sábado, 17 de julho de 2021

UBUNTU


Ubuntu é uma Filosofia Africana, presente na Cultura de alguns grupos que habitam a África Subsaariana, cujo significado nos remete à verdadeira humanidade do Ser Humano.
A palavra "Ubuntu" (u'buntu) deriva de um conceito, que pode ser traduzido, mais ou menos, como: "humanidade com os outros" ou "sou o que sou porque nós somos".
Particularmente, Ubuntu significa: generosidade, solidariedade, misericórdia, compaixão, empatia, afetuosidade, amorosidade, reciprocidade, bondade, união, cooperação, etc.
Uma pessoa que vivencia uma ação Ubuntu está aberta e disponível para os outros; ela apoia o que os outros fazem, porque jamais se sentirá ameaçada, pois suas ações se baseiam em autoconfiança.
Dessa forma, todo relacionamento é espontâneo e verdadeiro, pois vem do conhecimento que todos nós pertencemos a algo maior, muito maior!
Esse sentimento de "pertencimento" nos reconecta à Fonte Criadora de Tudo, pois torna possível expressarmos em profundidade a nossa essência divina.
Contam os antigos, que no começo dos tempos, o "Ubuntu" era vivenciado em muitas comunidades de forma natural... Porém, o ser humano, com sua ganância por conquista, eliminou da Terra essa prática.
Todos nós sabemos, por diversos manuscritos antigos, que a vida teve início na África. No entanto, negamos essas evidências!
Muita gente nega a vivência do Ubuntu, porque pensa que ao vivenciá-lo, estará voltando ao começo da Civilização. No entanto, ao contrário, Ubuntu representa evolução!
Mais do que nunca precisamos reavivar a energia do Ubuntu em nossos corações e em nossas ações, para podermos evoluir como um todo...
Por isso, devemos resgatar o conceito e a prática do Ubuntu no Planeta Terra. Precisamos perceber que o que fazemos ao outro reflete em nós e no Mundo que nos cerca...

"Ao entendermos quem nós somos verdadeiramente, poderemos entender melhor quem é o outro!"

segunda-feira, 12 de julho de 2021

O Axé dos pós sagrados.


As pinturas utilizadas em todos os ritos de passagem nos Cultos Afro-ameríndios possuem inúmeros significados próprios e especiais.
Na Cultura Africana, dentro de todas as Nações Afrodescendentes, os pós representam uma forma de proteção contra as forças maléficas externas, bem como, um vínculo direto com o Orixá pessoal.
Ou seja, as principais características dessas pinturas, tem como objetivo vincular todo o Axé transmitido ao noviço (abiã) durante o Ritual de Iniciação.
Na Cultura Ameríndia, dentro de cada Culto Ancestral Xamânico, os pós representam as pinturas diversas de cada Cultura Indígena... Elas também estão associados à cura, à proteção e à ancestralidade.
Especificamente, na Cultura Yorubá, os três pós mais conhecidos e utilizados são o efún, o osùn e o wàji - com as escritas em iorubá...
Cada um deles possui a seguinte forma de extração:
- Ossun - Um tipo de pó vermelho, obtido da árvore Baphia nitida e Peterocarpus osun - ambas são Leguminosas.
- Waji - Um tipo de pó azul, obtido da árvore Indigofera sp. - também um tipo de Árvore Leguminosa.
- Efun é um nome da Cultura Jeje-Nagô dado a vários tipos de pós, que são utilizados nos Rituais Afros. Na Umbanda, ele é conhecido com o nome de "pemba".
Os três pós estão associados diretamente às três cores básicas da Mãe Natureza, porque representam, especificamente, as três passagens do dia: o amanhecer (efún), o crepúsculo (osùn) e o anoitecer (wàji).
Essas pinturas também estão associadas ao Culto Ancestral das Mães Feiticeiras, como reverência e proteção às três principais Iyami Àjé; impedindo-as que "pousem" sobre a cabeça do iniciado.
Nos Rituais Indígenas, todas as tinturas são extraídas de plantas provenientes da Mata Nativa. Um dos exemplos mais conhecidos e utilizados pelos índios é o urucum (Bixa orellana sp)... Outra planta bastante utilizada nas pinturas indígenas é o jenipapo (Genipa americana sp).
Da mesma maneira que os pós naturais da Cultura Yorubá, eles também são de suma importância, porque representam os rituais de passagem nas Tradições Indígenas.
Cada pintura corresponde a um Clã, a uma Tribo, a uma Etnia ou a uma Nação específica... Por isso, ao observarmos as Festas de Xirê ou, mesmo as Celebrações Indígenas, veremos aspectos diferenciados no tracejado dos desenhos.
Enfim, as pinturas produzidas com os pós "mágicos" ou pós sagrados, funcionam como descarrego, proteção e vínculo efetivo com a Ancestralidade Maior. Por isso, devemos respeitar!

terça-feira, 6 de julho de 2021

A magia ritualística do Efun...


Todos os elementos utilizados dentro de uma feitura nas Nações do Candomblé, possuem um significado muito próprio e único. Por exemplo, a pintura com o pó de giz, conhecido por Efun, é uma das cerimônias mais importantes para o Culto.
A palavra "Efun" refere-se ao barro branco encontrado no fundo dos rios... O pó do Efun simboliza a claridade do dia. Quando o pó é soprado ou friccionado seco, ele possui a função de: clarear, despertar, iluminar, reavivar, energizar... O Efun molhado é utilizado para fechar, guardar, acalmar, abrandar... Por isso, em uma feitura, o Yaô (Ìyàwó) permanece coberto com o pó de Efun.
O Efun pode ser de origem mineral ou vegetal. O Efun Mineral é extraído do calcário encontrado na Natureza. O Efun Vegetal pode ser retirado dos seguintes vegetais: obi, orobô, aridã, pichurim, noz-moscada e algumas folhas sagradas. Além do Efun Mineral e Vegetal, existe também o Efun Animal... Este é um pó retirado de ossos e das cartilagens dos animais utilizados no Culto. Depois de devidamente secos, eles são triturados e armazenados.
Os pós jamais devem ser manuseados por qualquer pessoa. Como eles são sagrados, somente as pessoas devidamente preparadas para esse propósito dentro do Culto, podem manuseá-los.
Com o Efun, confecciona-se a pemba, que é muito utilizada durante os Ritos de Umbanda, para riscar pontos sagrados e para energizar diversos materiais dentro do Terreiro. Por isso, a pemba é de suma importância para a Umbanda.
Segundo alguns Historiadores, a pemba foi trazida para o Brasil, inicialmente, pelos Bantos... Mas, depois expandiu-se para outras Nações do Candomblé. Por conta disso, a pemba legítima é importada da África.
O que torna as pembas vindas da África tão especiais, é o fato de que os artesãos entoam cânticos religiosos para consagrá-las, enquanto realizam todas as etapas de sua produção.
Para fabricar a pemba, o minério extraído das jazidas de cal é pulverizado; e depois de seco é misturado com corantes e cola, modelado e embrulhado em folhas de bananeira.
Enfim, seja com o Efun ou com a Pemba, todas as Religiões Ancestrais preservam seus costumes fazendo uso desse produto sagrado em seus Rituais.