pessoa normal e feliz. Ele tornou-se comerciante, casou, teve filhos e viveu honestamente no interior da Suécia.
Assim, foi que vivi essa vida: intensamente e com muitos acontecimentos. Quando eu descobri toda a minha história, após minha morte, resolvi buscar todos que fizeram parte dela. Procurei me apaziguar com eles e lutei pelo perdão de todos. A Espiritualidade Maior ofereceu-me a oportunidade de resgatar minhas dívidas através do trabalho mediúnico e tornei-me uma Pombagira. Assumi o nome de Lâmia, pois em minha cultura as "Lâmias" eram mulheres que sabiam seduzir e eram consideradas meio cobras e meio humanas.
Eu me sentia, muitas vezes, como uma das cobras que eu apresentava nos espetáculos: quieta, mas observadora. A cobra, em nossa cultura, representa a sabedoria e a sutileza feminina. E eu sabia como usar essa sutileza diariamente. Se eu me redimi de tudo só o tempo dirá, pois até hoje trabalho em busca de minha redenção." (Assim ela narrou sua história...)

*A Pombagira Lâmia também pode ser chamada de Pombagira das Cobras.

sexta-feira, 7 de março de 2014

Bombogiro da Calunga...

Um gladiador escravizado.

"Eu vivi no tempo dos gladiadores e fui condenado a ser um deles. Conheci toda a dor e a tristeza de um povo que não pode viver sua liberdade, por causa de sua crença. Fomos perseguidos, ultrajados e encarcerados. Por vivermos presos e sem direito, nos envolvíamos uns com os outros, para aplacar a dor da solidão. Não era feio ou errado. Era a sobrevivência. Uníamos para viver.
A cada duelo um de nós era escolhido para lutar contra o adversário e devíamos dar um espetáculo para a multidão sedenta por sangue. Aquele que se negasse a lutar era decapitado antes mesmo de entrar na arena. Assim, todos lutavam, pois conseguiam prorrogar um pouco mais suas vidas. Tínhamos a esperança de um dia nos libertarmos. Pensávamos que se lutássemos bravamente e vencêssemos muitas vezes, seríamos libertos. Mas, com o passar do tempo, percebemos que nossos algozes não tinham essa intenção... A luta era um espetáculo vantajoso para eles!
Eu consegui sobreviver dois anos após minha prisão, mesmo com lutas semanais. Então, eu sobrevivi 108 vezes! Por fim, eu mesmo desisti, pois meu companheiro morreu no duelo e eu também não quis mais seguir... Essa foi uma de minhas primeiras experiências como homossexual. Reencarnei, em seguida, no mesmo Império Romano, mas servindo a corte como escravo do Rei. Junto comigo também reencarnou meu companheiro. Nós dois vivíamos no castelo como serviçais e não demorou muito para nos reconhecermos e nos envolvermos novamente.
A vida no palácio era só luxúria. Éramos escravos do prazer. Devíamos servir aos nossos senhores e senhoras de todas as maneiras. No começo isso parecia bom, mas com o tempo, comecei a almejar minha liberdade. Queria conhecer o mundo, viajar, explorar outras terras e culturas. Então comecei a planejar minha fuga... Guardei moedas, provisões e tudo o que fosse necessário. Eu poderia seduzir um dos sentinelas para escapar e embebedar a guarda do palácio.
Planejei tudo e procurei meu amado para pedir a ele que fugisse comigo. Ele relutou, pois tinha medo. Depois criou coragem. Conseguimos em uma noite de tempestade, armar a fuga, pois os moradores do palácio dormiam mais nesses dias. Tudo correu conforme eu planejara e seguimos em direção ao litoral.
Chegamos ao porto e embarcamos no primeiro navio em direção a Grécia. Nós tínhamos que tomar cuidado para não chamar a atenção, então arranjamos serviço no navio. Eu sabia cozinhar e meu companheiro arranjou-se como imediato. Assim, tínhamos abrigo e comida até chegarmos em nosso destino. Escolhemos a Grécia, pois ainda era um país livre do domínio romano. Poderíamos ter tentado seguir por terra, mas os exércitos romanos tomavam conta de diversas regiões.
Ao chegarmos na Grécia festejamos nossa liberdade temporária e buscamos trabalho em uma marmoraria. Extraíamos o mármore e ajudávamos a esculpir estátuas de deuses. Porém, nossa alegria não foi duradoura. Dizem que nosso destino nos persegue (mesmo quando fugimos dele) e o meu me encontrou... Roma invadiu a Grécia e fomos capturados. Meu companheiro reagiu e foi morto a golpe de espada e eu fui levado como escravo.
Todo escravo capturado, primeiramente trabalhava como remador no navio que o levava e depois passava por triagem no solo de seu algoz. Em Roma eu fui conduzido ao Coliseu, para ser treinado em lutas e tornei-me (novamente) um gladiador. Não demorou muito para que eu fosse um gladiador bem treinado - acredito que eram resquícios de meu passado. Venci muitas lutas.
Um dia, enquanto lutava, fui reconhecido por meus antigos patrões. Eles faziam parte da realeza presente na plateia. Quando a luta terminou, fui chamado à presença deles. Eles e os treinadores conversaram e quando obtiveram a confirmação de que eu era o escravo fujão, sentenciaram-me a morrer na Arena com os leões.
Essas duas existências marcaram-me profundamente, muito mais que qualquer outra e, por isso, as descrevi aqui. Hoje, sirvo a Umbanda Sagrada como um "Bombogiro" ou um Panjira*, pois sinto orgulho de ter vivido assim..."

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Exu Elegbá Bará Alebá...


"Eu existo para servir ao Criador e para honrá-Lo a cada dia. Minhas ações são comandadas por Ele e nada faço sem que Ele me instrua. Acham que sou um Djin ou um Daemon ou um Diabo. Pensem o que quiserem e concluam o que acharem melhor. Eu sei o que sou e porque realizo o meu trabalho e é isso o que importa. Muitos de vocês saberão a verdade após desencarnarem; outros, permanecerão na ignorância. A cada um cabe o seu quinhão e a sua conquista. Por isso, vivam de tal maneira que vocês possam se orgulhar de tudo o quanto fizeram... Para que, ao morrerem, não necessitem olhar para trás e chorar por aquilo que não fizeram!
Nós nascemos, vivemos e morremos. Nós passamos por todos os Reinos. Nós evoluímos em todas as esferas. Quando digo "nós", estou referindo-me a mim também. Posso não ter vivido no mundo de vocês, mas vivi em outros mundos. No mundo de vocês sou apenas um agente que promove a lei. No meu mundo eu fui um Senhor dos Exércitos e não foi por acaso que fui escolhido para essa missão.
Muitos de vocês desconhecem o verdadeiro mistério da evolução. Nós somos seres infinitos e temos que passar por todos os Planos, Umbrais e Portais, para haver evolução! Vocês acreditam em evolução somente no eixo masculino? Ou no polo feminino? Ou que a evolução ocorre somente pelo bem? Você pensa que somente o positivo nos comanda e que o negativo não existe no mundo? Então você vive na ilusão! Pois a verdade é que todos possuem o direito de evoluir e de progredir - todos sem distinção! Não há melhor ou pior. Não há mais ou menos. Há apenas aquele que evoluiu primeiro e aquele que evoluirá depois. Essa é a Lei. Essa é a vida. É assim que funciona o Equilíbrio Universal. Ninguém se perde. Ninguém será esquecido.
O mundo evolui, assim como todas as criaturas. Em que mundo você vive? Um mundo que possui uma cartilha de certo e errado onde o bem vence o mal? Quem é o bem e quem é o mal? Você é o bem? E o mal está no outro? Acaso o outro também não representa a Face do Divino? Pensem em tudo o que vocês leram, viveram e aprenderam até hoje... Acham que somente uma verdade comanda tudo? Acaso o Criador seria tão pequeno e injusto? Se Ele criou tanta diversidade e construiu tantos mundos, mostraria apenas uma solução para tantos problemas?
Ele é maior que tudo isso e muito mais sábio do que vocês possam supor. Ele permite a vocês fazerem tudo o que acham devido, mas depois cobra a Lei. Vocês cometem desatinos e arbitrariedades, para que possam aprender o que é justo e correto. É por isso que eu estou aqui: para fazer cumprir a Lei Maior. Eu sou um Servo da Lei e não terei pena ou misericórdia ao lhes cobrar o preço justo de sua condenação! Mas, se você não errou, então, não há o que temer..."

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Xamã Vermelho - Red Shaman - Pupa Shaman

"Pupa" realiza seu trabalho nas Falanges Orientais de Cura em toda a Umbanda Sagrada, sob as ordens das Linhas de Iansã e Xangô. Ele nasceu nas Planícies Geladas, que ficam próximo às Montanhas Rochosas ao dos Estados Unidos, entre os estados de Montana e Wyoming. Ele pertencia ao Povo Cree, da Tribo Assiniboine (Ojíbua).
Ele conta que, desde a última grande Era Glacial, muitos povos começaram a habitar as Montanhas Rochosas, como os: apache, arapaho, crow, cheyenne, sioux, ute, kutenai, entre outros. Eles viviam nas planícies durante as estações do outono e inverno, onde caçavam bisões (búfalos-americanos). E nas estações mais quentes (primavera e verão), viviam entre as Montanhas onde pescavam peixes, caçavam alces e colhiam raízes e frutos.
Por causa da Guerra do Ouro, as histórias dos estados de Oregon, de Wyoming, de Montana e de Idaho se confundem. A palavra "Wyoming" na língua indígena significa Terra de Vastas Planícies e "Montana" deriva de Montanha mesmo. Oregon deriva de uma frase: "Caminho do Ouro" - para a qual não há tradução literal: ore go on (minério de continuar). Idaho possui um cognome: Gem State ou "Estado da Joia".
Mas, voltando a história de Pupa... Ele viveu entre os séculos XVII e XVIII, quando o homem branco tentava conquistar o território norte-americano. Os nativos das Montanhas Rochosas ainda estavam protegidos pela região desconhecida e pouco desbravada. Mas, quando os brancos começaram a chegar, pareciam "possuídos" por espíritos maus, pois seu único intuito era matar e conquistar.
Por conta de tanto ódio e sede de conquista por parte dos europeus, os nativos escondiam-se cada vez mais entre as montanhas e o frio. Pupa havia sido preparado desde adolescente para sua tarefa de líder religioso da tribo, então sabia realizar todas as curas necessárias para seu povo. Todos o respeitavam por seus ensinamentos. Ele aconselhou sua tribo a manter-se escondida nas montanhas e evitar o confronto com o branco. Disse que o homem branco já trazia o ódio dentro de si.
Quando Pupa estava idoso e preparava-se para deixar o mundo dos vivos, chamou seu sucessor e disse-lhe: "Prepara-te para a grande mudança da terra. O homem branco a tudo transformará e nossa nação nunca mais será a mesma. Preserva nossa gente e nossos costumes, para que o Grande Espírito mantenha nossos descendentes sobre essa terra."